Um milhão e quatrocentos mil motivos

No nosso país, há mais CPFs cadastrados em corretoras de criptomoedas do que os cadastrados na B3. O mercado tradicional descredita de investidores de criptomoedas, mas há um milhão e quatrocentos mil motivos para a compra de bitcoins no Brasil.

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Há alguns dias, a mídia ventilou que há 1,4 milhão de pessoas cadastradas em corretoras de criptomoedas no Brasil. Isso com certeza assusta muita gente, tanto de forma positiva quanto negativa. Nós somos daqueles que vemos pelo viés positivo e, por isso, ficamos felizes que mais pessoas estejam começando a ingressar no universo cripto.

Por outro lado, existem aqueles que comparam esse número absurdo com a quantidade de pessoas cadastradas na B3, em torno de 600 mil CPFs, e já começam a especulação. Sei que essa é a primeira coisa que qualquer analista faz mentalmente, mas a analogia desses números precisa de algumas ressalvas…

Primeiro que não dá para saber qual a interseção entre esses CPFs cadastrados nas duas maiores corretoras de criptomoedas, que representam juntas 95% do volume transacionado. Isso já torna o dado não fiel para fazer qualquer tipo de análise comparativa. Fora que os dados de CPFs ativos não são claros, que é o que deveria ser realmente comparado.

Acho que existe uma vontade de descreditar os investidores de criptomoedas, pelo menos por parte do mercado tradicional. Minha opinião é que rola um “ciuminho” de quem está aí há tanto tempo e não é tão popular quanto esse ativo tão jovem. É como estudar na mesma escola por muito tempo e um calouro ter mais evidência que você, logo na primeira semana de aula.

Vamos assumir que esses números sejam verdade absoluta apenas pelo exercício de raciocínio. Com isso em mente, podemos comparar como é investir em ações e em bitcoin. Sabemos que é bem mais caro e menos democrático operar na Bolsa. Digo isso porque o investidor de ações sabe que precisa comprar lotes padrão, de 100 cada, e deve diversificar em pelo menos cinco ações de setores diferentes, receita básica e batida de investimentos. No entanto, para fazer isso e ainda assim manter apenas 20% em Bolsa, é preciso possuir algo em torno de 25 mil reais, o que não é factível para boa parte da população.

 
Já quando o assunto é bitcoin, com 50 reais é possível começar a investir. Mesmo que isso represente 5% do portfólio, ainda assim é mais provável realizar do que operar na Bolsa, dado que com mil reais investidos em outros ativos, os 50 reais em criptoativos seria uma alocação totalmente responsável.

É lógico que não podemos comparar diretamente essas duas classes de ativos, pois possuem diferenças fundamentais. Porém, é natural de se pensar que se a barreira de entrada é menor para as criptomoedas, é mais fácil atrair pessoas que nunca teriam investido em renda variável por uma limitação financeira.

Além disso, aquele papo de analista de investimento ou de educador financeiro de que o dinheiro investido hoje rende muito mais amanhã é sentido literalmente no universo cripto. Claro que também estamos falando de oscilações mais bruscas e, certas vezes, negativas, mas para quem capturou a valorização do último bull market, a noção de que o dinheiro pode valer mais no futuro é real.

Na verdade, os profissionais do meio deveriam agradecer às criptomoedas por ensinarem aos mais diversos tipos de pessoas o poder do dinheiro no tempo. Pode até ser que os aprendizados estejam distorcidos, mas isso não tira o fato do bitcoin ser um fenômeno social com 1,4 milhão de brasileiros.

Fora isso, essa quantidade de gente investindo é reflexo dos evangelizadores que o próprio ecossistema criou. Essas são as pessoas tão dedicadas a espalhar a mensagem do bitcoin que não se importam em perder horas do seu dia apenas para convencer os outros do poder da tecnologia que está por trás do protocolo.

Mais um ponto relevante que nos leva a ter mais de 1 milhão de investidores nesse ativo de menos de uma década é a sua valorização expressiva em curtos espaços de tempo. Algo que se valoriza 1.800% em um ano, ou até em uma semana, chama a atenção até dos mais conservadores. E isso é o combustível necessário para fazer até quem nunca investiu pensar nessa possibilidade.

E é exatamente por esses motivos tantas pessoas estão investindo em criptomoedas e, de alguma forma, se tornando melhores investidores que antes, seja por administrarem os sentimentos gerados nas grandes oscilações ou por começarem a pensar como investidores de fato.

Por isso, só temos que falar duas coisas: invista com responsabilidade e OBRIGADO, Satoshi Nakamoto!