É pra comprar bitcoin?

Estamos conversando com o maior especialista brasileiro sobre bitcoin para abordarmos as criptocurrencies com a profundidade que elas merecem.

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É pra comprar bitcoin?

As pessoas me perguntam se é para comprar bitcoin. Resisto. Eu não sei nada sobre bitcoin. Ok, vou ser sincero: sei menos do que nada sobre bitcoin. Então, não falo.

Mas se colocassem uma arma na minha cabeça e exigissem uma resposta binária entre comprar e vender, optaria pela primeira opção. Há uma oferta rígida e uma série de catalisadores no horizonte que podem fazer esse negócio ser relevante de verdade um dia.

Ou seja, parece assimétrico. Pode valer zero, mas pode se multiplicar um tantão também. Perder 100 por cento ou ganhar 1.000 por cento, talvez menos, talvez mais. Então, sei lá, compraria o lote mínimo desse negócio, pra ver no que dá, sabendo que poderia ir a zero também. Com essa cabeça, ou melhor, com essa arma na cabeça, a mim faz sentido o raciocínio, mas você tem que topar perder. Se não, sai fora. Assim que penso.

Antes de prosseguir com o que é essencial (a introdução é somente um caso particular da abordagem geral), esclareço aos mais ansiosos: como eu não entendo do assunto e há entre os leitores interesse crescente (e justificado) sobre o tema, estamos conversando com o maior especialista brasileiro sobre bitcoin para abordarmos as criptocurrencies com a profundidade que elas merecem – em breve, trago novidades formais.

Se você ligou os pontos, talvez já tenha percebido. Discordo da regra número 1 de Warren Buffett. E o pior: discordo da regra número 2 também. À lista de atributos negativos (somente 99 por cento deles são verdadeiros), podem somar mais um: herege. As viúvas de Buffett podem se acalmar: eu gosto dele também. É um ponto muito específico.

A regra número 1 enuncia: nunca perca dinheiro. E a regra número 2 esclarece: nunca esqueça a regra número 1.

Eu concordo com o Paradoxo de Klipp. Você deve amar perder dinheiro. Já escrevi sobre ele recentemente e não gostaria de me estender na repetição. Resumidamente, se você não topa perder um pouquinho de grana, acredito que nunca vai ganhar muito. O sujeito vai precisar correr alguns riscos na vida se quer um alto retorno – e quando você corre alguns riscos, é natural que incorra em algumas perdas no meio do caminho. O segredo é errar menos do que acertar e/ou fazer os erros pequenos e os acertos grandes. É como surfar sem nunca ter tomado uns tombos. Impossível.

Se o futuro é desconhecido – a esta altura, imagino que você concorde que ele de fato é -, não adianta tentarmos adivinhar qual dos cenários vai se materializar à frente. Por mais que seja um vício intelectual tentar antever o que acontecerá amanhã, a verdade é que nós nunca saberemos ex-ante. Então, só nos resta ponderar os cenários entre as várias possibilidades e focarmos na matriz de retornos potenciais associada a cada um. Dai escolhemos a estratégia de investimentos que enseja maior assimetria convidativa.

Topamos pequenas perdas, contanto que sejam compensadas por grandes lucros potenciais. Então, se vamos fazendo isso ao longo do tempo, lá no final chegamos vencedores. Por mera aplicação da aritmética, os sucessos vão mais do que compensar os fracassos.

Há uma condição fundamental do processo: você não pode morrer no meio do caminho. A tal aplicação algébrica, que nada mais é do que a Lei dos Grandes Números, faz convergir para resultados positivos depois de várias rodadas do jogo. Você pode ter uma sequência de três coroas. Mas dificilmente terá uma sucessão ininterrupta de 45 coroais.

O segredo, portanto, é calibrar o tamanho da aposta em cada rodada. Quanto apostar em cada jogo para continuar vivo até que as propriedades estatísticas possam se materializar na prática e maximizar o resultado do jogador?

Ed Thorp responde com precisão e brilhantismo a pergunta no maravilhoso A Man for All Markets, utilizando o chamado critério de Kelly. A ideia essencial é que, a cada rodada do jogo, o sujeito deve recalibrar o tamanho da aposta, considerando o último resultado. Se houve um ganho na etapa prévia, ele aumenta gradualmente sua aposta. Se houve uma perda, ele diminui o quanto coloca em risco, começando necessariamente sempre com um limite de 20 por cento do capital.

Essa é a maneira de se maximizar seus lucros potenciais ao longo do tempo, tendo o tamanho da aposta como variável de interesse. No âmago do bom apostador está o imperativo de que você precisa tolerar pequenas perdas. Herege mesmo é aquele que não entende isso. Para quem gostaria de se aprofundar no Kelly Criterion, Rodolfo deu uma aula interessante sobre o tema, totalmente gratuita aqui.

Ah, claro, também foram hereges aqueles que haviam sugerido lá atrás a hipótese de taxa Selic na casa de 7 por cento ainda neste ano. A verdade é filha do tempo.

Mercados se ajustam nesta manhã à redução do juro básico brasileiro em um ponto percentual na noite da véspera e, ainda mais importante, a um comunicado considerado dovish. Copom manteve aberta chance de novo corte de um ponto percentual na Selic em sua próxima reunião. Esse parece ser o cenário-base caso não haja surpresas no meio do caminho. Embora não tenha se comprometido mais firmemente, numa postura acertada e diferente da adotada na reunião anterior, ficou claro que a trajetória mais provável é de manutenção do ritmo no próximo encontro.

Juros futuros reagem fortemente à possibilidade de terminarmos o ano com Selic perto de 7 por cento. Alinha-se ao nosso racional aqui, de que mercado vinha subestimando afrouxamento monetário vindouro. Jogo agora ficou mais claro e, em pouco tempo, gordura nos curtos deve acabar. Com a farra e a obviedade eliminadas, provavelmente será inexorável em breve alongarmos os durations.

E com Selic a 7 por cento, Bolsa vira um destino natural das fundações. O paraíso do CDI acabou. Isso é ótimo. A exemplo de Mark Twain, prefiro o céu pelo clima, mas o inferno pela companhia. Seja bem-vindo.

Agenda doméstica traz operações de crédito em nota do BC, sondagem da indústria e preços ao produtor medidos pelo IBGE. Nova fase da Operação Lava Jato decretou prisão de Aldemir Bendine, ex-presidente de BB e Petrobras. Safra de balanços ganha corpo com números dos gigantes Bradesco, Vale e AmBev.

Nos EUA, saem atividade na região de Chicago, encomendas de bens duráveis e pedidos de auxílio-desemprego.

Ibovespa Futuro abre em alta de 0,3 por cento, reagindo ao juro mais baixo por aqui e ao exterior positivo. Dólar acompanha comportamento das divisas lá fora e registra alta contra o real, também atento ao menor diferencial de juros.

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