Qual a ação para comprar agora?

"Não há dica quente. Procure diversificar seus investimentos, pense no longo prazo, faça hedge contra seus próprios gastos.”

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Qual a ação para comprar agora?

“Vai cair uma grana pra mim. O que eu compro agora? Qual é a dica super quente para o momento?”

Essa talvez seja a pergunta que eu mais ouço hoje em dia. Em alguns círculos, ela pula antes mesmo do bom dia.

Note que o interlocutor não está muito preocupado com a construção integrada e intertemporal do seu patrimônio, com suas motivações e necessidades individuais, nem com o portfólio como um todo. Ele quer uma única dica. E não basta que ela seja quente; ela precisa ser super quente.

Com medo de me queimar, antes adotava a resposta politicamente correta. “Não há dica quente. Procure diversificar seus investimentos, pense no longo prazo, faça hedge contra seus próprios gastos.” Percebi com o tempo que isso não adiantava. As pessoas se frustravam com a minha resposta, me achavam um idiota – nisso elas estão cobertas de razão.

Saiam da conversa, entravam nos fóruns de ações por ai e logo compravam o próximo foguete pronto para disparar – se possível, com um empurrão de um termo, para alavancar os ganhos, claro.

Dejá-vú. Passei pela mesma situação várias vezes. Tentando evitar o desastre iminente, decidi inverter o procedimento. Vujá-dé. Diante de algo familiar, adotei outra perspectiva, com um novo método para endereçar um velho problema.

Agora, respondo de bate pronto. Descobri que quando você se dispõe a responder do jeito que o interlocutor gostaria, ele se empolga e nunca para na primeira pergunta. Dá a mão, quer o braço. Finjo de morto e uso a falta de noção do interlocutor contra ele mesmo. Só peço que leia até o final.

“Qual o melhor título de renda fixa?””

Se você não tem uma reserva de emergência, LFT (Tesouro Selic). Compre um belo naco disso. Se já tem a tal reserva, prefixados com vencimento em 2019/20 – de novo, voltou a ter muita gordura na curva.

“Qual a melhor ação?””

BOVA11.

“Ah, daí não vale. Você trapaceou. Fala outra, qualquer uma…”

SMLL11.

“Qual a melhor moeda?”

Dólar.

“Qual o melhor fundo imobiliário?”

BC Fund.

“Qual o melhor fundo de investimento?”

Verde, seguido de perto pelo Nimitz, ou pelo Raptor se você quer um pouco mais de vol.

“Qual a melhor gestora?”

SPX.

“Mas e entre os abertos?”

Não sei. Conheço pouco, quase nada. Posso dizer que sou cotista do Gauss. A Luciana que manja mesmo disso.

“Qual o melhor metal precioso?”

Ouro.

“Qual a melhor criptomoeda?”

Bitcoin.

“Mas alguma coisa que eu esqueci?”

Além da educação, que você esqueceu em casa, não. Agora lembre de todas as perguntas e que um dos maiores erros da pessoa física é a baixa diversificação. Compre cada uma das coisas que te falei e temos o início do que seria uma dica verdadeiramente quente: uma carteira diversificada. Monte as posições de cima para baixo: quanto mais em cima, maior deve ser sua exposição.

Mercados iniciam a semana demonstrando alguma cautela. Variações são moderadas, com a maior parte dos ativos perto do zero a zero. Persistem as dúvidas sobre a capacidade do governo aprovar a Previdência, enquanto não fica clara a reforma ministerial a ser impetrada por Michel Temer.

Em paralelo, há alguma preocupação no exterior, que mantém as bolsas no vermelho lá fora, diante de pressões e incertezas sobre a habilidade de Thereza May em tocar o Brexit. Ações do setor financeiro são destaque de baixa na Europa, enquanto commodities registram alta.

Agenda é fraca lá fora, sendo esperado apenas relatório mensal da Opep. Por aqui, relatório Focus, com variações marginais nas projeções, e balança comercial atraem atenção. Petrobras solta resultado à noite.

Ibovespa Futuro, dólar e juros futuros estão todos perto da estabilidade.

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