Ciclo de juros se aproxima do fim

Claro que riscos e aleatoriedades sempre vão existir, não paramos de alertar isso aqui na Empiricus. Mas podemos ainda estar diante de um cenário muito positivo, e de alto potencial de retorno para ativos brasileiros.

Ciclo de juros se aproxima do fim

Na noite de quarta feira o Banco Central decidiu reduzir a Selic em 100 bps para 8,25 por cento. No comunicado que saiu junto com a divulgação da Selic, eles já falam em redução gradual do passo, rumo ao final do ciclo.

Depois dessa gestão pegar uma economia com juros de 14,25 por cento e inflação de 9 por cento, o trabalho ortodoxo de condução da política monetária, – já vastamente estudado pela literatura, mas nem sempre praticado – de ancorar as expectativas e reduzir juros apenas quando possível pela conjuntura, deu certo.

Hoje rodamos com inflação em 2,5 por cento, e juros indo para 7 ou menos. A inflação implícita nos títulos do governo precifica um IPCA em torno da meta, mesmo para o futuro distante.

Isso é um trabalho bem feito.

Mas, a proximidade do final do ciclo não quer dizer que o jogo acabou, nem para os juros e nem para bolsa, pelo menos não agora.

No comunicado da decisão foram plantadas várias outras dicas a respeito dos próximos passos da política monetária que devem ainda impulsionar o mercado de juros para baixo, e consequentemente a bolsa para cima.

Primeiro, falaram em redução moderada do passo, ou seja, próxima cai para 75 bps. Depois, falaram em “redução gradual do ciclo”, ou seja, depois dos 75 deve cair para 50 bps.

Mas é importante notar que decisão e o comunicado não consideraram a surpresa para baixo do IPCA divulgado no mesmo dia da decisão. Só aí já temos um bom motivo para o BC e o mercado revisarem suas expectativas de inflação para baixo.

Mesmo com a informação defasada, o modelo do BC prevê inflação de 2018 em 4,4 por cento, se Selic chegar a 7 por cento no início de 2018. Mas, considerando que:

1- A meta para 2018 do CMN é 4,5

2- O IPCA de 2017 e 2018 deve ser revisado pelo BC e mercado pela surpresa do último dado (digamos que a projeção do modelo caia para 4,35).

3- 0,15 bps de inflação significa em torno de 50 bps de Selic

Juntando tudo isso, podemos dizer que para o modelo do BC chegar nos 4,5 de inflação para 2018, a Selic poderia cair até 6,5 por cento. Apesar de não ser o cenário básico do mercado, ainda, isso certamente pode acontecer.

O mercado precifica a Selic em torno de 7,25 até o final desse ano, subindo rápido durante 2018. Se estimássemos a Selic indo para 6,5 por cento, podemos encontrar ainda um espaço de queda de cerca de 100 bps para o meio da curva.

100 bps é ainda retorno pra burro! E ainda permite ganhos agressivos com os juros.

E se isso é bom para os juros, é muito bom pra bolsa!

Selic a 6,5 significaria bolsa nos 100 mil pontos no ano que vem. Não porque queremos, mas por fundamento macroeconômico de juros versus crescimento.

Claro que temos o risco eleição no meio de tudo isso. Mas com as notícias do feriado nas quais Palocci supostamente abriu o jogo sobre Lula ser o mandante do esquema de propinas, a sua candidatura segue perdendo força.

No cenário externo, a treasury mostrou mais quedas, com cenário de liquidez abundante prosseguindo, e notícias de inflação baixa atrapalhando os planos do Fed de antecipar altas de juros.

Seguimos no interregno benigno, que pode ser muito positivo para o nosso país.

Claro que riscos e aleatoriedades sempre vão existir, não paramos de alertar isso aqui na Empiricus. Mas podemos ainda estar diante de um cenário muito positivo, e de alto potencial de retorno para ativos brasileiros.

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