Desisti de um sonho pra vir pra cá

Aos 13 anos, decidi que trabalharia em um jornal. Está lá no meu diário – tenho provas. Desisti aos 30, depois de preencher páginas e mais […]

Compartilhe:
Desisti de um sonho pra vir pra cá

Aos 13 anos, decidi que trabalharia em um jornal. Está lá no meu diário – tenho provas. Desisti aos 30, depois de preencher páginas e mais páginas com letrinhas.

A decisão de abandonar o papel foi a mais difícil da minha vida.

Fiquei feliz de ver, na semana passada, em uma conferência da maior associação de jornalistas online do mundo, em Austin (EUA), a profissão se reinventando.

Os veículos de comunicação decidiram se conectar de forma mais pessoal com seus leitores. A sensação do momento é a tal da newsletter: conteúdo de qualidade enviado por e-mail, de preferência com pitadas bem-humoradas. Assim os jornalistas têm conseguido engajar a sua audiência, criar o gosto pela leitura de temas importantes.

Eu, que tomei um avião para aprender sobre o jornalismo do futuro, escrevi envergonhada um e-mail para os sócios da Empiricus: “Pessoal, aprendi muito aqui. O caminho do jornalismo são as newsletters”.

“Eu não sabia nada sobre o negócio de jornalismo. Mas eu, sim, sabia algo sobre a internet” – esse é Jeff Bezos, o lendário CEO da Amazon, em entrevista a respeito da aquisição do centenário jornal americano The Washington Post, em 2013.

Uma reportagem da Business Insider conta que Bezos adaptou o conteúdo do jornal para o mundo digital, levou para dentro do Washington Post o teste A/B – que ajuda a entender qual é a melhor forma de fazer alguém se interessar por uma história importante –, envolveu as redes sociais na distribuição de conteúdo, levou para o jornal a cultura da obsessão pelo cliente que fez da Amazon a Amazon… Com frequência, os editores do jornal recebem reclamações de leitores encaminhadas por Bezos.

Isso tudo sem abalar a independência do conteúdo.

Pelo contrário. O tráfego do Post se multiplicou e ele ultrapassou rapidamente o número de usuários do concorrente – The New York Times – em visitantes únicos. E, assim, ampliou equipe, melhorou a cobertura.
Parece que já vi esse filme.

Quando troquei um jornal pela Empiricus, um editor experiente me disse: “Será que o que te move mesmo é o jornalismo? Ou o alcance?”. Só percebo hoje o quanto de errado havia nessas perguntas.

Não há jornalismo sem alcance. Ponto-final.

Tenho um orgulho danado do que faço aqui na Empiricus. Alcançamos mais de 30 mil pessoas com indicações de fundos. A equipe do Melhores Fundos acaba de ser ampliada. Não me vejo fazendo outra coisa na vida.

Por uma ironia do destino, ao desapegar do jornal, me encontrei com o jornalismo do futuro. É o que eu amo fazer na Empiricus e é o que estamos fazendo no Seu Dinheiro. O sonho renasce.

Você precisa conhecer a Marina Gazzoni, o Eduardo Campos, o Vinícius Pinheiro, a Julia Wiltgen. Aqui contamos a você “Quem não somos”.

O que somos vamos construir juntos, nós e você.

P.S.: Acesse e dê o seu e-mail se quiser receber a incrível newsletter do Seu Dinheiro.

Seu fundo

Dito tudo isso, voltemos aos fundos!

Hoje vamos conversar aqui sobre uma novata: a Persevera Asset Management. A gestora é nova, o gestor não: Guilherme Abbud, sócio-fundador, tem mais de 20 anos de gestão de ativos no currículo.

Antes de abrir sua própria casa, Abbud passou pela gestora global Western, quando o conheci e comecei a admirar suas ideias originais em renda fixa. Depois, foi diretor de investimentos para a América Latina do HSBC – liderava uma equipe de 65 profissionais, com a missão de administrar um patrimônio de 50 bilhões de dólares.

Quando houve a compra do HSBC pelo Bradesco, em 2016, achei que Abbud assumiria a gestora do banco comprador, na época defasada pela saída de Joaquim Levy para o governo. Não aconteceu. Abbud foi por pouco tempo o responsável pela área de multimercados, com bons resultados – lembrando que estamos falando de 2017, ano de “Joesley Day” e da estreia de Donald Trump na Casa Branca.

Com muita bagagem nas costas, juntou-se no início do ano com outros colegas com quem já trabalhou – todos com pelo menos 20 anos de gestão – e propôs a sociedade. O objetivo, segundo o Abbud nos contou, é criar um fundo multimercado “multiestratégia de verdade”. Ele é um crítico dos fundos que se dizem multimercados, mas que acabam restritos à renda fixa (cada vez mais alavancados para fazer frente à queda dos juros).

O plano é ter estratégias em juros e moedas, ações internacionais, Bolsa, arbitragem e volatilidade, além de commodities. Cada um dos gestores terá uma cota fixa de risco a ser corrido, que deve ser mantida com o tempo. O objetivo é evitar ser refém dos ciclos e criar super-heróis: aumentar o risco de um gestor de Bolsa, por exemplo, porque ele está ganhando pode fazer com que o fundo chegue a uma virada de mercado carregado demais em ações.

A ideia é que cada gestor tenha autonomia, por isso a equipe é formada por seniores. “Queremos buscar o alfa, não só o beta”, explica Abbud, o que, em bom português, quer dizer que o objetivo do fundo é superar a rentabilidade do mercado, e não só acompanhar o desempenho da manada.

O primeiro fundo da casa, Persevera Compass, está saindo do forno, com previsão de lançamento em 30 de outubro. O investimento inicial é alto para pessoa física, de cerca de 50 mil reais, mas tende a ser reduzido para 10 mil reais ou 5 mil reais à medida que começar a ser distribuído nas plataformas, segundo Abbud. A carência é de 30 dias – o tempo que demora para o dinheiro cair na conta depois do saque.

Em um segundo momento, a ideia é lançar outro produto, diluído, que terá taxa competitiva, de 1,5 por cento com 15 por cento de taxa de performance. A carência para retirada será mais longa, de 180 dias. É esse que vamos espiar de perto.

Você é livre?

Se o dinheiro é que manda nas suas decisões, está na hora de virar este jogo. Siga aqui.