O Macron brasileiro

Se nas eleições 2018 surgir uma liderança moderna, arejada e comprometida com as reformas de que o Brasil tanto precisa, poderemos viver anos de ouro para o mercado de capitais nacional. Esteja atento e preparado.

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O Macron brasileiro

Posso estar me adiantando (embora não seja o único), mas já estamos entrando na corrida eleitoral para 2018.

Em menos de 12 meses, já que o segundo turno está marcado para 30 de outubro, saberemos o nome do novo presidente do Brasil.

No recente evento de aniversário da Empiricus, o professor Eduardo Giannetti descreveu dois tipos de cenários eleitorais possíveis, dependendo da participação, ou não, de Lula.

Segundo Giannetti, o cenário com a presença de Lula promoveria uma polarização com algum oponente apresentando-se como o anti-Lula. Tal polarização daria força para posicionamentos radicais dos dois lados do espectro político, abrindo margem para plataformas populistas e oportunistas. Em consequência, o nível do debate político tenderia a manter-se raso, com ênfase em ataques pessoais e retóricas marqueteiras.

No outro cenário, sem a presença de Lula, abre-se o leque de candidatos viáveis. Ainda de acordo com Giannetti, caso isso ocorresse, teríamos uma situação semelhante à eleição da 1989, que elegeu Fernando Collor de Mello, quando tivemos 22 candidatos a presidente. O pleito combinava nomes tradicionais da política de então, como Leonel Brizola, Paulo Maluf e Ulysses Guimarães, que enfrentavam novidades como Lula, Collor e Enéas Carneiro.

O professor Eduardo Giannetti crê como mais provável o segundo cenário, já que entende como muito complicada a candidatura de Lula (que assim seja!). Com isso, estaríamos diante de um vasto leque de opções, turbinado pelo vácuo resultante da desintegração do PT e do PSDB, as duas legendas que dominaram os pleitos presidenciais das duas últimas décadas. Em vez da polarização do cenário com Lula, ficaria aberta a possibilidade de uma aglutinação no centro. A eventual candidatura de Luciano Huck ganha relevância justamente nesse cenário.

Leia mais: A hipótese Huck

O que vai acontecer ninguém sabe, especialmente os institutos de pesquisa. Em eleições recentes, observamos erros grotescos envolvendo pesquisas de boca de urna. Qualquer levantamento feito hoje sobre preferências eleitorais deve ser tratado como mera curiosidade.

Quero aqui recomendar o documentário sobre a campanha vencedora de Emmanuel Macron para a Presidência da França. O filme mostra a fenomenal trajetória de um candidato jovem (Macron fará 40 anos em dezembro) que, sem apoio de partidos tradicionais, iniciou sua campanha praticamente desconhecido do grande público e terminou sendo eleito com 66% dos votos no segundo turno.

O documentário me foi apresentado pelo Mario Sabino, do site O Antagonista, que voltou recentemente de Paris entusiasmado com as mudanças perceptíveis que Macron já conseguiu realizar em poucos meses de mandato.

Posso estar sendo demasiado otimista aqui, mas talvez o desencanto que vivemos possibilite o surgimento de uma liderança moderna, arejada e comprometida com as reformas de que o Brasil tanto precisa. Caso isso aconteça, poderemos viver anos de ouro para o mercado de capitais nacional. Esteja atento e preparado.

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