Analógico vs digital

Duas gerações podem coexistir, mas uma delas tende a se tornar mais influente conforme o mundo evolui. Algo parecido acontece no sistema financeiro, com o dinheiro.

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Analógico vs digital

Na semana passada, fui convidado para dar uma palestra em um evento organizado para CFOs de diferentes empresas.

A noite contaria com outras duas apresentações também focadas no mercado de criptomoedas. Era o tema sobre o qual todos queriam ouvir. Resolvi que falaria sobre como se formam os preços dos criptoativos.

Me programei para chegar um pouco antes de o evento começar, coisa de 20 minutos. Às 18 horas, iniciava o coquetel de abertura, com direito à bebida da moda do verão 2018: gin tônica (confesso que entrei na onda também).

Esse momento inicial era um espaço para networking. Eu, que até hoje não sei começar uma conversa com pessoas que não conheço em locais assim, achei uma mesinha no canto para apoiar minha bebida enquanto rolava pelas últimas notícias do criptomercado, imerso no meu mundo digital — eu sei, você vai falar: “Vinícius, larga esse celular e vai falar com as pessoas”.

Fui salvo pelo Gustavo, que apareceu do meu lado e falou: “Você é o Vinícius, certo? Sou assinante de vocês”.

É sempre um prazer enorme encontrar assinantes em eventos, conversar com eles, entender o que os levou a se interessarem por esse mercado e, claro, como podemos continuamente melhorar nossas publicações.

Também me impressiono que, a cada vez, ouço uma história diferente; a do Gustavo me chamou atenção. Ele trabalha com relógios. Quer dizer, desculpe ser simplista, Gustavo. Com os melhores relógios que você pode encontrar por aí. Coisa fina mesmo.

O Gustavo trazia consigo os dois extremos da tecnologia: o ecossistema digital das criptos e suas histórias sobre os relógios analógicos, como aquele que carregava no pulso.

A tradição relojoeira mantém vivos os elementos da mecânica que levam aquele pequeno ponteiro a fazer um tique e um taque, precisamente, a cada dois segundos.

O Gustavo me explicou sobre os diferentes tipos de relógios, como eles funcionam, e me disse que, de tempos em tempos, traz um relojoeiro suíço até sua butique para ensinar a um grupo de pessoas como funcionam os mecanismos tradicionais.

Os relógios analógicos, hoje menos frequentes no pulso dos preocupados com o horário, resgatam uma era tecnológica pré-digitalização.

Em alguns anos eles deixarão de existir, dando espaço apenas a smartwatches? Duvido. Mas é inevitável que os dispositivos digitais sejam predominantes.

É o caminho natural da tecnologia. Duas gerações podem coexistir, mas uma delas tende a se tornar mais influente conforme o mundo evolui.

Algo parecido acontece com o sistema financeiro. Nas últimas décadas, a digitalização permitiu que novas formas de usar dinheiro, além do papel-moeda, surgissem.

E seguindo o curso evolutivo, uma nova geração monetária está surgindo. A diferença entre o dinheiro e os relógios é que, no segundo grupo, o que é analógico, apesar de se tornar raro, continua guardando valor.

Há relógios que são adquiridos até mesmo como forma de investimento em ativo físico, assim como você poderia comprar um quadro de um artista famoso ou uma pedra preciosa.

Sou inclinado a dizer que, no caso do dinheiro, daqui a um tempo, eu só vou encontrar papel-moeda lá na Praça XV, em Ribeirão Preto, na feira de antiguidades e colecionáveis.

O mundo muda, seu dinheiro também. Sugiro que leia isto se quiser estar preparado.

Enquanto a volatilidade e a falta de força compradora deixam os preços das criptomoedas no vermelho, os avanços tecnológicos não param. Ontem, a Lightning Labs, que está por trás da Lightning Network (LN), anunciou o lançamento da versão beta da rede na mainnet do Bitcoin.

Apesar de ainda ter muito a desenvolver, a LN é um projeto extremamente promissor ao atacar o problema de escalabilidade do Bitcoin.

Essa mesma dificuldade é a que faz algumas pessoas acharem que a moeda digital não serve bem para pagamentos, mas sim como reserva de valor. É a opinião de Peter Thiel, por exemplo — só precisamos lembrar que o cara é fundador do PayPal, que é justamente um meio de pagamento concorrente.

Tenha ele dito isso por conta do negócio que leva à frente ou por realmente pensar assim, sua visão continua bullish. E eu estou com ele. Wall Street deixou o bonde passar até agora, mas duvido que continuará assim por muito tempo. É sua chance de entrar antes.

No curto prazo, porém, preço segue notícia. Na semana que vem, acontece o encontro do G20 na Argentina, no qual será discutido principalmente sobre como evitar lavagem de dinheiro com criptomoedas e proteger os consumidores.

Do ponto de vista de regulação, a visão é bastante positiva, e o Japão, que tem o melhor modelo regulatório no mundo, deve puxar o barco.

Difícil é saber como a mídia vai comunicar os fatos. Apostei aqui com o André uma feijoada no Zé Gordo que, mesmo que a discussão no encontro seja super positiva, os jornais vão achar algo negativo para falar.

Mas isso só saberemos na semana que vem. Até lá, olho no preço e HODL!