“Pior que veneno de rato”

Ao leitor mais assíduo, peço desculpas se o tema às vezes é repetitivo. Porém, é inevitável tratar daquilo que está sendo falado dia após dia. Se Buffett acha impossível que as criptomoedas gerem algum tipo de valor, preciso discordar mais uma vez.

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“Pior que veneno de rato”

Ao leitor mais assíduo, peço desculpas se o tema às vezes é repetitivo. Porém, é inevitável tratar daquilo que está sendo falado dia após dia.

Volto à questão envolvendo Warren Buffett e a turma do amendoim do mercado financeiro tradicional. “Bitcoin é pior que veneno de rato” e “esse tipo de ativo não possui valor porque não gera valor” são algumas das frases que li nos últimos dias.

Mais uma vez, o discurso de Buffett se aproxima do conto da cama de Procusto, que tratei no texto de ontem. Tenta-se forçar a realidade em um padrão estabelecido para outro mercado séculos atrás. Não dá.

Se Buffett acha impossível que as criptomoedas gerem algum tipo de valor, preciso discordar mais uma vez.

Tomo aqui algumas das ideias de um VC norte-americano — Fred Wilson —, expostas em um de seus posts recentes.

Ativos digitais, como bitcoin, ether, litecoin, entre outros, são o combustível que alimenta uma nova forma de infraestrutura construída em cima dos protocolos de internet.

Tome o caso do Ethereum, uma plataforma descentralizada capaz de rodar contratos inteligentes (os smart contracts). O ether (ETH), ativo base da plataforma, é exatamente o combustível necessário para usar o poder computacional do Ethereum.

Suponha que eu queria registrar um contrato de serviço e pagamento entre duas partes de forma digital e ultrassegura. Farei isso utilizando a rede do Ethereum, o que só será possível mediante o pagamento de uma certa quantidade de ether para rodar o contrato.

Todo tipo de valor transacionado por essas infraestruturas naturalmente se refletem para o combustível da rede. O ether traduz o valor daquilo que é registrado no Ethereum.

O bitcoin (BTC), por sua vez, é o combustível necessário para alimentar uma rede de transação de valores, sem a necessidade de intermediários ou moedas fiduciárias.

Os ativos digitais produzem uma infraestrutura descentralizada. Wilson utiliza um exemplo muito bom: o Bitcoin produziu uma rede de processamento de transações que se parece muito com o Amazon Web Services, algo que Buffett certamente concordaria que possui valor.

Além de Buffett, seu parceiro Charlie Munger também se posiciona contrário aos ativos digitais. Warren Batman e Robin foram, pelo menos, sinceros em afirmar que nada entendem sobre criptomoedas.

E podiam ter parado por aí. Ficaria menos feio… Uma coisa é dizer que o mercado é irracional e precifica um ativo acima do que seria um valor aceitável — algo que não é exclusivo das criptomoedas, devo dizer. Outra é descartar todo o valor construído ao longo dos últimos anos.

Se para os investidores da velha guarta esses ativos valem zero, essa não parece ser a visão do restante do mercado.

Paul L. Chou, CEO da LedgerX, empresa especializada em custódia e negociação de derivativos de criptomoedas, afirma que há um interesse como nunca — por parte dos investidores institucionais — no bitcoin.

Em suas próprias palavras: “fico impressionado como as pessoas que acreditam mais fortemente nas criptomoedas normalmente começaram céticas”.

Na próxima semana, acontecerá a Consensus, um dos maiores eventos do mundo sobre criptomoedas, no qual a tecnologia (as equipes de desenvolvimento de criptoativos) encontra o dinheiro (diretores das grandes instituições financeiras).

Trata-se de um congresso que há quatro anos tinha 400 participantes e, neste ano, terá mais de 4.000.

É lá onde os principais anúncios tecnológicos e institucionais ocorrem e, mais uma vez, deve se afirmar como um grande catalizador para o mercado, além de um reforço do crescente interesse do mercado tradicional pelo tema.

Eu e o André estaremos lá para ver com nossos próprios olhos o que será falado. E chuto que Buffett não deve participar do evento… uma pena.

Agora, já percebeu como, mês após mês, as vozes contrárias às criptomoedas vão diminuindo?

Em setembro do ano passado, Jamie Dimon, CEO do J.P.Morgan, chamou o bitcoin de fraude e o preço do ativo afundou 25 por cento. Hoje, Buffett e seu sócio dizem que é “demência” e o preço mal se move. Se bobear, sobe.

Conforme o interesse institucional — e entendimento sobre o assunto — cresce, vozes solitárias vão tendo menos efeito.

Daqui do nosso lado, acho que já ficou meio claro que somos extremamente comprados em cripto. Apesar disso, é preciso constantemente olhar para o mercado e entender seu comportamento. Como você já percebeu, não se trata de algo que só sobe.

O bitcoin tem estado um pouco mais de lado nas últimas duas semanas, tendo testado ultrapassar a barreira psicológica dos 10 mil dólares, mas ainda sem sucesso.

Falta um gatilho adicional, um pouco mais de força e apetite do mercado. Começam a aparecer no horizonte indícios de que a Consensus, na semana que vem, será esse gatilho que falta.

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