Dois extremos do mercado

Quando somamos os comportamentos de cada um dos investidores, chegamos ao comportamento do mercado, mais otimista (egocêntrico) ou pessimista (ansioso).

Compartilhe:
Dois extremos do mercado

O que determina o preço de um criptoativo?

Essa é, certamente, uma das perguntas que mais ouço. Não é sem motivo. Uma pessoa que investe — ou deseja investir — em cripto vai se perguntar sobre isso em algum momento. Afinal, faz todo sentido querer saber o que dita o preço daquilo que você tem em carteira.

Se eu reduzisse a resposta a um único fator, ele seria comportamento. Sim, o comportamento dos diferentes participantes do mercado.

O fato de uma unidade de bitcoin hoje custar por volta dos 6,5 mil dólares se deve a como os compradores e vendedores se comportam a cada instante, desejando mais comprar do que vender ou mais vender do que comprar.

Até aí, não há nada de muito novo. Qualquer mercado de renda variável segue essa mesma premissa. O que muda de um caso para o outro são quais dados os tais participantes levam em consideração para chegar a um julgamento sobre o preço de um ativo.

Mas isso fica como conversa para outro dia…

Hoje quero discutir a questão comportamental em si. Isso tem ficado na minha cabeça nos últimos dias.

Recentemente, eu retomei uma leitura antiga. Um livro que tinha começado a ler anos atrás e que, por uma mistura de densidade do texto e falta de maturidade à época, não consegui digerir direito e acabei deixando de lado.

Trata-se da obra “Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas”, um clássico de Robert M. Pirsig publicado na década de 1970. A road trip existencial conta a história — uma espécie de autobiografia — de um homem viajando de moto com seu filho pelos Estados Unidos.

Entre reflexões filosóficas sobre valores e comportamento humanos, o personagem fala sobre como manter uma motocicleta em perfeito estado para rodar centenas de quilômetros.

Em uma das passagens, há uma discussão sobre duas características comportamentais em especial, que, ao meu ver, possuem grande relação com a maneira de agir dos participantes de um mercado de renda variável.

Trata-se do egocentrismo e da ansiedade.

Para não divagar demais, vou resumir a história. A ideia central é a seguinte: um indivíduo egocêntrico é cheio de si, confiante em suas próprias opiniões e dificilmente aceita algo que contrarie o que pensa. Ao surgir um novo fato, o seu ego o impede de reconhecê-lo, mesmo que a realidade, bem ali na sua frente, mostre o contrário.

Por outro lado, qualquer dado, mesmo que falso, que confirme o que o indivíduo pensa e o faça se sentir bem será aceito como verdadeiro. Ou seja, esse cara está constantemente se enganando para manter sua própria verdade, na qual só ele acredita.

No lado praticamente oposto está o indivíduo ansioso. Essa pessoa tem tanto medo — ou até certeza — de que fará tudo errado que nem mesmo dá o primeiro passo. A preocupação exagerada o impede de tomar decisões, enquanto acaba tentando consertar coisas que não precisam ser consertadas. O cara é o nervosismo em pessoa. E o medo de cometer um erro é paralisante.

Agora, com esses dois tipos em mente, voltemos ao mundo real.

No mercado, esses dois perfis estão sempre presentes. De um lado, vemos investidores egocêntricos, cheios da verdade, cada um com a sua, como se tantas verdades diferentes assim pudessem coexistir. De outro, investidores ansiosos, paralisados,  olhando notícias se sucederem dia após dia, sem nunca identificar a hora certa de entrar. Tudo sempre muito complexo e arriscado.

Se você me perguntar, eu direi que ambos cometerão erros fatais.

O primeiro tipo vai assumir tanto risco achando que, na verdade, está tomando certezas de lucro. Vai se entubar da “criptomoeda da vez” quando, na verdade, não deveria expor mais do que uma fatia pequena e controlada do seu patrimônio a essa classe de ativos.

Tudo parece lindo. O cara se sente um gênio. Talvez até seja. Até que… Já era, perdeu tudo o que tinha — e o que não tinha, por conta daquele dinheiro emprestado que pegou com o irmão.

O segundo tipo, o ansioso, vai ficar olhando pra tudo isso, sentido uma vontade de entrar, mas tomado de um medo tão grande que não vai fazer nada no fim das contas. Vai mesmo é morrer com o dinheiro debaixo do colchão. Esse cara nunca vai perder. Mas também não vai ganhar nada. Ah… que vida chata!

Bem, acho que já deu para perceber que estar em qualquer um dos extremos é, no mínimo, ruim. E se você acha que não existem pessoas de fato nesses polos, pasme: há mais do que você imagina.

Quando somamos os comportamentos de cada um dos investidores, chegamos ao comportamento do mercado, mais otimista (egocêntrico) ou pessimista (ansioso).

Em seus ciclos de altos e baixo, o mercado alterna seu comportamento. Nos de alta, dá mais espaço aos egocêntricos, que vão tomando confiança a cada candle verde no gráfico até que uma hora exageram na dose, levando ao ápice de euforia do ciclo.

No movimento oposto, de baixa, o sentimento se torna cada vez mais de ansiedade, até o ponto em que se percebe “ok, exageramos, hora de ganhar um pouquinho de confiança de novo”.

Entender em que ponto do ciclo o mercado está é a chave para se posicionar. Na minha visão, após termos chegado a um ápice de superconfiança no fim do ano passado, entramos em um mergulho de ansiedade e me parece que passamos do limite.

Talvez o ponto atual nem seja o fundo do poço de fato mas, com meses de queda, dá pra falar que o mercado ficou mais pessimista do que otimista. E isso é bom, porque estamos na parte barata do ciclo, quando você deveria estar comprando bons ativos e não vendendo.

Por isso, encerro o texto de hoje com um convite.

Saber o que comprar e quando fazer isso é o ponto chave de uma estratégia vencedora. Foi com isso em mente que publicamos uma nova tese: o Bitcoin 2.0.

Uma versão nova e melhorada do Bitcoin que, aliada com o momento de preço favorável do mercado, pode render uma verdadeira fortuna.

Confira todos os detalhes neste documento aqui e entenda por que o dia 19 de julho será determinante para o Bitcoin 2.0.