O direito de estar errado

Absolutamente 100% de nossa receita vem da venda das nossas séries de assinatura, complementada por conteúdos educacionais. Ao contrário do que os julgadores da Apimec escreveram, não temos "investidores", temos apenas "assinantes".

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O direito de estar errado

Nesta semana, recebemos a notícia de que a Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais) decidiu suspender três dos nossos analistas por um período de 30 dias.

Receberam a notificação de suspensão os sócios da Empiricus, Felipe Miranda e Gabriel Casonato, bem como nosso analista responsável pelas séries As Melhores Ações da Bolsa e Gamma Trader, Bruce Barbosa.

Quando fomos questionados pela imprensa, afirmamos nossa total discordância da arbitrária decisão da Apimec, contra a qual vamos recorrer.

No seu Day One desta semana, o Felipe deu detalhes do caso, demonstrando as grotescas falhas no processo e o absurdo da decisão proferida. Estou confiante de que nossos analistas não terão o seu exercício profissional limitado.

Esse tipo de enfrentamento não me assusta e muito menos me surpreende. Estamos preparados para combater o bom combate.

Enfrentar interesses estabelecidos faz parte da trajetória de qualquer empresa que experimenta crescimento acelerado. Como me disse uma vez o CEO de uma grande casa independente de investimentos, “o prego que se destaca leva martelada”.

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A Empiricus nunca foi unanimidade. Temos defensores fervorosos e haters ferozes. Absolutamente normal tratando-se de uma empresa que vive de opiniões e que faz da exposição aberta de suas ideias o seu negócio.

Algo, porém, me decepcionou profundamente, deixando-me preocupado, como brasileiro e pai de brasileiros. Fiquei bastante incomodado com a maneira bovina com que boa parte da imprensa reproduziu e divulgou uma sentença que é, para um observador mais cuidadoso, um claro ataque à liberdade de expressão.

Explico.

A Empiricus é uma empresa de publicações. Ponto. Nada mais do que isso. Chegamos a oferecer serviços de consultoria no passado, mas não mais. Absolutamente 100% de nossa receita vem da venda das nossas séries de assinatura, complementada por conteúdos educacionais. Ao contrário do que os julgadores da Apimec escreveram, não temos “investidores”, temos apenas “assinantes”.

Qualquer tipo de cerceamento de nossos conteúdos, de nossas ideias, tem um nome: censura.

Muitos não gostam do nosso marketing, e respeito cada um deles. Agora, não me venham com leviandades ou mentiras deslavadas. Li comentários, inclusive de um colunista defensor de ideias liberais radicado hoje no exterior, sugerindo (ou exigindo) a nossa prisão. “Em outros países, dava até cadeia…” Que países, cara-pálida? Coreia do Norte, Cuba? Nos Estados Unidos é que não. Aparentemente, alguns desconhecem — esse sujeito entre eles — que a Empiricus tem como sócia o Grupo Agora, a maior publicadora de newsletters financeiras dos Estados Unidos. O nosso modelo de negócios (e, consequentemente, nossa comunicação), segue os padrões usados e testados com o público norte-americano, no qual o Grupo Agora conta com mais de 2,5 milhões de assinantes pagantes.

Falamos tanto de democracia, mas basta sermos confrontados com ideias que nos desagradam que gritamos: “Alguém tem que parar isso, onde estão as autoridades?” No nosso caso, já ouvi clamores por intervenções da Apimec (já atendidos), da CVM, da Polícia Federal, do Ministério Público. Seria mais fácil restabelecer logo a Censura Federal.

Em uma das várias matérias negativas que o jornal “Valor Econômico” publicou sobre a Empiricus, a repórter chegou a ventilar a hipótese de a CVM decidir por aplicar ao marketing de publicações de investimentos a regulação que trata da oferta de valores mobiliários. Como é que é?! Faria sentido comparar o marketing de uma publicação, que não passa de uma ideia ou de um conjunto de ideias empacotadas dentro de um produto editorial, com a solicitação de investimento em um produto financeiro? Obviamente que não! Para a jornalista, porém, isso chegou a ser uma ideia plausível.

Será que um dia nos aproximaremos de um modelo de sociedade em que o respeito à liberdade de expressão será absoluto, e não relativo? Afinal, a livre exposição de ideias é uma das premissas fundamentais do verdadeiro Estado Democrático de Direito. Como diz o slogan do “The Washington Post”: “Democracy Dies in Darkness”.

Em junho deste ano, a Suprema Corte americana julgou uma ação envolvendo limitações a um caso de “discurso de ódio”. Por unanimidade, o tribunal declarou: “hate speech is still free speech”. Ou seja, “discurso de ódio ainda é um discurso”.

Para o americano, a liberdade de expressão, garantida pela Primeira Emenda à Constituição, é absoluta.

Com breves períodos democráticos, a sociedade brasileira ainda está muito distante dessa realidade.

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