Nem tudo o que é ouro reluz

Nem todas as aplicações direcionadas para “investidores qualificados” são sensatas. O mero fato de um fundo de investimentos exigir aplicação mínima elevada não garante que o fundo é bom.

Compartilhe:
Nem tudo o que é ouro reluz

Hoje, apresento um desafio lógico aos raros leitores do Day One aficionados por desafios lógicos da Coquetel (um salve aqui ao Renato Torelli).

Você acorda numa sala imensa com duas janelas, uma na parede esquerda e outra na direita.

Ao se aproximar de cada uma das janelas, você passa a enxergar uma pessoa bebendo vinho.

São dois indivíduos diferentes, separados, mas ambos bebendo vinho. Sacou?

Na janela da esquerda, um sujeito bebe vinho numa taça de argila.

Na janela da direita, outro sujeito bebe vinho numa taça de ouro.

De repente, enquanto está andando de uma janela para outra, tentando pedir um gole para seus vizinhos (desafios lógicos são chatos pra caralho, e beber vinho é legal), você percebe um bilhete no chão.

Não sei se aquele bilhete já estava ali antes, talvez tenha sido colocado agora, enquanto você estava de costas para o centro da sua sala.

Tente prestar mais atenção nas coisas, ok?

Bem, não importa.

O que interessa mesmo é o conteúdo do bilhete.

“Uma das pessoas está bebendo vinho envenenado, enquanto a outra bebe apenas um bom vinho. O veneno está se acumulando no sangue do sujeito vitimado, de forma que restam apenas alguns poucos segundos até que seu efeito seja letal. Mesmo correndo agora em direção a uma das janelas, você só terá tempo de alertar um dos seus vizinhos. Qual você escolhe?”

A resposta está dada em uma famosa expressão em latim: Venenum in auro bibitur.

É mais provável que uma pessoa esteja bebendo veneno em uma taça de ouro do que em uma taça de argila.

Chega de desafio agora, vamos falar de impactos reais sobre o seu bolso.

Dizem por aí que mais riqueza significa mais liberdade. Nem sempre é assim.

À medida que as pessoas enriquecem, elas vão também perdendo o controle sobre suas próprias vontades e escolhas. Vão substituindo suas preferências originais por preferências de prateleiras cada vez mais altas. E assim complicam suas existências de forma absolutamente desnecessária.

Em geral, as preferências de prateleira são induzidas por alguém que deseja vender algo ao indivíduo enriquecido – que, de repente, se vê rodeado por experts, consultores, personal bankers, personal trainers, personal stylists, etc.

Isso explica por que há milhares de brasileiros endividados ganhando acima de 10 mil reais por mês, sem qualquer condição de investir.

E explica também por que nem todas as aplicações direcionadas para “investidores qualificados” são sensatas.

A Luciana me ensinou com seus Melhores Fundos: o mero fato de um fundo de investimentos exigir aplicação mínima elevada não garante que o fundo é bom.

E muitos fundos estudados por ela com aplicação a partir de R$ 1 mil, R$ 2 mil ou R$ 3 mil são excelentes para quem tem milhões na conta.