A melhor oportunidade na renda fixa hoje

O Felipe Miranda me perguntou onde estariam as melhores oportunidades na renda fixa hoje. A pergunta não tem uma resposta fácil e simples porque, ao […]

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A melhor oportunidade na renda fixa hoje

O Felipe Miranda me perguntou onde estariam as melhores oportunidades na renda fixa hoje. A pergunta não tem uma resposta fácil e simples porque, ao mesmo tempo que 2018 foi um ano difícil para a renda fixa, ele também proporcionou muitas oportunidades.

O ano começou com muito otimismo para a economia, tanto em termos de expectativas de crescimento econômico quanto de comportamento favorável para o câmbio e para as taxas de juros. No entanto, esse sentimento inicial acabou por ser revertido e se transformou em apreensão e incerteza.

A economia não decolou. A cotação do dólar saiu de 3,15 reais em março e chegou a atingir 4,20 reais em meados de setembro. Naquele momento, a despeito da taxa Selic estar em sua mínima histórica, de 6,50 por cento ao ano, os mercados de juros e câmbio viviam o pico do estresse. As taxas de juros para vários vencimentos que, em conjunto, formam a curva de juros da economia, projetavam uma taxa de cerca de 13 por cento ao ano frente a 10,50 por cento no início de janeiro.

A única variável econômica que não extrapolou seu comportamento ao longo do ano foi a taxa de inflação. Também pudera, com a economia indo ladeira abaixo, escoltada por um exército de desempregados da ordem de 12 milhões de pessoas, nem reza brava iria resolver.

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Todo esse estresse foi causado pela incerteza crescente frente ao resultado da eleição presidencial que se aproximava, já que não se sabia se o candidato eleito conseguiria resolver a situação do crescimento e patamar insustentável alcançados pela dívida pública brasileira.

Resumo da ópera: sacudiram a árvore e caíram os macaquinhos com pulso fraco. Sobrou prejuízo para aqueles que saíram de suas posições compradas em títulos de renda fixa no pior momento do estresse. Felizmente, nós aqui na Empiricus entendemos que esse momento passaria e assim conseguimos evitar muitos prejuízos para os nossos assinantes.

Mas também houve muitas oportunidades de ganhar dinheiro com renda fixa em 2018. As taxas dos títulos do Tesouro IPCA+ (antiga NTN-B) longos, que chegaram a 6 por cento ao ano por volta de setembro, estão agora na faixa dos 5,10 por cento. Quem conseguiu investir a 6 por cento nesse título pôde realizar um ganho (antes do Imposto de Renda) da ordem de 13 por cento caso o tenha vendido quando ele estava na faixa dos 5,20 por cento ao ano.

Da mesma forma, foi possível comprar títulos prefixados do Tesouro para prazos de sete anos a taxas próximas a 13 por cento ao ano, cotados hoje perto de 9,60 por cento. O ganho teria sido da ordem de 15 por cento caso o investidor tivesse comprado o título a 12,50 por cento e o vendido quando a taxa recuou para 10 por cento ao ano.

Como se pode notar, o sucesso na renda fixa está estritamente ligado ao bom aproveitamento de oportunidades quando estas surgem. E é isso que a série Empiricus High Yield faz: garimpar todo o mercado atrás das melhores oportunidades em renda fixa para os nossos assinantes.

Depois dessa breve introdução, posso responder à pergunta do Felipe. Vou tomar a liberdade e me apropriar de sua costumeira abordagem sobre estratégias simétricas e assimétricas para apontar dentre as principais alternativas em renda fixa quais considero as melhores.

Hoje enxergo uma oportunidade incrível para investir nos títulos Tesouro IPCA+ 2035 e Tesouro IPCA+ 2045. Esses títulos, além de pagar juros, corrigem o valor do investimento pela inflação. Aplicar a uma taxa de juros real de 5,10 por cento ao ano permite que você dobre o seu capital em termos reais muito rapidamente: em apenas 14 anos.

A título de comparação, nos EUA o investidor levaria cerca de 55 anos para dobrar o capital em termos reais aplicando em um título similar ao nosso Tesouro IPCA+.

Se hoje você pode comprar um automóvel com o valor do investimento feito no título, daqui a 14 anos você poderia comprar dois automóveis utilizando apenas o valor equivalente de juros a que tem direito ao longo desse período, além de ter o seu capital inicial investido corrigido pela inflação.

Se o governo Bolsonaro conseguir fazer as reformas que planeja, em particular a da Previdência, há possibilidade de que os juros reais negociados por esses títulos caiam para a faixa de 3,5 por cento a 4 por cento ao ano em breve. Nesse o caso, há um ganho potencial imediato (caso decida vender o título logo após o recuo das taxas) estimado entre 16 e 24 por cento para o título Tesouro IPCA+ 2035 e entre 26 e 39 por cento para o IPCA+ 2045 – se as taxas de juros recuarem, respectivamente, para 4 por cento ou para 3,5 por cento ao ano.

Ao aplicar nesses títulos, você não precisa se preocupar se o governo vai ser bem-sucedido na implantação de uma reforma da Previdência ou não, porque, se nada der certo e a cotação do dólar disparar, como também deve acontecer com a taxa de inflação, o seu dinheiro será preservado, pois será corrigido pela inflação.

Ao comprar esse título, você adquire a sua “apólice de seguro” contra a inflação! Basta carrega-lo até a data de vencimento que você não terá qualquer perda financeira, além de ter o poder de compra de seu investimento original recomposto pela taxa de inflação ocorrida naquele período – seja ela qual for!

Vale ressaltar que trabalho com a hipótese de que o governo será bem-sucedido nas reformas e atribuo uma grande probabilidade para isso. Em contrapartida, apesar de ter muita confiança no sucesso das reformas, existe uma pequena chance de que elas não aconteçam ou que sejam insuficientes para sanar a crise fiscal do Brasil. Esse seria o pior cenário no qual, imagino, o governo perderia o controle da economia, da inflação, etc.

Chamo essa estratégia de assimétrica por causa disso. Você tem muito a ganhar com a queda dos juros reais e pouco a perder se os planos do governo derem errado.

Para fazer uma comparação entre uma estratégia dita simétrica e outra assimétrica, como a que acabei de descrever para o título do Tesouro IPCA+, vou avaliar rapidamente a estratégia de investimento em um título prefixado do Tesouro de prazo longo para vencimento como, por exemplo, o Tesouro Prefixado 2025 – que vence em 01/01/2025.

A aplicação em prefixados hoje, mesmo após as quedas recentes nas suas taxas, ainda promete ganhos nominais muito interessantes. Suas taxas de juros têm girado em torno de 9,5 por cento a 10 por cento ao ano nos últimos dias. Ressalto que o ganho é nominal, pois o Prefixado, como você sabe, não tem seguro contra a inflação como o título IPCA+. Já vemos aí uma distinção fundamental entre os dois títulos que faz toda a diferença!

Imagine que o novo governo não consiga realizar as reformas esperadas, com destaque para a da Previdência. Como comentei há pouco, existe uma grande possibilidade de que o país caminhe para uma crise fiscal sem precedentes e, como consequência, a cotação do dólar e a taxa de inflação disparem.

Nesse caso, fica evidente que uma remuneração nominal da ordem de 9,5 a 10 por cento ao ano no título prefixado não será suficiente para preservar o poder de compra de seu investimento contra uma disparada da inflação até o vencimento de sua aplicação em 2025. Se tiver escolhido um título mais longo, pior ainda.

Portanto, mesmo que você carregue o seu título até o vencimento para não realizar uma perda financeira ao vendê-lo antecipadamente por uma taxa de juros muito superior a que comprou, o valor real pelo qual irá resgatar o seu dinheiro será muito inferior ao valor da época em que fez a aplicação. Ou seja, o poder de compra do dinheiro resgatado será infinitamente menor do que quando fez o investimento.

Voltando ao exemplo do automóvel, caso a inflação dispare, quando resgatar o seu dinheiro da aplicação prefixada possivelmente você não iria conseguir comprar “meio automóvel”, nem mesmo um quarto dele, devido à perda do poder aquisitivo do dinheiro corroído pela inflação.

Dessa forma, nessa estratégia arrisca-se muito para, eventualmente, ter um ganho que pode ser expressivo ao final da aplicação caso o cenário mais otimista aconteça. Logo, uma estratégia de investimento com rendimento prefixado, neste momento, implica um risco elevado de perda de capital – ainda que com baixa probabilidade de ocorrência.

Conclusão: a estratégia de investimento com remuneração de juros mais correção pela inflação (Tesouro IPCA+ 2035 ou Tesouro IPCA+ 2045) representa um investimento que pode trazer resultados expressivos com reduzida perda de capital mesmo em um cenário muito negativo, enquanto a estratégia de investimento em prefixados (Tesouro Prefixado 2025) pode trazer resultados expressivos, mas com elevada perda de capital em um cenário negativo.

Agenda do dia

Aqui no Brasil a inflação medida pela Fipe para novembro atingiu 0,15 por cento. Já a produção industrial para outubro registrou crescimento de 0,2 por cento frente a setembro. Nos EUA, além do discurso do membro votante do Fed, John Williams, não há divulgação de indicadores programada para hoje. Na Europa, a inflação ao produtor (PPI) referente a outubro subiu 0,8 por cento frente a setembro.

Mercados

O Banco Central realiza novo leilão de linha hoje no valor de 1 bilhão de dólares. Votação da cessão onerosa na sessão de hoje do Senado segue indefinida. Já a reforma da Previdência continua em destaque nas declarações de membros do novo governo. Esses fatores têm potencial para mexer com os mercados de bolsa, câmbio e juros ao longo do dia.

O Ibovespa futuro abriu em alta de 0,16 por cento, o real sobe 0,34 por cento frente ao dólar e os juros futuros de longo prazo registram leve alta na abertura do dia.