Dados são péssimos para ver além

Diariamente, nós conversamos com pessoas do mercado de criptoativos ou falamos entre nós sobre o que estamos pensando para o futuro dessa criação de Satoshi […]

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Dados são péssimos para ver além

Diariamente, nós conversamos com pessoas do mercado de criptoativos ou falamos entre nós sobre o que estamos pensando para o futuro dessa criação de Satoshi Nakamoto.

Como você deve saber, não medimos expressões nem palavras para demonstrar nossa indignação com as ideias um do outro.

Para a maioria dos nossos colegas, essas discussões parecem brigas, mas não são, eu garanto.

O fato é que a linguagem menos polida faz com que o foco seja todo nas ideias de investimento e não em fazer o outro não ficar magoado.

E apesar de sermos muito semelhantes aos olhos de quem nos vê como engenheiros formados na mesma faculdade, temos muitas diferenças.

A primeira delas eu percebo quando falamos de criptoativos que vão compor nosso hall de ativos selecionados dentro do Empiricus Crypto Alert.

Isso porque o Vinícius adora trazer dados para complementar a nossa análise e a minha visão é de que os dados ajudam a entender o passado e, no máximo, o presente, mas nunca o futuro.

Sei que existe muito valor em analisar números relativos à quantidade de transação, distribuição de mineradores e volume transacionado nas exchanges, mas sei que nada disso serve para indicar alguma direção à frente.

Percebo esses números como um ótimo reflexo do que aconteceu até o momento, mas que pouco conversam com o que vem na sequência.

Para entender isso de forma mais clara, basta voltar ao passado, um ano antes dos europeus descobrirem a América, e falar com portugueses e espanhóis.

Para o primeiro, basta você perguntar a um membro da Coroa quantas toneladas de pau-brasil eram extraídos por ano e qual a previsão para os anos seguintes.

Para o segundo, pergunte quantos quilos de ouro eram extraídos de terras colonizadas pelo seu povo e qual era a previsão para os próximos períodos.

Os dois olhariam para você como se fosse um louco.

Isso porque você estaria querendo dados do que ainda não existe. Seria impossível fazer qualquer previsão.

Mas esqueça os colonos e vamos a algo mais recente, pergunte a um analista de investimento, que cobria a Amazon em 2001, depois da bolha ponto com, quantas pessoas assinavam a Amazon Prime.

Na sequência, emende questionando qual a previsão para o futuro de crescimento ano após ano.

Ele também olharia para você sem saber ao que você se referia, pois o serviço de entrega de no máximo em dois dias (Amazon Prime) só nasceu em 2015.

Novamente, os dados não serviriam para olhar o futuro e fazer previsões. Afinal, eles só fazem sentido quando existem.

Agora vamos para uma situação menos bizarra, na qual os dados existam e possam apontar para algo no futuro, pelo menos em teoria.

Em 1980, a consultoria McKinsey & Company aconselhou a AT&T a não entrar no mercado de telefonia móvel, pois, em 2000, haveriam no máximo 1 milhão de celulares. A empresa errou e o número de celulares nessa época era de 100 milhões.

E a história só fica mais interessante daí em diante, pois as empresas Gartner, Forrester, McKinsey & Company e Jupiter fizeram previsões bienais sobre o crescimento dos telefones a partir de 2000 até 2010.

A cada dois anos, o conjunto dessas empresas previu um crescimento médio de celulares entre 10 e 16 por cento.

Todas as previsões se mostraram altamente insatisfatórias, pois nesses 10 anos, o número de aparelhos dobrou a cada biênio.

Novamente, os dados pouco ajudaram essas empresas a inferir algo certo sobre o futuro. E estou falando de companhias consagradas e faziam isso a décadas.

Por isso, volto a falar que dados servem muito bem para conseguirmos ver passado e, no máximo, o presente, mas nunca o futuro…

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