O que eu desejo pra você de Natal

Neste Natal, desejo que você encontre você mesmo. O que me permite uma dose de alívio é saber que no geral, fizemos nossos clientes ganharem dinheiro e se tornarem melhores investidores.

Compartilhe:
O que eu desejo pra você de Natal

Mamãe pede para que eu sente na ponta da mesa na ceia de Natal. Há algo que me impede. Não sei explicar. Tem alguma coisa com lealdade.

Ali era o lugar do papai, naquela mesma mesa longa e retangular, de mármore, bonita. Eu não estou à altura. “Prefiro ficar assim de frente, mãe, a senhora se incomoda muito?”

Acho que se incomoda, mas disfarça. Quer que eu acredite que ela não sente a falta dele. Talvez, na cabeça dela, eu, sentando no lugar antes ocupado pelo Ramiro, pudesse preencher o vazio ali instalado há pouco mais de sete anos. Pode ter chegado o momento de superar o luto.

Eu, por outro lado, tenho a esperança vil de que, deixando a cadeira vaga, ele resolva aparecer. Mesmo que fosse para rezar uma daquelas constrangedoras ave-marias, que começavam abastecidas com Red Label e terminavam cheias de graça.

Carrego um desejo íntimo de que pudesse voltar a um daqueles natais com a casa cheia de primos e tios, em que ainda tinha um sorriso doce e desprovido de responsabilidades, quando tudo que importava eram a partida de FIFA Soccer no Mega Drive e a abertura dos presentes – será que eu ganhei aquela chuteira que tanto queria?

Tínhamos pouco dinheiro. Nunca faltou nada também. Não dá pra bancar o desfavorecido que passou dificuldade. Tínhamos o suficiente e éramos felizes, muito felizes, pois ali tinha amor e alegria compartilhada entre pessoas especiais, almas que tinham sua própria conexão.

Hoje o Natal é bem mais triste. Uma mistura de nostalgia com vontade de voltar para um lugar que não existe mais.

Desta vez, vamos para Senhora do Porto. Eu, minha mãe, Lorenzo (o fiel escudeiro do JP, filho da Solange que trabalha lá em casa e meu afilhado) e, claro, o João Pedro. Esse último é que consegue me levar para um Natal um pouco menos triste. Mesmo que haja algo aqui dentro impreenchível, ele serve para dar algum sentido a isso tudo. Na sua presença, o pai finge que está tudo bem e, ao melhor estilo Clarice Lispector, acaba se transformando naquele “bem” que ele mesmo dissera estar há poucos minutos.

O Natal é sobre o começo da vida. Pra mim, é sobre o amor, a coisa mais importante que há dentro da gente. Eu vou para o interior de Minas atrás do que tenho de mais íntimo.

É isto que desejo pra você neste momento: que você encontre você mesmo. E que nesse encontro o espírito de Natal possa renovar seu coração com um pouco de amor. Nada mais importa. O dinheiro…ah, isso vem.

Foi um ano duríssimo. Eu briguei no evento do Credit Suisse, fui processado pelos bancos, tive meu CNPI suspenso, recebi críticas justas e injustas na imprensa, tendo uma exposição que eu jamais imaginei, precisando explicar coisas inexplicáveis pro João Pedro (eu posso te dizer: é bem constrangedor), enfrentei problemas de uma empresa que já não é mais uma borracharia, errei várias recomendações, fui até preso em Nova York (segundo a criatividade de um jornalista petista, óbvio), quis matar o Joesley, critiquei nos outros coisas que eu mesmo fiz e ainda faço, fui injusto com sócios e funcionários, perdi a paciência e a educação várias vezes, achei que não ia dar, quase surtei, surtei, tive muita insônia, fiquei doente.

Errei lote e peço desculpas.

Mas também não reclamo de nada. Parto para alguns dias de folga com a certeza de que cumprimos nosso dever.

No geral, fizemos nossos clientes ganharem dinheiro e se tornarem melhores investidores. Alçamos a pessoa física a uma condição que possivelmente nem ela mesma pudesse se ver, em pé de igualdade com os profissionais e os multimilionários.

Mais do que isso, porém, tudo foi feito com muito amor. Isso é vocação, sabe? E é isso que permite uma dose de alívio.

Preparamos algumas surpresas logo para o início de 2018. Estamos apenas (re)começando. Day One sempre.

Obrigado a você, leitor, meu único juiz, por ter estado conosco por mais um ano, a todo momento. Espero poder retribuir tanto carinho e confiança, que eu sequer acho digno de merecer.

Nada pode estar acima do amor. Não há como rivalizar, pertencer ao mesmo texto. Por isso, não falei de investimentos hoje. Deixei abaixo um vídeo em que trato das ameaças e das oportunidades para seu dinheiro em 2018 – sem dúvida, é um assunto muito mais frívolo, mas ainda assim importante.

Boas festas.