De volta ao Rumo

Vamos falar de valores mobiliários, especificamente sobre Rumo, ação que recomendei estimando potencial de valorização de até 400%

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De volta ao Rumo

Hoje posso voltar a falar de valores mobiliários especificamente. Já estava com saudades.

Então, recuperada a capacidade de exercer minha própria profissão, vamos selecionar aleatoriamente um valor imobiliário para comentar nesta segunda-feira.

Escolhendo assim ao acaso, vamos falar de Rumo, aquela ação que irresponsavelmente recomendei há cerca de 18 meses, estimando potencial de valorização de até 400% em três a cinco anos e que subiu cerca de apenas 150% desde então.

Apesar da alta vigorosa em 2017 (+85%) e nos últimos 12 meses (+98%), as ações da companhia têm caído sem comedimento em dezembro (-13%), pressionadas por temores envolvendo a renovação da Malha Paulista. A realidade insiste em sua linguagem desmedida.

De forma simples e direta, ANTT publicou documento exigindo alguns ajustes frente à proposta original de renovação da concessão em questão, de modo a incorporar contribuições coletadas em audiência pública. A maior preocupação concerne à eventual necessidade de contemplar antigas contingências, como processos trabalhistas desde 2002.

A reação do mercado aos apontamentos da ANTT me parece bastante exagerada. Primeiro porque a maior parte dos pontos já havia sido devidamente endereçada pela própria Rumo, com estudos previamente concluídos e enviados à agência reguladora.

Além disso, não há muita razão para crer na não-renovação da concessão. Possivelmente, estamos falando de algum pequeno atraso, sem impacto material sobre o valuation. Rumo é o nome óbvio para ficar com a concessão, que é central para o call de desenvolvimento da infraestrutura brasileira – a confirmação do cenário poderia inclusive destravar outros projetos de infra e pagamento antecipado para o Governo, obviamente interessado neste ponto em épocas de ajuste fiscal. O contrato assume renovação no vencimento; logo, não podem relicitar agora. É uma negociação entre Rumo e agência. A empresa já atendeu as demandas novas do governo e o TCU já enviou relatório para o Senado sem contestação.

E para completar, na eventualidade de ocorrer o pior cenário (baixa probabilidade) e não haver renovação, os impactos materiais sobre o valuation de Rumo são menores do que o ventilado nos últimos pregões. Há de se lembrar que o contrato vence em 2028 e que, do total de volume transportado pela Rumo, só açúcar está na região da Malha Paulista – algo como 5 milhões de toneladas de um total de quase 25 milhões, sendo que a maior parte do açúcar da região é da Cosan; ainda que perdesse a concessão, ainda teria direito de passagem (note, porém, que esse cenário é de baixíssima probabilidade).

Resumidamente, portanto, eventos recentes não são positivos, mas passam longe de representar qualquer ameaça material ao racional de Rumo. Ao contrário, tomaríamos a queda recente como uma excelente oportunidade de compra.

Empresa está redonda e deve entregar algo como 2,750 bi de reais de Ebitda em 2017 e 3,200 bi de reais em 2018. Negocia, assim, a cerca de 8,5x EV/Ebitda 2018, contra pares globais na casa de 10x. Tendo endereçadas questões de alavancagem (dívida líquida/Ebitda na casa de 2,5x) e com mais crescimento, não encontramos razão para o desconto. Risco do negócio muito mais controlado agora, com contratos de take or pay dando muito mais previsibilidade ao resultado e estrutura de capital mais conservadora.

Há riscos? Claro que há, como em qualquer coisa que a gente faz na vida. Intensidade de capital, sensibilidade à curva de juros, alta correlação com as condições sistêmicas, possibilidade de ser afetada por eventuais quebras de safra, incerteza regulatória e por ai vai. Mas todos eles devem ser tratados com leveza. O potencial de valorização associado mais do que compensa os riscos do case.

Às atuais cotações, Rumo é um “screaming buy”, uma daquelas oportunidades que gritam “compra” como uma excelente promoção de Natal. Se eu não fosse uma pessoa muito comedida, diria que é pra raspar e encher o carrinho.

Mercados iniciam a semana com tom mais positivo, embalados por acordo dos republicanos sobre texto do pacote de redução de impostos nos EUA. A perspectiva de maior crescimento dos lucros corporativos injeta ânimo sobre Wall Street e espraia otimismo pelo mundo.

Commodities sobem no exterior e dólar cai contra as principais moedas, em dia de maior disposição a risco. Petróleo se aproxima da marca de 58 dólares/barril com redução das sondas de perfuração nos EUA. Minério de ferro se valoriza com vigor na China.

Internamente, destaque para o IBC-Br, em alta de 0,29% em outubro, acima das projeções de estabilidade. IPC-S (+0,34%, em linha com projeções), IGP-M (+0,88%, contra 0,81% esperado) e relatório Focus completam a agenda local. Temos ainda vencimento de opções sobre ações na B3 e nova prévia do Ibovespa.

Ibovespa Futuro registra alta de 1%, juros futuros cedem e dólar cai ligeiramente contra o real.

Faltando poucas semanas para acabar o ano, não saia de férias ainda. Acontecem barbaridades nas puxetas de final de ano, como forma de se garantir uma cota gorda e, principalmente, uma taxa de performance parruda. Algumas oportunidades de trade estão sendo capturadas com precisão no Empiricus Serious Trader. Há coisas bem quentes no forno.

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