Sou bandido, sou mocinho, eu sou bang, bang, bang

O que nos fará ganhar muito dinheiro nos próximos anos ou o que fará o mercado brasileiro progredir muito? Há uma visão típica de que o egoísmo e o altruísmo não são, necessariamente, uma mesma coisa. Mas eles são, sim, a mesma coisa no contexto que realmente importa.

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Sou bandido, sou mocinho, eu sou bang, bang, bang

Nesta terça-feira, esta newsletter será escrita por Rodolfo Amstalden. Aqueles três leitores assíduos deste espaço mereciam já há algum tempo este upgrade. Rodolfo voltará na quinta, quando eu, Felipe, estarei em Porto Alegre participando do “Brasil de Ideias” em painel com meu brilhante amigo Marcos Troyjo.

Apreciem sem moderação.

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Com 7,6 bilhões de população mundial, esquecemo-nos que a espécie humana evoluiu como grupos restritos de primatas.

Nossas primeiras comunidades eram contabilizadas na casa das dezenas e, depois, na casa das poucas centenas.

Nada de milhares, milhões ou bilhões.

Talvez esse histórico explique o limitado número de pessoas com as quais conseguimos nos relacionar (verdadeiramente), mesmo num novo contexto de redes sociais.

E explica também a impossibilidade de antever um futuro que se torna crescentemente complexo.

Eu mesmo não conto mais do que uma dúzia de amigos.

E não tenho ideia de como será a conferência “Visão 2035” que o BNDES realiza no Rio nesta terça, talvez para já provisionar os próximos 17 anos de PLR.

Ainda assim, um candidato a 13º amigo insistiu em perguntar:

– O que nos fará ganhar dinheiro nos próximos anos?

– O que fará o mercado brasileiro progredir para os padrões desenvolvidos?

Meu lado de trader egoísta diria simplesmente: “Cara, estou cagando para o que vai fazer o mercado progredir, só quero ganhar o meu dinheiro!”.

Já o filantropo altruísta em mim responderia, indignado: “Prefiro abdicar de rendimentos privados para fazer deste um mundo melhor para todos”.

Se você é trader e quer ganhar algum dinheiro, o egoísmo é capaz de servi-lo perfeitamente bem, num banquete chucro e solitário.

Já se você é filantropo e sonha em gerar alguma melhora para o mundo, isso provavelmente exigirá algum sacrifício pessoal e muitos jantares inteligentinhos.

Logo, há uma visão típica de que o egoísmo e o altruísmo não são, necessariamente, uma mesma coisa.

Mas eles são, sim, a mesma coisa no contexto que realmente importa.

Para entender melhor esse ponto de convergência, vamos alterar marginalmente as duas perguntas acima.

– O que nos fará ganhar MUITO dinheiro nos próximos anos?

– O que fará o mercado brasileiro progredir MUITO?

Promovida a alteração, não há mais trade-off sensível entre as respostas. Egoístas e altruístas tornam-se um só bandido-mocinho.

A causa que lhe fará ganhar MUITO dinheiro daqui até 2035 é, provavelmente, a mesma que fará o mercado local progredir MUITO.

Estamos todos de carona num grande barco sistêmico, que acaba de levantar âncora e logo navegará sem a ajuda de um prático.

Por ora, entretanto, carecemos de assistência para manobrar neste trecho perigosamente próximo à costa.

Como ontem, o exterior hoje inspira alguma cautela. Minério de ferro volta a ceder. Europa meio de lado e futuros de Nova York caem.

Trump usa sua propriedade intelectual para ameaçar novas tarifas a produtos chineses. A China responde que não há vencedores em guerra comercial e mostra inclusive vontade de cortar tarifas de importação. Os mocinhos são bandidos, e vice-versa.

Por aqui, STF tem encontro para debater prisão em segunda instância, com implicações para Luiz Inácio e outros tantos com anel de doutor.

Após jogar seu dado de dez faces, o oráculo de Eurasia vê 80% de chances de Lula ser inelegível, que talvez seja o mesmo que 20% de elegibilidade.

Eduardo Guardia quer ser ministro da Fazenda se e quando Meirelles deixar a pasta. Eventualmente, trocaremos nossos Márcios Ovollands pelos verdadeiros guardiões do Tesouro Nacional, progredindo rumo ao desenvolvimento.

Acontece que Eternit ajuizou pedido de recuperação judicial na comarca de São Paulo. Isso me fez lembrar, com certo saudosismo, do seguinte argumento de mercado, ainda em meu início de carreira:

“Meu, deixa eu te ensinar uma coisa, não sei se você é capaz de entender, mas vamos lá: Eternit não tem exposure a crisotila (era proibido falar em amianto). Quando a empresa quiser, aperta um botão e começa a vender 100% em telha de concreto e louça sanitária. Capisce?”.

No Canadá, 40 empresas que iniciaram suas atividades em mineração, petróleo ou gás hoje apostam na maconha.

Se maconha não é sua praia e você também não gosta deste bang, bang, bang, sugiro uma aposta firme na SuperRentabilidade de minha amiga Luciana Seabra, que só ensina coisas que todos nós somos capazes de entender.