Sua pele está em jogo

92 entre 100 millennials não confiam nos bancos. O dado é assustador e revela uma realidade cada vez mais latente. A figura do banco como provedor de segurança e estabilidade financeira já era.

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Sua pele está em jogo

92 entre 100 millennials não confiam nos bancos.

Essa foi a descoberta de uma pesquisa realizada no início de 2016 pelo Facebook IQ, um time de pesquisadores da Facebook Inc, e publicada em um paper intitulado “Millennials + money: the unfiltered journey”.

O dado é assustador e revela uma realidade cada vez mais latente. A figura do banco como provedor de segurança e estabilidade financeira já era. Fora que ninguém mais aguenta os tipos de serviços que são oferecidos em uma agência.

Essa estatística me veio à mente enquanto lia o novo livro do Taleb, “Skin in the Game: Hidden Asymmetries in Daily Life”. Logo no início, é tratado o tema da centralização de poder e decisões, razão pela qual passamos pela crise em 2008.

A tradução literal de skin in the game é “pele em jogo”. Em bom português, quando você coloca o seu na reta, você está de fato ligado às consequências de suas ações.

Não é o caso dos bancos ou dos governos. Suas ações, tradicionalmente, colocam a pele dos clientes e governados em jogo, não a dos diretores das instituições.

Via de regra, qualquer instituição burocrata não tem a pele em jogo. Taleb define bem: “burocracia é uma construção na qual a pessoa é conveniente separada das consequências de suas ações”.

Veja o exemplo de 2008. Conforme os bancos emitiam títulos de dívida de hipotecas, acumulavam riscos escondidos e assimetricamente negativos, mas justificavam tudo isso com seus modelos de risco que funcionam apenas no papel ou, no máximo, no Excel.

Quando a bolha estourou, usaram o supertrunfo: a incerteza. Um típico cisne negro, como se sua atividade comercial até então não tivesse sido a principal causa do colapso financeiro. O que os bancos fizeram foi transferir os riscos para a população.

Mesmo que alguns desses bancos, como o Lehman Brothers, tenham quebrado, eu tenho certeza de que os bônus dos diretores das instituições salvas pelo governo não foram significativamente impactados.

Eles não têm a pele em jogo. É você que tem.

Não é à toa que as gerações mais novas não confiam neles. Em situações críticas como 2008, não há alternativa senão descentralizar o poder e as decisões. Voilà, eis a razão de existir o Bitcoin.

Construindo sobre o que o André falou na edição de ontem desta newsletter, as criptomoedas, especialmente aquelas não atreladas a grandes instituições, serão a nova forma de dinheiro que atrai a confiança dos millennials.

Você pode concordar ou não. Pode até torcer o nariz e dizer que as novas gerações não têm foco e vivem em um mundo paralelo.

Mas é inegável que, em uma década (ou menos), essas gerações estarão à frente das empresas, governos, instituições. Seu impacto ideológico é inevitável — e este que vos fala está nesse grupo.

Parte da nossa tese da adoção em larga escala das criptomoedas reside justamente na maneira como os millennials lidam com dinheiro. Não suportam a burocracia e odeiam quem não tem a pele em jogo.

Temos um ativo que encontrou seu mercado. O bitcoin (e seus pares) encontrou uma geração insatisfeita e digital.

Mas há muito mais do que posso discutir nessas poucas linhas. O buraco é mais embaixo. Há mais sobre os problemas do sistema financeiro tradicional e sobre o processo de adoção das criptomoedas que você precisa saber.

Aproveito para sugerir uma leitura para o fim de semana: o livro que publiquei com o André, intitulado “Criptomoedas: Melhor que Dinheiro”.

Nele, vamos muito mais a fundo nas questões que permeiam o sistema financeiro e como as criptomoedas podem — e vão — alcançar um espaço ainda muito maior na economia.

Ao acessar esta página aqui, você pode se cadastrar para receber um exemplar físico gratuito, que será entregue na sua casa. Além de receber o livro impresso, você libera, imediatamente, a versão digital, para começar a ler de imediato.

Depois me conta o que achou, combinado?

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