As três lições de Jordan

A diferença entre jogadores comuns e as lendas é que as lendas acertam mais vezes e só erram quando podem. Leve isso para seus investimentos.

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As três lições de Jordan

Esses dias, enquanto brincava pelo YouTube, assisti a um vídeo com os três últimos minutos do sexto (e último) jogo das finais da NBA de 1998. Vi esse jogo ao vivo e me lembrava de como Michael Jordan foi cirúrgico e praticamente perfeito.

Nos primeiros minutos, uma “decepção”. Jordan erra os dois primeiros arremessos de quadra e, mesmo tendo acertado dois lances livres e roubado uma bola, desperta o comentário de que “até mesmo o Superman fica cansado” do narrador americano – com 35 anos, Jordan ficou em quadra praticamente o jogo todo (44 minutos no total).

Dei uma olhada nos números da partida: 15 acertos em 35 arremessos – 43%, bem abaixo de sua média e do que pode ser considerado um baita jogo.

Seguindo com o vídeo, Jordan começa a fazer justiça à sua lenda – acerta mais dois lances livres e mete os dois arremessos finais da partida, entre eles, mais uma roubada de bola. Os Bulls vencem o jogo, 87 a 86, e levam a série. O sexto título do mito.

Nesses três minutos de jogo (quase 14 de vídeo), Jordan arremessou quatro vezes, acertou duas, meteu quatro de quatro lances livres, roubou duas bolas e pegou um rebote. Fez os oito últimos pontos dos Bulls e os quatro últimos do jogo.

Mas começou errando dois arremessos.

Há três lições importantes na história.

A primeira: sua memória, provavelmente, vai te trair. “Não vou contar a história como aconteceu, vou contá-la como me lembro”, diria Finn, no clássico de Dickens.

Do mesmo jeito que eu achava que Jordan não tinha errado nada há 20 anos, você provavelmente não vai se lembrar exatamente como e por que comprou um ativo depois de um certo tempo. Anote suas teses, revisite-as de tempos em tempos e veja se faz sentido manter a posição.

Confronte suas teses com o que aconteceu na realidade e mantenha um histórico de erros e acertos.

A segunda lição: todo mundo erra. Bastante. Até o Jordan.

Pelé teve vários jogos ruins na vida e, mesmo em seus grandes jogos, errou passes e, desconfio, furou algumas bolas.

A diferença entre jogadores comuns e as lendas é que as lendas acertam mais vezes e só erram quando podem. Em momentos decisivos esses caras brilham – os americanos têm até um termo para isso: “clutch player”.

Além disso, os grandes não se abalam com os erros – veja se há um milésimo de hesitação em Jordan depois dos dois arremessos curtos. Federer mal pisca quando erra um saque – o mesmo não pode se dizer de Andy Murray.

Todo grande gestor e analista cometeram vários erros em suas carreiras. Alguns maiores, outros menores.

Todo mundo erra – Buffett, Soros, Stuhlberger, e Jakurski erraram muitas vezes e errarão outras tantas.

Nenhum deles insistiu no erro e nem ficou olhando para trás – “bola pra frente, segue o jogo”.

E, se não existe um momento decisivo nos seus investimentos, existe, sim, um erro fatal: você não pode quebrar. A única forma de garantir que você não vai quebrar é ter certeza de que, mesmo que tudo dê errado, você ainda vai ter a oportunidade de fazer mais um arremesso.

Nunca, mas nunca mesmo, monte uma posição que pode te levar à falência. Por mais certeira que seja a dica, por mais quente que esteja o mercado, alguma coisa sempre pode dar errado. Não compre tudo em uma única ação e não se alavanque (tome empréstimo) para fazer um investimento.

“A alavancagem não pode transformar um mau investimento em bom, mas certamente pode transformar um bom investimento em mau.”

A terceira lição: pouco importava para Jordan acertar 10, 20 ou 30% dos arremessos. O interesse dele era ganhar o jogo (e o título).

Pouco importa o que te falam sobre investimentos em x, y ou z. O que vale aqui é ganhar dinheiro.

“Compre se for subir, venda se for cair.
Se for cair, não compre. Se for subir, não venda.”

É tão simples quanto isso.

Não interessa se falam mal daquela ação e se torcem o nariz quando você fala que está ganhando dinheiro com seus bitcoins. Não tem ativo “feio” ou “bonito”.

A matemática, e sua conta bancária, não quer saber se sua ação é sexy, boring ou clichê.

Gol de canela vale tanto quanto o de bicicleta.

O gol que o mercado espera (pode ser até de mão) está cada dia mais próximo: aumentaram os rumores de que o placar de 3 a 0 contra o ex-presidente Lula no TRF-4 está bem encaminhado.

Mesmo que haja divergências na pena, os pedidos de embargos infringentes teriam de ser julgados em 15 dias – fevereiro pode ser a data final para o imbróglio todo.

Com isso, a Bolsa já soma nove altas seguidas e busca hoje a décima: futuro do Ibovespa opera em alta e o dólar sobe um pouco.

Dados positivos da produção industrial (+0,2% contra -0,1% esperado pelo mercado) e os bons números da Fenabrave dão mais fôlego ao mercado local que também tem um empurrãozinho dos bons dados de emprego nos EUA.

Se quiser aproveitar o bom momento e fazer um gol de placa, o negócio é correr e comprar ações baratas. Ninguém entende disso tão bem quanto o Bruce!