Demorou, mas agora é para sempre

Tive meu primeiro contato com o conceito de investimentos ESG, socialmente responsáveis, uns quinze anos atrás. O Scheinkman veio ao Brasil falar sobre isso, deu uma aula brilhante (como de praxe), e eu tive a sorte de estar na audiência.
Demorou, mas agora é para sempre

Tive meu primeiro contato com o conceito de investimentos ESG, socialmente responsáveis, uns quinze anos atrás.

O Scheinkman veio ao Brasil falar sobre isso, deu uma aula brilhante (como de praxe), e eu tive a sorte de estar na audiência.

Pela primeira vez, saquei que algumas pessoas e fundos não comprariam de forma alguma ações da Souza Cruz, a despeito de um free cash flow yield bizarramente elevado.

Fiquei pensando um bom tempo nisso.

E o que aconteceu nesses últimos quinze anos? 

Nada. Nada realmente relevante.

Se "nothing is stronger than an idea whose time has come", nada é mais fraco também do que uma excelente ideia que ainda não encontrou o seu tempo certo.

Acho que foi o que aconteceu com o ESG de décadas atrás. Genial, mas estávamos socialmente e financeiramente despreparados ainda para compreender o tema com o rigor que merecia. 

Felizmente, não é mais o caso. Investimentos responsáveis voltaram com tudo agora, e devidamente lastreados em prêmios justos de retorno.

Ninguém investe em Natura ou Ambipar pra fazer imagem de bonzinho; o negócio dá dinheiro PORQUE é do bem. É um negócio do bem, fundado por pessoas do bem, com colaboradores do bem. Isso atrai um goodwill para com todos os stakeholders, e acaba gerando externalidades largamente positivas. É a governança em seu sentido mais puro e completo.

A rigor, esse fenômeno ocorrido com o ESG, de um aparente sucesso tardio, é bastante comum e documentado. Não é motivo de vergonha.

Roy Amara foi feliz ao explicitar aquilo que é hoje conhecido como Amara's Law: superestimamos o impacto de inovações no curto prazo (ficamos empolgados com novas ideias) e, depois de uma ressaca, acabamos subestimando o impacto de longo prazo.

Vale para produtividade tecnológica e vale também para conceitos disruptivos em finanças, como no caso do ESG.

Aliás, se você gosta de pensar sobre inovação e tecnologia, deixo aqui dois desafios de pauta para os meus amigos do podcast Tela Azul.

(i) trazer exemplos variados da Lei de Amara.

(ii) discutir referências de ESG dentro do ecossistema tecnológico, que anda sendo bombardeado por dilemas sociais.

Pra terminar por hoje, deixo aqui um exercício para todos os investidores de bem que nos leem: olhe para cada ativo da sua carteira sob a lupa do ESG; sem forçar a barra, qual proporção do portfólio se enquadra na categoria?