Taleb vai falar

A teoria da aleatoriedade: a semana está excelente para falarmos sobre esse tema, uma vez que sofremos nos últimos dias com uma importante correção do mercado.

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Taleb vai falar

Passei por aqui para escrever o Day One, pois o Felipe terá o enorme prazer de apresentar no evento de aniversário de 8 anos da Empiricus, hoje, ninguém menos que Nassim Taleb. Sim, o mestre!

Os eventos da Empiricus têm sido inesquecíveis. São toneladas de conhecimento em forma de pessoas que se destacaram em suas áreas de estudo por terem uma forma totalmente inovadora de pensar.

Mas o evento desta terça terá um gostinho especial. Você que acompanha o Day One há algum tempo já deve saber da admiração que o Felipe, e toda a equipe, carrega por Taleb e sua teoria da aleatoriedade.

Aliás, a semana está excelente para falarmos sobre esse tema, uma vez que sofremos nos últimos dias com uma importante correção do mercado. A Bolsa caiu quase 4%, os juros subiram 50 bps, e o real se desvalorizou 3,5%.

Posso aqui discorrer sobre os motivos para tal correção, e vou fazê-lo. Mas seria conjecturar a posteriori sobre o que moveu o mercado, quando não sabemos exatamente o que foi. É bom ter isso em mente.

A resposta simples, honesta, mas que não agrada ninguém, é que a pressão vendedora foi maior, o medo foi maior.

Minha tese sobre o aumento recente do temor dos investidores dos mercados emergentes é a seguinte:

Os EUA, que são a maior economia do mundo, estão mostrando recuperação econômica com redução forte do desemprego. Quando o desemprego cai muito, os salários tendem a subir, em uma competição das empresas pelos melhores talentos, puxando a inflação para cima.

A inflação alta chama juros altos. E a reprecificação da curva de juros americana, que é considerada “livre de risco” do mercado, puxa todas as outras curvas de juros mundo afora – principalmente dos mercados emergentes.

Por exemplo, se você pegar o desemprego médio dos EUA de 1990 a 2007 – portanto antes da crise de 2008 – terá um valor de 5,4%. Em 2000 e 2006, o desemprego caiu para abaixo de 4,5% e, como consequência, os próximos dois anos foram acompanhados de aceleração da inflação para além de 4%. Os juros americanos também subiram, provocando altas nos juros mundiais.

Porém, essa recuperação econômica está com uma cara um pouco diferente. Apesar do desemprego já ter caído para 4,3%, a inflação não dá sinais de aceleração. Todos estão perplexos com essa novidade, tentando descobrir se há um motivo estrutural por trás disso, ou se a inflação só está esperando para dar o grande bote.
Fundamentalmente, uma coisa me chama a atenção. Estamos vendo uma queda enorme da taxa de participação, que é a população interessada em trabalhar dividido pela população que trabalha.

Ou seja, as pessoas estão menos interessadas em trabalhar. E sabe-se lá por quê. A taxa de participação, que em 2000 era de 67%, hoje está em 63%. São 4% a menos de trabalhadores interessados em trabalhar. É muito coisa.

E isso vem reduzindo fortemente a taxa desemprego, talvez motivo pelo qual não há pressão por melhores salários. Além disso, o desemprego que mais vem caindo é o de longo prazo (15 semanas ou mais) que é aquele que impacta menos nos salários de acordo com Ball e Mazumder (2014).

Enfim, não quero estender o pensamento, mas apenas mostrar que há muito mais entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia.

Como ninguém sabe se os salários vão subir ou não, qualquer notícia nesse sentido causa medo. E medo causa venda, e venda causa oscilações de mercado e volatilidade.

Nesta hora, é preciso ter calma, e se voltar para o fundamento econômico. Que é aquilo que vai lhe dar confiança para manter suas apostas no longo prazo.

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O Ibovespa abriu hoje em queda de 0,2%, o real perde 0,60%, e os juros sobem 5 bps, devolvendo um pequeno pedaço da melhora forte de ontem.

Por aqui, Temer escutou de parlamentares que a Reforma da Previdência não passa de forma alguma, e um pessimismo já toma conta do governo.

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