Me diz o que quero ouvir

O mundo todo quer saber com que perfil Jerome Powell tocará o maior banco central do mundo. E o impacto que isso pode gerar nos países.

Compartilhe:
Enviar link para o meu e-mail
Me diz o que quero ouvir

Ontem, o futuro presidente do Fed, Jerome Powell, foi sabatinado pelo Senado americano. Este evento foi importante para os mercados internacionais, uma vez que foi a primeira vez que ele teve espaço para se pronunciar com o chapéu de autoridade monetária.

O mundo todo quer saber com que perfil ele tocará o maior banco central do mundo. E o impacto que isso pode gerar nos países.

Durante a sabatina no Senado, Powell deu a entender que o perfil dele é muito parecido com o da sua antecessora, a dovish Janet Yellen.

Gradualismo foi uma expressão repetida diversas vezes. Para ele, os juros devem continuar subindo de forma gradativa, e esta postura utilizada até então tem sido positiva. Ficou parecendo que não há medo de aceleração da inflação por lá, e caso isso venha a acontecer, terá a reação condizente.

Segundo Powell, a alta de juros de dezembro parece propícia, mas isso já está 93% precificado pelo mercado, ou seja, não é nenhuma novidade e não causa nenhum temor.

Há uma preocupação do futuro presidente com a sustentabilidade de longo prazo da dívida americana, mas Powell evitou dar mais detalhes de sua opinião a respeito de como o projeto de redução de impostos de Trump poderia impactar essa dívida.

Trump, por sua vez, marcou mais um gol. O plano de reforma fiscal passou pela Comissão de Orçamento do Senado e deve seguir para o plenário hoje.

Tudo isso fez com que Bolsas americanas subissem cerca de 1%, levando as Bolsas mundiais junto. A Treasury caiu um pouco, e junto com ela nossos DIs foram também. As moedas emergentes também se valorizaram, incluindo o real, que se valorizou cerca de 0,40%.

Ou seja, o novo presidente do Fed é música para os ouvidos do mercado. Disse tudo o que eles queriam.

E se é bom para eles, é bom para nós também.

Leia mais: 8 ou 80

Seguimos no interregno benigno externo, e isso nos dá um pouco mais de tempo para fazermos a nossa lição de casa.

Enquanto o real se mantém comportado, a inflação brasileira segue positiva, com serviços ainda em trajetória de queda, e alimentos ainda baixo para níveis históricos.

A inflação mais baixa permite juros baixos por um longo período de tempo, o que, por sua vez, ajuda as ações na Bolsa, os títulos de crédito privado e os fundos imobiliários.
Tudo isso seria coroado se conseguíssemos finalmente passar a reforma da Previdência na Câmara.

As notícias desta quarta já contemplam essa possibilidade.

Segundo fontes, o governo precisaria de mais 50 votos para passar a reforma com alguma margem, mas ainda tem espaço para consegui-los em partidos que já apoiam a proposta, como o PSDB.

A votação é esperada para os dias 6 ou 13 de dezembro, caso o governo consiga arregimentar os votos necessários.

Seria uma mudança enorme no jogo, e o mercado iria responder muito positivamente a isso.

O Ibovespa Futuro sobe 0,1%, o real valoriza 0,2% e os juros futuros caem 2 pontos base.

Este fim de ano promete!

Conteúdo recomendado