A oportunidade dos 400%, versão 2018

Sou defensor de que devemos alocar muito dinheiro em pouco risco e pouco dinheiro em MUITO risco, por isso retorno em 2018 garimpando oportunidades de multiplicar o capital por 2x, 3x, 5x, quem sabe 10x…

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A oportunidade dos 400%, versão 2018

“Adoro ir às praias de Long Island. Elas ficam pertinho de Manhattan. Posso voltar em 30 minutos.” É Woody Allen. O original é um pouco diferente, mas o espírito está preservado e me representa.

Férias são ótimas… quando acabam. Até gosto de praia nos primeiros cinco minutos. Na televisão, então, elas até parecem bonitas.

A saída, porém, é importante. Permite olhar com afastamento, ver com mais clareza e perspectiva. Ninguém enxerga a floresta inteira com os olhos grudados numa única folha.

Conheço um gestor brilhante que, nas vezes em que é tomado por uma dúvida sobre determinada posição, se desfaz de tudo. Diz que é impossível julgar estando dentro. A decisão já nasce enviesada pela proximidade e pelo contato. Massa atrai massa na proporção inversa da distância. Sem conseguir driblar as leis da física, sob a influência da equação gravitacional, em pouco tempo você estará excessivamente concentrado naquilo que já tem se não conseguir olhar de fora e se insistir no ensimesmamento.

Somente a frieza do afastamento blinda as emoções e garante o triunfo da racionalidade.

Quando a gente volta, percebe algumas coisas bem diferentes. Outras estão rigorosamente iguais.

Adepto do Barbell Strategy, ou seja, defensor de que devemos alocar muito dinheiro em pouco risco e pouco dinheiro em MUITO risco, retorno garimpando oportunidades de multiplicar o capital por 2x, 3x, 5x, quem sabe 10x…

Não quer dizer necessariamente que vão se multiplicar nessas grandezas. Apenas que podem. E isso já basta. Quero um 2018 mais convexo, em várias instâncias. Nada contra a turma adepta das concavidades, fique claro, só não é a minha.

Investigo o universo das ações. Quem pode ainda se multiplicar por algum fator sob razoável perfil de risco?

Feliz Ano Velho: penso em Rumo (RAIL3).

Além do que já foi dito aqui exaustivamente sobre a empresa, considere o seguinte: temos guidance de 4,5 bilhões de reais para 2020. Na cara do gol, aparece a renovação da Malha Paulista – ao que tudo indica, fevereiro é mês decisivo, com conversas em estágio final e interesse de todos envolvidos na renovação (não tem como licitar ferrovia Norte Sul sem essa renovação prévia).

Aí entra o projeto de Sorriso. Falamos de alguma coisa em torno de 6 bilhões de capex, para um Ebitda potencial de 3,5 bi/ano. Então, o Ebitda total iria para algo como 8 bilhões de reais. Aplicando a média global de 10x para o múltiplo EV/Ebitda (gringos, diferentemente de Rumo, não tem growth), falaríamos de um valor de firma de 80 bilhões de reais. Dívida líquida seria perto de 10 bi. Valor de mercado “justo” iria para 70 bilhões, contra os 18 bilhões atuais.

Óbvio que tem um longo caminho pela frente, mas o sentido está dado. Daria pra multiplicar por aproximadamente 4x ainda. Touché!

Ah, e antes que os defensores da moral e dos bons costumes se insurjam, antecipo a pergunta: não tem riscos? Tudo tem risco. Se resolveu sair da cama, incorreu na perda de segurança. Atravessar a rua, então, é perigosíssimo.

Sobre Rumo, especificamente, poderia citar a intensidade de capital, sensibilidade às condições da safra, descumprimento de contratos de take or pay, correlação com a curva de juro e com as condições sistêmicas em geral, renovação das concessões, entre outros. O ponto central, porém, é que o potencial de valorização mais do que compensa toda essa ladainha.

Mercados iniciam a semana estendendo o clima positivo dos pregões anteriores. Bolsas europeias têm a quarta alta seguida, na cola das asiáticas, sob a esperança de que o início da safra de balanços corporativos possa sustentar o bom humor ao mostrar lucros vigorosos. Commodities também têm, no geral, segunda-feira favorável – petróleo é negociado acima de 61 dólares por barril, com baixa das perfurações nos EUA.

Agenda doméstica traz relatório Focus, com alterações apenas marginais nas projeções para as principais variáveis macro, IPC-S e balança comercial semanal. Lá fora, sai confiança do consumidor na Europa e dirigentes do Federal Reserve falam ainda hoje.

Ibovespa Futuro abriu em alta de 0,4%, mas foi perdendo força à medida que eu escrevia, cedendo a uma pressão por realização de lucros depois da disparada na semana passada. Juros futuros marcam pequenas variações, com leve predominância da tendência de alta. Dólar sobe ligeiramente contra o real.

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