O que eu aprendi com dois garotos de 13 anos

Chegamos ao final do primeiro trimestre com o mercado de criptomoedas em baixa. O fato de não existir um indicativo claro para reversão de tendência faz com que se julgue impossível que os ativos voltem a subir. Todavia, temos que ter em mente que somos ruins – generalizadamente – em prever o futuro.

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O que eu aprendi com dois garotos de 13 anos

Nosso dia a dia como editores-analistas de criptomoedas é uma loucura. Sempre há um volume enorme de informações indo e vindo, dado que eu e o André trabalhamos com um mercado que nunca – nunca mesmo – fecha.

Não reclamo. Na verdade, gosto e muito.

Mas os últimos dias têm sido especialmente cheios por aqui… ontem iniciamos o maior evento online da história sobre criptomoedas (afirmo com convicção dado o número impressionante de pessoas que já se inscreveram aqui para acompanhar a série de vídeos).

No vídeo que liberamos ontem, fiz questão de fazer uma denúncia contundente sobre os interesses escusos por trás das tentativas de matar as criptomoedas.

Há coisas que a mídia simplesmente não mostra. Ela esconde a verdade. É por isso que o evento se chama A Verdade Oculta. Se você ainda não está participando, sugiro fortemente que o faça. É completamente gratuito. Os vídeos só ficarão no ar até dia 8.

É só se cadastrar aqui.

Chegamos ao final do primeiro trimestre com o mercado de criptomoedas tendo sofrido violentos golpes, resultando em baixas significativas dos ativos.

Naturalmente, os preços consideravelmente abaixo daqueles vistos no início do ano levantam diversos questionamentos por parte dos investidores. É sobre isso que quero falar hoje.

Sei que há muitas pessoas que entraram neste mercado próximo das máximas históricas e veem, neste momento, seus portfólios de cripto no vermelho.

Essas mesmas pessoas – ou até mesmo quem entrou antes e pegou a onda de valorização – podem estar se perguntando se ainda há chances dos ativos voltarem às suas máximas.

Comentei em uma das edições da semana passada do Crypto Talks sobre a reversão à máxima, a tese de que os ativos, cedo ou tarde, voltarão para seus preços mais altos.

Mas vou além. Não só isso é possível como a maioria das pessoas não enxerga. O fato de não existir um indicativo claro, neste momento, para reversão de tendência e volta do bull run no criptomercado faz com que se julgue impossível que os ativos voltem a subir.

Taleb traz muito bem em seus livros: não confunda ausência de evidência com evidência de ausência – ou, como meu querido professor Wagner, na faculdade, dizia, não confunda catraca de canhão com conhaque de alcatrão… são coisas diferentes.

Não é porque você não enxerga algo hoje que isso não existe. Paralelamente, não é porque não há evidência de bull run que ele não ocorrerá no futuro.

Escuto algumas pessoas dizerem: “mas o bitcoin caiu de U$20 mil para U$7 mil… Qual é a chance de realmente buscar um valor como U$50 mil?”.

Essas mesmas pessoas talvez se esqueçam que, em setembro do ano passado, quando a China proibiu ICOs em seu território e o bitcoin saiu de U$5 mil para quase U$3 mil, também não parecia nada óbvio que os preços voltariam a subir.

Exatos três meses depois, a criptomoeda flertava com os U$20 mil, acumulando cerca de 500% de valorização.

Só ficou óbvio a posteriori, ou seja, depois do ocorrido. Portanto, por mais que não pareça evidente que os preços subirão no médio ou longo prazos, descartar essa possibilidade e se afastar do ativo é pelo menos contraproducente. Mais do que isso, pode te deixar de fora da próxima onda de valorização.

Temos que ter em mente que se tem uma coisa em que somos ruins – generalizadamente – é em prever o futuro. Quando achamos que algo não deve acontecer, é aí que acontece.

Recentemente, fui lembrado de novo sobre isso. Antes de trabalhar oficialmente no mercado financeiro, eu dedicava meu trabalho à educação para crianças.

Em uma das aulas que dava, focada em tecnologia e empreendedorismo, buscando despertar o espírito DIY na garotada, havia dois alunos especiais: o Paulo e o Gui.

Ambos eram pequenos gênios, cada um ao seu estilo. O Paulo era o aficionado por física, fã de Stephen Hawking, Tesla, Einstein e outros grandes. Gui era um empreendedor nato, que me venderia qualquer coisa sem esforço.

Os dois iniciaram um projeto ambicioso: projetar uma bicicleta sustentável, com quadro feito em bambu e um dispositivo para carregar seu celular com a energia das pedaladas. Detalhe, os meninos tinham 13 anos.

Após meses de trabalho (pode ter certeza que projetar uma bicicleta feita de bambu não é tarefa fácil), tinham feito algum progresso, mas ainda estavam bem longe do objetivo. A tecnologia era uma grande barreira para eles.

E confesso que, no fim daquele semestre de trabalho, como tutor do projeto, eu estava satisfeito por um lado – é mais importante a jornada do que a linha de chegada –, mas sem grandes esperanças que o objetivo fosse alcançado.

Simplesmente não havia evidência de um caminho para o progresso do projeto. Mas foi aí que eu mesmo confundi a ausência de evidência com evidência de ausência.

Sabe o que aconteceu? Umas três semanas atrás eu recebi uma mensagem de um amigo daquela época. Ele tinha encontrado Paulo e Gui, dois anos mais velhos e com algumas espinhas a mais no rosto em uma das maiores feiras de projetos educacionais do Brasil.

E sabe o que tinha no estande deles? Sim, a tal bicicleta, funcionando perfeitamente. Projeto impecável, estrutura profissional e instalação elétrica funcionando, tudo feito pelos dois. O que era improvável para uma dupla de adolescentes se mostrou, ao final, apenas uma questão de tempo, foco e esforço.

Assim funciona também com as criptomoedas, especialmente porque estamos falando de tecnologia. O processo de implementação tecnológica é tortuoso, volátil e incerto. Quando colocamos um preço nisso, é natural que ele oscile violentamente. Afinal, estamos diariamente saindo do sucesso para o fracasso, e vice-versa.

Vejo o momento atual como natural do processo de adoção tecnológica. Com um mercado mais temeroso pelas questões regulatórias, o hype momentâneo diminuiu bastante e os preços se comprimiram.

Porém, assim como hoje essa é a realidade e poucos meses atrás era algo completamente oposto, tudo me leva a acreditar que no futuro, mais breve ou mais longo, os preços apontarão para o norte de novo.

Enquanto isso, é preciso saber tolerar as oscilações e entender que não é porque não parece haver uma saída hoje que ela não existe.

Leve isso com você: em um mercado de alta volatilidade, a paciência e o foco são muito bem recompensados.

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