O nosso amor a gente inventa: e se o Brasil estiver crescendo 5% ao ano?

Em sendo o caso, teremos vários desdobramentos importantes para seus investimentos. O primeiro deles é que urge a compra de ações capazes de se beneficiar da expansão da economia doméstica.

O nosso amor a gente inventa: e se o Brasil estiver crescendo 5% ao ano?

Outro dia me disseram que o Itaú não gosta de mim. Era papo sério, mas não entendi direito. Ao olhar daqui, sempre achei que banco não tinha coração.

Perplexo com a prosopopeia, pensei que talvez fossem algumas pessoas empregadas pelo Itaú os haters.

Estou triste com meu amor não correspondido. Não é de hoje. Sou cliente do banco desde que nasci, 10 mil anos atrás. E elogio as ações de Itaú, recomendando fortemente aos leitores sua compra nesse mesmo intervalo de tempo. Também já classifiquei o Itaú algumas vezes como o melhor banco do Brasil, com alguma folga.

Uns dizem que a medida de amar é amar sem medida. Outros defendem que mesmo para a cegueira do amor há de ter limites.

Se alguns dos produtos financeiros oferecidos a clientes são caros e ruins, será escrito aqui, por mais incrível e criativo que pareça, que tais produtos financeiros são caros e ruins. Não há como fazer as qualidades transbordarem para além de si mesmas, escondendo os defeitos, embora nosso cérebro até tenha essa tendência de tomar atributos particulares e transpô-los para uma avaliação geral e irrestrita, no que foi batizado de halo effect – o behavioral economics está na moda.

Mesmo a Fernanda Lima tem seus defeitos e eu nutro quase certeza que um dia conseguiremos descobrir quais são.

Seria tão mais fácil se os bancos simplesmente passassem a oferecer um produto melhor e mais barato aos clientes…

Mas hoje estou aqui para falar sobre uma coisa boa do Itaú. E outra do Santander. Mais precisamente de duas boas ideias desse pessoal. Fique claro que elas não me pertencem. Aliás, eu acho que as boas ideias não deveriam pertencer a ninguém. Ou pertencer a todo mundo, como preferir. Mesmo quando a gente se acha original acaba descobrindo-se apenas ignorante mesmo. Muito provavelmente algum grego já falou a mesma coisa séculos atrás.

Por isso, permito-me replicar a ideia de outros, com o devido crédito. Portanto, não como uma apropriação do racional alheio, mas como uma homenagem e uma tentativa de propagar-lhe. Uma ode à boa pesquisa, seja ela de quem for. As tais ideias podem lhe ajudar a ganhar dinheiro e por isso estão aqui hoje.

Ontem, a área de research do Itaú BBA soltou relatório bastante interessante mostrando a possibilidade de fluxo de capital adicional para o Brasil. Com o rali dos ativos em 2017 e a atração de investimentos, ainda haveria espaço para atração de mais dinheiro?

De acordo com dados da consultoria EPFR Global, o Brasil responde hoje por apenas 0,8% do total mundial dos recursos de fundos de investimentos dedicados em ações. Esse é o menor patamar em dez anos e bem longe do recorde de 2,3% atingido em 2012. Considerando apenas mercados emergentes, o País representa 8,2% da alocação, contra o pico de 14% de 2012.

Ao longo dos últimos dez anos, o Brasil é o mercado emergente que mais perdeu participação em termos de alocação global, estando 49 pontos-base de sua média histórica para fundos globais e 325 pontos da média para fundos dedicados a mercados emergentes.

Talvez ainda mais interessante seja o fato de que a reversão à média em termos de alocação corresponderia a uma entrada de US$ 44 bilhões no mercado de ações brasileiro – só para se ter uma ideia do que isso pode provocar em termos de preço, a entrada de recursos na bolsa brasileira neste ano, marcado por grande valorização e liderança dos estrangeiros na ponta compradora, monta a US$ 4,6 bilhões.

Segundo a pesquisa, a subalocação em ações brasileiras não é uma exclusividade dos fundos estrangeiros, servindo também para fundos de pensão e investidores pessoas físicas locais. De acordo com o Itaú, a alocação dos fundos de pensão domésticos em ações brasileiras está na mínima histórica de 17,2%, devendo subir, a partir das projeções do banco, a 29,5% até o final de 2019, o que representaria outro fluxo adicional importante.

Em paralelo, as pessoas físicas também devem começar a comprar mais ações, posto que o número de investidores registrados no segmento Bovespa atingiu em agosto a marca de 590 mil, o mesmo número de 2013.

Tudo isso para dizer: ainda há muito fluxo para chegar à Bolsa brasileira. Evidentemente, o que chegar atrasado pagará mais caro.

Agora vamos ao Santander, mais precisamente a um texto de Sandro Mazerino Sobral, seu managing director – breve parêntese antes de continuar: este é um sujeito bastante inteligente que vale a pena ler sempre que puder. Sem o platonismo da academia; ideias vindas de um praticante, com skin in the game e tradição acertadora.

Ao final da semana passada, ele fez uma pergunta provocativa “Brasil: Estaria o País crescendo 5%?”

Sandro chama a atenção para as pesquisas do Santander, já há algum tempo apontando para um crescimento econômico mais acelerado – somente agora isso estaria sendo percebido pelo mercado.

O Santander tem uma ferramenta bacana para tentar inferir o ritmo de crescimento econômico batizado Monthly Economic Activity Diffusion Index, uma reunião de 45 indicadores, incluindo vendas, produção industrial, tráfego de rodovias, etc.

Para o mês de agosto, com 95% dos dados disponíveis, a difusão alcançou a marca de 58%. Para setembro, temos apenas 36% dos dados disponíveis, mas o índice pulou para 60%. De acordo com o time de pesquisa, a média móvel de três meses do indicador aponta um crescimento próximo a 5%.

Caso ainda não esteja claro, o Brasil pode estar crescendo muito mais do que todos contemplam. Primeiro você pega isso em anedóticos, depois em indicadores antecedentes. Somente então vai aparecer no PIB propriamente dito.

Em sendo o caso, teremos vários desdobramentos importantes para seus investimentos. O primeiro deles é que urge a compra de ações capazes de se beneficiar da expansão da economia doméstica.

Todos os nomes com beta alto à situação loca, como consumo & varejo (há gente falando em vendas mesmas lojas de 15% para Lojas Renner no terceiro tri), o pessoal com peg na indústria automotiva, mesmo indiretamente (Marcopolo, Randon, Iochpe) e até mesmo real estate, que ainda não é consenso, mas pode surpreender fortemente.

Max Bohm selecionou oportunidades muito interessantes de ganhos extraordinários com Microcaps – há uma nova recomendação quentíssima saindo do forno.

E o segundo talvez venha na forma de uma inflação implícita um pouco mais alta ao longo da curva de juros – fenômeno já começou principalmente depois do IPCA acima do esperado e pode se intensificar com sinais mais contundentes de crescimento econômico. Mercado vai cobrar a conta e como a inclinação da curva está na máxima histórica, isso pode vir por meio de um aumento da inflação implícita.

Depois de uma segunda-feira mais tensa, mercados retomam o otimismo nesta manhã. Clima lá fora é mais calmo e dólar recua contra principais moedas após sequência de altas, com receio de que plano fiscal de Donald Trump não seja aprovado no Senado.

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