A década perdida chegou ao fim

Mudar o rumo de um transatlântico não é fácil, não é rápido, e não leva apenas dois anos.

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A década perdida chegou ao fim

Desde 2014 o Brasil está afundado em uma crise profunda. A desordem feita na economia e na política foi tamanha, que nunca sofremos com uma recessão tão grande e por tanto tempo.

Excesso de gastos, intervencionismo, aumento da máquina pública e descontrole inflacionário permearam nossa história de terror recente.

O resultado tardou, mas não falhou, e sofremos até hoje com o desemprego.

Mas tem um lado bom de tudo isso. Percebemos nossos erros! Pelo menos no lado econômico.

O atual governo, apesar de seguir pecando no lado político, tem realizado mudanças profundas na economia, que, na minha opinião, muitas pessoas ainda não perceberam.

Começou pelo teto de gastos, atacando o problema fiscal, seguiu na reforma trabalhista e domou de vez a inflação. E parece que não parou por aí. Está encarando a briga da TLP e quer aprovar a reforma da Previdência. Não preciso nem dizer a mudança brutal que isso traria para a economia.

Até antigos tabus, como privatizações, estão sendo ventilados no Planalto. Vocês se lembram como a palavra “privatização” era sinônimo de palavrão? Ontem as ações da Eletrobras subiram incríveis 50 por cento. E não só elas, Cemig, Petrobras, Banco do Brasil, Copel.

Imagina como seria o Brasil sem ingerência política nas empresas?

Ontem tivemos um gosto disso. Foi um aumento exponencial, uma instantânea criação de valor. De anteontem para ontem, ficamos mais ricos pois ousamos pensar em como podemos construir um país melhor.

A queda dos juros também tardou, mas não vai falhar. As taxas vão cair pela metade. E isso, sem dúvidas, vai gerar um impulso enorme na economia.

Imagine você que todo empréstimo contraído a partir do final do ano pagará somente metade dos juros mensais de 2014. É como se a renda disponível das pessoas dobrasse, mesmo sem aumento de salário. Isso certamente impulsionará a economia. Projetos que não eram viáveis com juros de 14 por cento, passam a ser atrativos com juros de 7.

Hoje, ainda estamos no olho do furacão. A recuperação ainda não é clara. A política segue conturbada e ainda falta aprovar algumas reformas.

Mas só por isso os preços estão onde estão.

Quando tudo estiver claro e no passado, os preços já estarão mais altos, e os ganhos potenciais mais baixos.

Para ganhar dinheiro mesmo, de forma agressiva, não tem outro jeito a não ser correr riscos.

Isso tudo para dizer que estou muito otimista com o Brasil. Sei que ainda faltam muitos passos antes de podermos deixar os problemas para trás. Enquanto não endereçarmos a Previdência, a questão fiscal seguirá sendo um grande risco. De querer privatizar, para de fato fazê-lo, temos ainda muito chão pela frente.

Mas acredito que no começo do processo do impeachment da Dilma, o que vimos não foi apenas uma população descontente com a recessão. Mas também uma mudança de pensamento econômico que, depois de oito anos de heterodoxia, resolveu dizer “chega”.

Mudar o rumo de um transatlântico não é fácil, não é rápido, e não leva apenas dois anos.

Mas, depois de feito, tem o potencial de duplicar o valor dos nossos ativos. As quebras econômicas estruturais são as maiores motoras de saltos nos preços dos ativos.

Não é sempre que essa oportunidade bate em nossa porta. Desde 2008, depois de um enorme “bull market” por conta da ultravalorização das commodities, a Bolsa anda de lado.

Passamos uma década sem grandes saltos nos preços de nossos ativos.

Mas a oportunidade pode finalmente ter chegado!

Não se esqueça de que o grande ciclo de commodities valorizou a Bolsa em 532 por cento, por pouco mais de cinco anos.

Começamos a mudança no ano passado, e podemos seguir alterando o rumo da economia. Claro que as eleições terão um papel importante em definir se essa tendência se manterá ou não.

Mas não podemos esquecer que o crescimento de 2018 jogará a favor da ortodoxia.

Eu criei uma estratégia, juntamente com o Bruce, para se aproveitar exatamente de uma melhora estrutural do mercado em 2019, caso ela de fato aconteça. Chamamos essa estratégia de 80/20. Se a melhora vier nos próximos anos, sua carteira estará preparada para pegar os retornos agressivos da Bolsa no pós-eleição. Mas caso a surpresa acabe sendo negativa, seu patrimônio estará protegido nos títulos de renda fixa conservadores.

Esse é o pano de fundo econômico estrutural de longo prazo, que não poderia deixar de mencionar.

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Os juros caem hoje cerca de 6 pontos base com IPCA mais fraco, e Ibovespa futuro abre subindo 0,25 por cento.

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