Pra você que está vendo o bitcoin no vermelho

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Pra você que está vendo o bitcoin no vermelho

Em tempos em que voltamos a ouvir a famosa frase “o Brasil não é para principiantes”, do mestre Tom Jobim, fica cada vez mais claro que, para o mercado de criptomoedas — alheio às discussões políticas ou greve dos caminhoneiros —, vale o mesmo raciocínio.

Melhor… vou reformular.

O mercado de criptomoedas é, sim, para iniciantes. Ele os recebe de braços abertos, com sua baixa barreira de entrada do ponto de vista financeiro. Entretanto, dado que é também altamente volátil e “supostamente” manipulado, não dá para entrar e continuar principiante. Entrou, tem que aprender a jogar o jogo.

A bem da verdade, todo mercado é manipulável e manipulado de alguma forma. Entretanto, quando falamos de um mercado pequeno, em comparação com os demais, e no qual liquidez não é bem o forte, os efeitos são bem maiores.

Após um sopro de esperança na semana passada, quando o bitcoin havia interrompido sua trajetória de baixa de curto prazo e as principais altcoins retomavam seu fluxo ascendente, veio um novo baque.

Uma entrada de grande pressão vendedora, com aumento repentino de volume e um candle vermelho daqueles de dar medo.

Voltamos abaixo dos 7 mil dólares para o BTC.
Enquanto você vê o monitor no vermelho — e talvez já tenha perdido as unhas —, trago aqui alguns pontos importantes a se considerar neste momento.

Em primeiro lugar: o que provocou a queda? Ah, sempre vamos achar uma justificativa…

Em retrospectiva, claro.

Se precisarmos, mesmo, encontrar uma explicação racional para o movimento, eu diria que se deveu menos ao hacking da Coinrail, pequena corretora sul-coreana, e mais à questão regulatória, após a intimação da CFTC a quatro grandes corretoras (Bitstamp, Coinbase, Itbit e Kraken) em sua investigação sobre manipulação do mercado.

Mais que isso, a queda foi provocada mesmo pelo FUD (Fear, Uncertainty and Doubt) gerado pelas notícias e pelo panic selling, dois movimentos que tendem a ferir, principalmente, os principiantes no mercado.

Se você se sentiu perdido do meio do tiroteio, sugiro fortemente que leia as publicações do Empiricus Crypto Alert e Exponential Coins. Acompanhamos o mercado 24/7 para trazer aos assinantes o que realmente importa. Não dormimos para que você durma tranquilo.

Voltando à queda, há mais um elemento aí no meio. E esse é importante.

Como disse, o mercado de criptomoedas é manipulado. Isso é fato. Não há porque criarmos justificativas em nossas cabeças para dizer que não. Precisamos saber lidar com isso e usar a nosso favor.

Além da possibilidade de manipulação dos preços — a queda me pareceu maior do que as notícias justificariam —, há o fato de o volume ter caído bastante nos dias e semanas anteriores à correção do mercado.

Veja, momentos de menor volume e baixa volatilidade são perigosos. Como diria o Baiano, de Tropa de Elite, “tem parada errada aí, irmão… esse morro tá muito tranquilo”.

Sem volume, os books ficam menores, deixando mais fácil ordens grandes “limparem” as ofertas abertas, puxando o preço para cima ou para baixo, a depender da direção do movimento.

Está tudo calminho, calminho, caminhando a passos (candles) pequenos até que… surpresa! Variação de 10% em algumas horas.

Aí vira o caso do cinema com apenas uma pequena porta, em que alguém grita “Fogo!” e todos saem correndo, desesperados, tentando passar por aquele estreito espaço.

Por isso, reforço, o movimento do último domingo me pareceu mais panic selling e — quem sabe? — manipulação de mercado.

Agora, é importante que o bitcoin e seus pares mantenham sustentação acima das principais zonas de suporte, especialmente acima dos 6,5 mil dólares.

Para o investidor de longo prazo — digo, de longo prazo de verdade, que compra e esquece, sem se preocupar com as flutuações de curto prazo —, é uma oportunidade de reduzir o preço médio da carteira ou de, simplesmente, não fazer nada e esperar.

Mercado hoje acorda buscando definir a direção dos próximos dias, com os principais ativos em leve alta. Spread no Brasil, segundo dados do inCripto, se mantém na casa dos 5%, após o pico do fim de semana.