As dez surpresas de Byron para 2018

O vice-presidente da Blackstone, com 385 bilhões de dólares sob gestão, acaba de divulgar sua versão mais recente: “Dez surpresas para 2018”.

Compartilhe:
As dez surpresas de Byron para 2018

Todos os anos, desde 1986, enquanto nós comemos lentilhas e fazemos promessas que não vamos cumprir, Byron Wien prepara uma lista muito esperada pelo mercado. O vice-presidente da Blackstone, com 385 bilhões de dólares sob gestão, acaba de divulgar sua versão mais recente: “Dez surpresas para 2018”.

O que Byron chama de surpresas são eventos aos quais o investidor comum atribuiria 33% de chance de acontecer, mas que ele considera ter mais de 50% de probabilidade de se realizarem. Abaixo um resumo das surpresas para 2018, na visão do megainvestidor, em tradução livre:

1. A China decide que uma capacidade nuclear em mãos de um líder imprevisível em sua fronteira não é tolerável e corta todo o combustível e suprimento de comida para a Coreia do Norte, que concorda em suspender seu programa de desenvolvimento nuclear, mas não desiste de seu arsenal já montado.

2. Populismo, tribalismo e anarquia se espalham pelo mundo. No Reino Unido, Jeremy Corbyn será o próximo primeiro-ministro. Mesmo com a ação repressiva do governo espanhol, a Catalunha permanece turbulenta. Apesar dos efeitos econômicos adversos do Brexit, a consequência positiva não intencional é aproximar a Europa de mais cooperação e crescimento.

3. O dólar finalmente ganha vida. O crescimento real excede 3% nos EUA, o que, combinado com a implementação de alguns componentes da agenda pró-negócios de Trump, renova o interesse do investidor em ter ativos denominados em dólar. O euro cai para 1,10 e o iene para 120 contra o dólar.

4. A economia americana tem um ano melhor do que o de 2017, mas a especulação alcança um extremo e, por fim, o S&P 500 tem uma correção de 10%. O índice cai para 2.300 pontos, parcialmente por causa de taxas de juros mais altas, mas termina o ano acima de 3.000, já que os ganhos vão continuar a se expandir e o crescimento econômico apontará para 4%.

5. O preço do West Texas Intermediate Crude (contrato futuro de petróleo) vai superar 80 dólares. O preço vai subir por causa do crescimento global continuado e da demanda inesperada dos países em desenvolvimento, juntamente com estoques reduzidos, disciplina da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e aumentos de produção modestos na Rússia, Nigéria, Venezuela, Iraque e Irã.

6. A inflação se torna uma questão preocupante. O crescimento global continuado põe pressão nos preços das commodities. Mercados de trabalho apertados em países industrializados resultam em aumentos salariais. Nos EUA, o Índice de Preços ao Consumidor vai acima de 3%.

7. Com a inflação mais alta, os juros começam a subir. O Federal Reserve aumenta os juros de curto prazo quatro vezes em 2018 e os títulos para 10 anos movem-se para 4%, mas o Fed reduz seu balanço apenas modestamente por causa do impacto potencial nos mercados financeiros.

8. O Nafta e o Pacto com o Irã perduram, apesar dos esforços contrários de Trump. O presidente começa a pensar que não assinar a Parceria Transpacífico foi um erro ao ver o crescimento da influência chinesa no mundo e pressiona por mais acordos bilaterais de comércio na Ásia.

9. Os Republicanos perdem o controle do Senado e da Câmara dos Deputados nas eleições de novembro. Eleitores sentem-se decepcionados de que muitas promessas feitas durante a campanha presidencial não foram implementadas e há uma crescente reação negativa aos Tweets sem fim do presidente. A eleição se transforma em um referendo sobre a presidência de Trump.

10. Xi Jinping, tendo ampliado sua autoridade no 19º Congresso do Partido Comunista em outubro, foca nos problemas de crédito da China e decide limitar os empréstimos mesmo que isso signifique reduzir o ritmo da economia e criar menos empregos. O crescimento chinês cai para 5,5%, com apenas pequenas implicações para o crescimento global. Xi proclama que essa medida vai garantir a sustentabilidade chinesa no longo prazo.

No mínimo curioso o nível de detalhamento da bola de cristal de Byron. Ele próprio revisa ano a ano suas previsões anteriores – para 2017, o vice-presidente da Blackstone contou seis acertos em dez.

A lista do ano passado foi feliz, por exemplo, em apontar que o S&P iria além (ainda que Byron tenha subestimado tal alta, ao fincar 2.500 pontos para o índice), com investidores convencidos de que a economia americana teria engatado um crescimento de longo prazo, e que o mercado japonês se provaria um bom lugar para alocar recursos.

Por outro lado, a surpresa da inflação americana movendo-se para 3%, pressionando os juros pagos pelos títulos americanos de dez anos para 4%, não se efetivou – a inflação ficou abaixo da meta, em 2%, e os juros em 2,4%. A surpresa do fortalecimento do dólar ante o euro e o iene também não veio.

Seja como for, somos talebianos, não byronianos, e o autor do Cisne Negro nos lembra de que nunca conheceremos o desconhecido pois, por definição, ele é desconhecido – simples assim.

Nassim Taleb afirma, entretanto, que sempre podemos tentar adivinhar como o desconhecido irá nos afetar e basear nossas decisões em torno disso. “Não sei quais são as chances de acontecer um terremoto, mas posso imaginar como San Francisco poderia ser afetada por um terremoto” – escreve.

Proponho então um exercício: se algum dos itens da lista acima, cujas probabilidades você não pode estimar, acontecer, você corre o risco de perder uma parcela importante do seu patrimônio? Se sim, é hora de aprender a usar proteções e a ajustar a fatia do seu portfólio alocada em risco.

Como um bom talebiano, o Felipe pode ajudar você com isso na Carteira Empiricus, um portfólio com histórico de altos retornos sem descuidar da preservação de capital.

Alheia às surpresas de Byron, a Bolsa brasileira segue em alta neste começo de ano de olho na proximidade do julgamento que pode afastar Lula definitivamente da cédula eleitoral. Petrobras ajudou com a oitava alta do ano do Ibovespa, ao propor um acordo em ação coletiva de investidores estrangeiros por corrupção em valor mais baixo do que os analistas esperavam.

Hoje o otimismo local tem, entretanto, um contraponto externo: a ata divulgada pelo Fed, com uma sinalização mais dura do que o mercado esperava para a política monetária. Mais detalhes abaixo com a Marilia.

A agenda local de indicadores tem apenas as vendas de veículos em dezembro. De fora, a expectativa recai sobre dados de estoque de petróleo e de emprego, com números de auxílio-desemprego e geração de vagas da ADP, empresa que processa folhas de pagamento.

O Ibovespa Futuro abre em alta de 0,34%, dólar cair um pouco contra o real e os juros futuros começam o dia em leve alta.

Leia mais: Fed discute impactos tributários em última reunião de 2017