Nassim Taleb em SP – Carta Convite

Era quase um compromisso trazer o pensador para ser ouvido pelos nossos assinantes. Eu vinha tentando fazer isso desde a fundação da Empiricus, que, entre outras coisas, homenageia a Empirica, de Nassim Taleb.

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Nassim Taleb em SP – Carta Convite

Hoje o texto é um pouco diferente. Ele representa uma conquista e, ao mesmo tempo, um convite.

Depois de muitas tentativas, teremos Nassim Taleb em nosso evento de final de ano. O fracasso anterior talvez tenha relação direta com meu envolvimento pessoal. Nos últimos sete anos, eu mesmo liderei os esforços para trazê-lo, em vão.

Agora, foi a turma aqui que entrou em contato e não mediu esforços para capturar o sujeito. É até constrangedor que essa newsletter seja assinada por mim, sem que os verdadeiros responsáveis por isso não apareçam. Aliás, boa parte das pessoas mais competentes da Empiricus estão nos bastidores e ninguém fica sabendo. Fica aqui meu agradecimento público a elas.

Em termos práticos, vai funcionar assim: os assinantes Reserva Empiricus têm seu convite garantido, gratuitamente. Peço, por favor, que, em sendo seu caso, confirme aqui sua presença. Caso contrário, você pode se tornar um assinante Reserva por meio desta inscrição.

O evento ocorrerá no dia 7 de novembro, no Espaço JK, depois do almoço – na parte da manhã deste mesmo dia, terei a honra de apresentar o Taleb no evento da HSM e, na sequência, seguiremos juntos para o Espaço JK. Assim que você confirmar sua inscrição, receberá todos os detalhes do evento.

Era quase um compromisso trazer o pensador para ser ouvido pelos nossos assinantes. Eu vinha tentando fazer isso desde a fundação da Empiricus, que, entre outras coisas, homenageia a Empirica, de Nassim Taleb. Arrisco a dizer que isso aqui não existiria se não fosse por sua influência.

São as ideias de Taleb que balizam nossas estratégias de investimento. Aqui, todos os analistas têm liberdade de expressar suas opiniões, expor visões diferentes, contrariar o argumento alheio – contanto que respeitem a filosofia da Casa, a essência do que é a Empiricus, em linhas gerais, representada pela humildade epistemológica, pelo ceticismo na capacidade de produzirmos modelos mentais, estatísticos ou financeiros para explicar razoavelmente o funcionamento do mundo e poder antecipar o futuro. Valores, essência e filosofia são irrevogáveis.

É quase anedótico que este convite venha na semana em que a Segunda-Feira Negra, aquela em que a Bolsa dos EUA caiu 23% num único dia, completa seus 30 anos. Talvez pareça de propósito, coincidência forçada ou sincronicidade jungiana – se não fôssemos céticos, quem sabe acreditássemos nisso.

Taleb é o propagador da teoria dos cisnes negros, os eventos considerados raros, de alto impacto e imprevisíveis, que acabam definindo o curso da história. O mundo anda em grandes saltos aleatórios, sem possibilidade de antevisão.

Por definição, portanto, jamais poderemos prever os acontecimentos que realmente vão mudar as nossas vidas.

Então, precisamos mudar o foco. Abdicar da ideia de antever e entender o mundo, e passar a desenvolver um arcabouço para viver num mundo que não entendemos. É uma completa mudança de paradigma.

Certamente, a ideia por trás dos cisnes negros não é nova, nem foi descoberta originalmente por Taleb. Ela guarda relação importante com o problema da indução de David Hume – depois de ver quantos milhões de cisnes brancos, e não ver nenhum cisne negro, posso afirmar que todos os cisnes são brancos?

A solução para o problema está no falseacionismo popperiano: nunca. Basta observar um cisne negro para invalidar séculos de identificação apenas de animais brancos. As teorias (“todos os cisnes são brancos”) só podem ser rejeitadas/refutadas/falseadas, nunca confirmadas por uma ou mais observação(ões) adicional(is).

Isso é o básico de Taleb e certamente encontra aplicação imediata para as finanças, cujos modelos tradicionalmente estão bitolados em prever o futuro a partir de comportamentos passados. Markowitz, VaR, Sharpe, CAPM, ARCH, GARCH, t-GARCH… todos eles senão príncipes na vida.

Se foi assim até agora, será também assim no futuro. Até, claro, que subitamente a Bolsa norte-americana caia 23% num único dia, alguém faça dois aviões colidirem contra as Torres Gêmeas ou, apenas como uma hipótese teórica, vazem o áudio do Joesley.

Mas as ideias do pensador transcendem em muito o escopo estrito das finanças. Taleb é um guia ético e moral, um balizador de qualquer decisão tomada sob o ambiente de incerteza. Como agir diante de um mundo sujeito a movimentos incapazes de serem previstos ex-ante e de alto impacto?

Se fosse para resumir quatro livros em um parágrafo, eu tentaria assim: “uma obstinação implacável pela comparação entre o que eu posso perder e o que eu posso ganhar com cada atitude, levando esse ‘posso’ ao extremo mesmo.”

E se me dessem a mesma tarefa para ser descrita por meio de uma inequação, seria: x não é f(x).

X é a coisa em si, a realidade objetiva, o ativo financeiro em que você vai investir.

F(x) é a matriz de retornos potenciais, como aquele ativo lhe paga, nos mais variados cenários possíveis.

Muita coisa se resume a fazer este F(x) uma função de perfil convexo, aquela que se parece com uma função exponencial. Para nossos fins, lucros potenciais que cresçam mais do que proporcionalmente conforme o cenário positivo vá se confirmando. Sempre ganhar potencialmente mais do que perder.

Ações, opções (na ponta comprada), bitcoins (e todas as moedas digitais), dólar (comprado contra o real), por exemplo, são coisas que tradicionalmente oferecem um perfil convexo.

Aposte sempre centavos para ganhar dólares. Nunca aposte dólares para ganhar centavos. Se puder lembrar que x não é f(x), pode ser legal. Aqueles que estiverem presentes fisicamente no dia 7 de novembro vão entender melhor a referência.

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