Empiricus Corretora: o que você acha?

Felipe Miranda quer saber a opinião dos leitores sobre esse potencial movimento. A Empiricus deve continuar como uma publicadora de conteúdos financeiros ou avançar como a Corretora Empiricus? Participe!

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Empiricus Corretora: o que você acha?

Desde a divulgação da nota de Lauro Jardim de que a Empiricus estuda montar ou comprar uma corretora, estou sendo bombardeado com perguntas sobre a veracidade da informação. “É verdade mesmo?”, “Fato ou boato?”, “Isso já está fechado?”, “Posso trabalhar na mesa?”.

Pensei na forma mais adequada de tratar do assunto, não consegui escapar ao caminho da radical transparência. Mais do que tratar abertamente da possibilidade, concluí que só há um jeito para eventualmente avançarmos (ou não) nessa direção: ouvir a opinião de nossos leitores e assinantes.

No fundo, é a única coisa que nos importa, verdadeiramente. Há muito tempo deixou de ser pelo dinheiro. Também não é pela reputação, que serve somente aos escravos. É pelo assinante. Tudo e só isso. Day One, Bezos, Amazon, obsessão com o cliente. Não é um argumento retórico ou uma expressão de efeito. É uma vocação, um chamado contra o qual você simplesmente não consegue se desviar, entende? Você não pode, nem consegue trair a sua alma – ela vai se vingar de você; pode apostar.

Sempre mantive uma conversa de via dupla com o leitor, em que procurava mais ouvir do que falar (mais precisamente no caso, escrever). Talvez alguns dirão que tratar publicamente de decisões estratégicas pode se voltar contra a própria Empiricus. Os concorrentes podem se mexer antecipadamente, o establishment pode se movimentar para pautar a imprensa aventando as mais esdrúxulas suposições contra a Empresa, as entidades de classe possivelmente pressionem o regulador.

Às favas com tudo isso. Estamos de farda preta há muito tempo. Não há alternativa a quem se dispõe a combater o tipo de combate em que estamos.

Eu gostaria de ouvir a sua opinião sobre esse potencial movimento. Mais do que gostaria. Eu preciso ouvir a sua opinião. É verdadeiramente ela quem vai definir se continuamos exclusivamente como uma publicadora de conteúdos financeiros ou se avançamos também para uma corretora.

O texto de hoje se presta a isso. Antes de abrir para a pesquisa propriamente dita, deixe-me expor o racional da coisa, com as vantagens e desvantagens que o movimento enseja e o porquê de sua participação neste processo ser tão decisiva.

A primeira coisa que precisa estar clara: neste momento, não há, mesmo, absolutamente nada de concreto sobre o tema. Nem acordo fechado, nem negociação formal, nem sequer decisão tomada.

No entanto, existe, sim, uma discussão, talvez arriscaria dizer uma vontade, interna sobre essa possibilidade. Resumidamente, ela existe por um único motivo: entendemos que pode ser bom para nosso assinante. Mais do que isso, incorrendo aqui no risco de soar arrogante (desculpem-me se escorrego para o campo do exagero quando atropelado por uma paixão avassaladora), entendemos que pode ser bom para todo o mercado de capitais brasileiro.

Se você olhar para o mercado brasileiro de plataformas de investimento, e eu vou me referir a elas como corretoras para ser mais didático (com a contrapartida de ser um pouco impreciso), encontra um verdadeiro vácuo hoje.

De uma forma geral, o sistema financeiro brasileiro é dominado por um oligopólio, representado por cinco grandes bancos. E todos nós conhecemos as consequências de um oligopólio. Margens extraordinariamente altas para as empresas, em detrimento do consumidor, que vê todo seu excedente ser incorporado pelos bancos sob a forma de produtos caríssimos e muito ruins.

Acho que não precisamos perder muito tempo nisso. Já é um papo clichê. Vamos falar das corretoras independentes, dando àquelas apenas parcialmente independentes o benefício da dúvida – não há por que sermos tão rigorosos na análise, não é mesmo?

No universo das corretoras chamadas independentes, há um grande player. Os demais estão a anos-luz de distância. De novo, quando temos somente um grande player, caímos no velho problema do monopólio – desnecessário explicar. Taxas altas, falta de transparência, produtos medíocres.

Mas mesmo se não enxergamos a situação dessa forma, como são hoje os modelos das corretoras?

Em linhas gerais, há dois grupos. De um lado, temos o principal player – e devemos reconhecer: muito à frente, merecidamente, dos demais. Analisando seu modelo de negócio, posso lhe dizer com alguma convicção de que, sem mudanças estruturais e fundamentais, ele está fadado a morrer em alguns anos. É a Kodak, com as belezas e as mazelas que isso representa.

Afirmo isso porque o modelo é montado, desde a largada, sob o conflito de interesse. E como diria Dan Ariely, se o homem se depara com o conflito, uma hora ele vai cair, cedo ou tarde. Isso corrompe tudo.

A maior corretora do Brasil não é uma plataforma digital, nem uma fintech. Todo seu crescimento está pautado na estrutura de agentes autônomos, que, por construção, são seres conflitados. Eu acredito na competência e nas boas intenções de todos eles. Não é um problema da classe. É da natureza humana.

O agente autônomo é basicamente um vendedor. Ele é a ponte entre o cliente e a execução, um mecanismo para trazer clientes e prospects para a corretora. Note que a regulação veda ao agente autônomo dar recomendar ou dar consultoria, função que, como sugere a etimologia, pertence ao consultor.

Mas o que acaba fazendo na prática boa parte dos agentes autônomos? Recomendações e consultoria. Como ele recebe comissões pela venda de produtos, é natural que vá empurrar ao cliente os produtos que impliquem maiores taxas e rebates para si mesmo. É como perguntar ao vendedor da Zara se você está linda naquela nova calça magenta que você acaba de comprar. Você está, ok. Mas ele diria se você não estivesse?

Note que não é algo marginal, um detalhe do processo. É a essência do negócio, a forma como foi estruturalmente montado. Nunca foi pensado no cliente. Foi originado para extrair o máximo que der do investidor, para aumentar a margem da corretora e do agente autônomo. É a natureza da coisa. A alma do negócio está subvertida. A empresa primeiro, o cliente depois.

Como coisas não essenciais mas ainda importantes, temos aqui um research pouco desenvolvido e uma qualidade aquém do top notch em wealth management, coisas que são essenciais para o acompanhamento do investidor a longo prazo.

Do outro lado, temos iniciativas querendo crescer e roubar market share do líder de mercado. Primeiro ponto aqui: todas elas são pequenas demais ainda. Segundo: muitos também caem na tentação do agente autônomo, que é um jeito simples e rápido de crescer no curto prazo, principalmente agora com a fuga de alguns do líder. Terceiro: se não incorrem no ponto 2, acabam se tornando plataformas self-direct em que o investidor, sem nenhuma orientação, acaba tendo de se virar sozinho, muitas vezes sem saber o que fazer.

Resumidamente, portanto, há um vácuo a ser preenchido. E é por isso que queremos fazer a primeira corretora focada no cliente do Brasil. Uma plataforma de investimentos que, obviamente, pretende ganhar dinheiro, sim. Mas com taxas baixas, honestas, sem precisar arrancar o couro do investidor simplesmente por conta da falta de alternativas por aí. Uma instituição montada a partir dos mais sólidos e irrevogáveis preceitos da transparência, em que toda a remuneração da corretora é mostrada ao cliente, que merece e precisa saber tudo que está pagando. Um modelo de negócios não conflitado, sem que nenhuma indicação, recomendação, sugestão, inclinação ao cliente implica maior ou menor remuneração – ao cliente será dada a recomendação que se acha a melhor; podemos errar ou acertar por isso, mas jamais podemos ganhar mais ou menos com uma ou outra.

Sabemos também que o tempo é hoje talvez o recurso mais escasso do investidor. As mulheres são verdadeiras heroínas com suas jornadas duplas, triplas, carpadas e multitarefas. Os homens são piores mesmo, mas ainda assim também não têm muito tempo. Precisamos dar praticidade ao investidor, garantir que ele consiga implementar todas as nossas recomendações com um click, sem que, para isso, precise voltar de novo ao corrompido sistema para operacionalizá-la.

Quando fundamos a Empiricus há oito anos, demos a nós mesmos a missão de mudar o cenário para o investidor pessoa física no Brasil, tão maltratado por uma indústria que, em vez de ter sido montada a favor do cliente, que apenas arrancar-lhe até o último centavo. Com ajuda de muita sorte, pudemos fazer um pouquinho nesse sentido, contribuindo, mesmo que apenas no campo das ideias, para que 180 mil assinantes pudessem estar em contatos com boas recomendações de investimento – boas aqui não no sentido necessariamente de acertadoras, pois ao bom analista também pertence o erro, mas no sentido de feitas com a mais intocável vontade de acertar, sem qualquer outra motivação, taxa ou rebate.

Temos percebido, porém, que se você realmente pretende mudar a realidade do investidor pessoa física no Brasil, você precisa oferecer-lhe internamente toda a solução, integrada do início ao fim, o que obviamente envolve uma plataforma de execução. Se uma laranja fica boa o tempo todo e entra por alguns segundos em contato com uma fruta podre, ela fica podre. Em toda a sua jornada, o investidor não pode qualquer exposição à possibilidade de voltar a ser corrompido pelo sistema.

A Apple fez o iPod e o iTunes. A Amazon tem o Kindle, o Prime e a compra de livros. São esses caras que mudam o mundo. Se você quer ver um milagre, seja o milagre.

Uma das citações de que Steve Jobs mais gostava era de Jack Kerouac: “Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam.”

É isso que nos motiva a pensar sobre esse novo passo. Fique claro desde o início: isso só vai acontecer se conseguirmos chegar a um modelo de negócios e a uma estrutura que preserve por completo a independência editorial da Empiricus, sem qualquer conflito de interesse. É uma decisão ética, sim. Mas não só isso. Ela é também financeira. É a publicadora de conteúdo que paga essa brincadeira toda – e não podemos colocar em risco de forma alguma a galinha dos ovos de ouro.

Obviamente, se viermos a enveredar por ai e o assinante/leitor atual quiser continuar implementando suas recomendações dentro do “sistema”, ele poderá fazê-lo sem problema algum. Respeito total às liberdades individuais. Queremos apenas dar uma nova opção.

Nada, porém, será feito sem o seu consentimento. Por isso, hoje eu pergunto – e peço gentilmente para que você participe e nos ajude a decidir: você acha que a Empiricus deveria montar/comprar uma corretora? Este é o link para a pesquisa (muuuuuito rápido, menos de três segundos): https://goo.gl/forms/IRoqhgITHFRJaWXB2

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