A bolha

A maior crítica relacionada ao Bitcoin é a de que as criptomoedas não têm lastro, são invenções. São falsas, fake. É nítido o desconforto do establishment, tanto financeiro como governamental, com a ideia de moedas digitais.

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A bolha

Como não falar de criptomoedas e especialmente de bitcoins numa semana como esta. Mesmo tendo aliviado um pouco do seu pico de cotação acima de 11 mil dólares, a principal moeda digital já acumula uma valorização de 1.000% desde o início do ano.

De repente o Bitcoin virou mainstream. Vivi para ver um assustado Samy Dana (se bem que a expressão dele é geralmente esta) apresentar um “Conta Corrente” na GloboNews dedicado exclusivamente às moedas digitais, com direito a participação do Rodrigo Batista, CEO do Mercado Bitcoin.

Do ponto de vista de investimentos, a posição da Empiricus é aquela descrita no Day One do Felipe de quinta-feira, ou seja, montar uma posição pequena em relação ao seu portfólio total, de forma a ter exposição ao ativo sem comprometer a integralidade da carteira. Aos assinantes que compraram bitcoins logo que recomendamos, há a possibilidade de vender metade da posição, logo, recuperando o capital investido e passando a “brincar” somente com o lucro.

Cabe a cada um definir o que vem a ser uma “posição pequena”. Pode ser de 1% a até dez vezes isso, dependendo do seu perfil ou do seu entusiasmo com a ideia de criptomoedas.

Divirto-me ao ver a reação das pessoas quanto ao fenômeno das moedas digitais. Acusações de bolha, lavagem de dinheiro e esquema pirâmide são lançadas com frequência. Se é bolha ou não, saberemos somente no futuro caso haja de fato um estouro. Esquema pirâmide, por outro lado, não faz sentido nenhum, já que as moedas não remuneram seus investidores (na pirâmide, os recursos dos novos investidores pagam os investidores mais antigos).

A maior crítica relacionada às criptomoedas é a de que elas não têm lastro, são invenções. São falsas, fake. É nítido o desconforto do establishment, tanto financeiro como governamental, com a ideia de moedas digitais. De Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, a Ilan Goldfajn, presidente do nosso BC, há um enorme coro institucional acusando o Bitcoin de fraude. E, ainda assim, com toda a crítica qualificada e credenciada, a moeda digital não para de se valorizar (no momento em que escrevo esta newsletter a cotação já ultrapassa os 40 mil reais).

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O Bitcoin é fraude? O Bitcoin é fake? É bolha? Talvez sim, talvez não. O que viabiliza o Bitcoin, além da sua genial arquitetura tecnológica apoiada no blockchain, é justamente a inacreditável fragilidade dos ativos financeiros tradicionais. Em um mundo artificial, onde governos, com seus burocratas, criam dinheiro do nada, por que não acreditar na novidade das moedas digitais?

Ah, mas o que garante o Bitcoin? Nada. E o que garante o nosso real? O governo brasileiro, cujo déficit nominal (contando juros) em um ano supera em 50% o valor de mercado do Bitcoin? E o dólar então, pendurado em um endividamento total americano de 20 trilhões e que aumenta a cada ano? E o euro, invenção inédita na história?

Em um mundo artificial, por que não uma moeda virtual? Agora, apesar da sua natureza “fake”, o Bitcoin é um fenômeno real. Esta semana realizei parte de um investimento que fiz no primeiro semestre. Como o Felipe sugeriu, vendi parte da minha posição, o equivalente ao valor original investido, e agora “brinco” com meu lucro de mais de 200%. Note que o meu principal voltou a estar em reais, aquela moeda forte, lastreada por 900 bilhões de déficit nominal.

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