O assunto do momento

A votação da reforma da previdência em 2017 é algo que pode mexer muito com o mercado brasileiro, para o bem ou para o mal.

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O assunto do momento

Não se fala em outra coisa no noticiário político e econômico. Todo mundo quer saber como está a contabilidade de votos para a reforma da Previdência.

Não é por menos, é realmente um assunto que pode mexer muito com o mercado local, para o bem ou para o mal.

Vou resumir aqui o que sabemos sobre o assunto, já considerando que não sou nenhuma expert em ciências políticas, e que esse tipo de assunto é ainda mais cheio de subjetividade e aleatoriedade que a própria ciência econômica.

Para o governo conseguir aprovar a reforma na Câmara, ele precisa de 308 votos a favor. A Câmara possui 513 deputados no total.

Quase 100 votos estão tomados pela oposição (PT, PSOL, PCdoB, PDT e Rede).

PMDB e o PTB, que vão fechar questão a favor da reforma, contam com uma bancada de 81 deputados.

O PP aguarda a data da votação para decidir se fecha questão, e o PSD diz que não vai fechar, mas deve ter um bom número de deputados a favor. O PR também deve estar favorável, e indicou que, se completarem os votos, bate o martelo. Estes são os maiores partidos do chamado “centrão” (junto com o PTB), e devem ter sido os maiores beneficiados com as promessas da reforma ministerial (auxiliada por Rodrigo Maia). Juntos, esses três partidos têm cerca de 127 deputados.

Aí temos o partido mais incoerente do país, o PSDB, que está dando nos nervos de todo brasileiro, por defender um tipo de política diferente ao sabor do vento. O PSDB possui cerca de 46 deputados. Geraldo Alckmin já se manifestou a favor da reforma. Mas sabemos que o partido é totalmente dividido, com muitos caciques, e cada um defendendo a si e um tipo de política diferente. Recentemente, aumentando inclusive o bloco socialista do partido. Vai entender…

Mas o PSDB em si tem 46 deputados e a reforma da Previdência deveria ser uma pauta do partido, independentemente do jogo político.

Temos também o DEM, da base do governo, com mais 29 deputados.

Ou seja, se somarmos os partidos “amigáveis” à reforma ou ao governo, teríamos 283 votos potenciais, faltando apenas 25 para os 308 votos necessários.

Claro que nem todos os deputados vão votar a favor. Estou apenas apontando o potencial. Sabemos que uns 100 deputados não votarão a favor de jeito nenhum, mas fora a base mencionada, ainda teríamos uns 100 que poderiam ser convencidos.

A conversa dos cientistas políticos é que o governo já teria em torno de 270 votos, e que estão apostando tudo no efeito manada para conseguir o resto dos 38, segundo notícia do jornal “Folha de S.Paulo”.

Não devemos dar valor ao que os próprios deputados dizem. Os parlamentares da base tendem a inflar os números, e os da oposição dizem que não há votos e que não teremos Previdência.

Claro que se você é um deputado, e sabe que ano que vem terá que enfrentar eleições, vai querer ser amigo do cara que segura a caneta no Planalto. Isso deve ajudar Temer.

Claro também está que Temer tem uma baixa popularidade, e que apesar da população já estar mais a favor da reforma depois de muitas campanhas de marketing do governo, o projeto não é muito popular. Isso deve prejudicá-lo.

A postura do PSDB deve ser uma das coisas decisivas. Mas rejeitar a reforma será certamente cavar a própria cova. Mesmo assim, não vejo eles terem problema nenhum em fazer.

As eleições de 2018 irão devorar dois partidos: o PT e o PSDB. Ou é o que eu gostaria de acreditar…

Assista: Impacto da reforma da previdência na economia brasileira

Ibovespa futuro abre em queda de 0,40%, em linha com as Bolsas internacionais, por conta de um aperto de liquidez do banco central chinês esta manhã. O real está zerado, e os juros futuros abrem cerca de 3 pontos-base nos vértices mais longos.

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