O que vou fazer com meus bitcoins?

O que vamos fazer agora com os bitcoins? Comprar mais, ficar quietos ou vender nossa posição?

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O que vou fazer com meus bitcoins?

Desde que comprei meus bitcoins, há pouco mais de três meses, esse negócio subiu cerca de 130%. Avisei aqui o dia em que fiz tal aquisição, de modo que, se você seguiu o mesmo caminho, apurou obviamente valorização parecida.

Conto isso não para dar publicidade à suposta glória. Se o histórico serve para alguma coisa, é apenas para celebrar os benefícios da convexidade e não de um mérito pessoal da aposta (escrevi “investimento” e depois corrigi para o termo preciso: “aposta”). Foi simplesmente resultado da sorte, essa companheira fiel.

Do ponto de vista prático, também não fez diferença substancial na minha vida – aloquei alguma coisa como 1% do capital nisso, sabendo que podia perder. Agora, dado que o resto ficou mais ou menos parado (com medo dos juros nos EUA e da Previdência aqui, nenhum outro mercado andou muito), esse 1% virou 2 e alguma coisa.

Não sei nada de bitcoins. Não comprei baseado na ideia de que conseguíamos aqui projetar um preço justo para esse negócio. Acho que ninguém consegue. Inclusive, acho que ninguém consegue para ações também. Apenas acham que conseguem, o que é ainda mais perigoso, mas isso é uma outra discussão.

Minha movimentação em criptomoedas decorria apenas da interpretação de que se tratava de uma distribuição assimétrica à direita (só pode cair 100%; e pode subir muito mais do que isso) e com muita volatilidade. Ora, se tem muita variância, vai acabar indo mesmo para perto da cauda da distribuição em algum momento – ou vai pra perto de zero ou pra perto de algum lugar muito alto. E muito alto representa muito mais do que 100% de valorização. Está aí um jogo que vale a pena jogar.

O que vamos fazer agora? Compro mais, fico quieto ou vendo minha posição?

Antes de prosseguir, reitero minha completa ignorância em criptomoedas. Os geniais Vinicius e André é que entendem desse negócio aqui e, se você tem interesse em se aprofundar no tema, recomendo fortemente acompanhar o Empiricus Cripto Alert.

As palavras a seguir não são apenas uma recomendação específica sobre o que fazer com seus bitcoins, caso os tenha também comprado lá por setembro. Embora trate de um caso particular, utilizaremos da indução para propor a chegada ao geral. Falo de uma regra de bolso que pode lhe ser útil para qualquer situação envolvendo um ativo de alto risco, como obviamente é o caso de bitcoins. Falo “alto risco” sem preconceito algum – sou um defensor ferrenho de aplicações desse tipo, desde que calibrado o tamanho da posição e do reconhecimento do quanto se pode perder ali.

Pragmaticamente, vou vender metade da minha posição. Ganhamos essa. Vamos para a próxima. A decisão decorre simplesmente pela imperiosa necessidade de recalibrar o portfólio. Se acho adequado ter no máximo 1% do patrimônio alocado em criptomoedas, precisamos rebalancear a carteira. Tão simples quanto isso.

O que acontece a partir de agora?

Se alguém de repente provar que o bitcoin não serve pra nada, se surgir uma outra criptomoeda melhor, se os EUA proibirem o uso desse negócio, se subitamente alguém estourar essa suposta bolha com uma agulha fininha, veremos esse ativo indo a zero. Ok, minha posição restante em bitcoins vai a zero. Mas tudo bem. Já ganhamos mais do que isso. Mesmo no pior cenário a partir de agora, saímos vencedores dessa aposta.

Em contrapartida, se a parada continuar voando (pelo que tenho lido essa parece ser a maior probabilidade, mas isso não interessa), a fatia remanescente vai se multiplicar de valor, levando a um resultado consolidado ainda mais positivo nesse jogo.

Gosto quando a sorte ajuda. Hoje é dia de ligar para aquele vizinho bem gente fina, que, cheio de dor de corno, falava todos os dias que você estava seduzido pela pirâmide financeira do bitcoin (numa boa, bolha pode ser, mas pirâmide???). Convide-o para um churrasco. Cobre a entrada. “Aceitamos bitcoins”.

Leia mais: Vamos falar sobre criptomoedas?

Mercados brasileiros estendem clima mais negativo da véspera em meio a dúvidas sobre aprovação da reforma da Previdência. Possibilidade de não votação no dia 6 de dezembro, conforme ventilado anteriormente, gera desconforto, porque representa calendário muito apertado.

Em paralelo, expectativa por divulgação do PCE, importante referência para inflação nos EUA, deixa investidores em compasso de espera, sem querer assumir muitas posições.

Agenda norte-americana traz ainda renda e gastos, além de pedidos de auxílio-desemprego e atividade em Chicago. PMI da China trouxe números acima do esperado, ao subir 51,8 pontos. Encontro da Opep é destaque no mercado de commodities. Internamente, saem dados de emprego e há reunião do CMN.

Ibovespa Futuro registra leve baixa de 0,1%, dólar sobe ligeiramente e juros futuros avançam em meio às dúvidas sobre a Previdência.

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