Criptomoedas e fat tails

Nas criptomoedas não existe um planejador central, controlando, regulando e estabelecendo as regras. Não há bancos centrais, governos, tratados internacionais. É a mais pura expressão da liberdade e do engenho humanos.

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Criptomoedas e fat tails

Aproveitando a folga dada pela escola dos meus filhos, passo o feriado prolongado na casa que alugamos para o fim de semana no interior de São Paulo. Ponte de feriado mexe com a nossa cabeça e confesso que quase me esqueci das minhas obrigações editoriais aqui com os leitores do 24/7. Liguei então para o Beto Altenhofen, CMO da Empiricus. Ao contrário do folgado aqui, o Beto está prestando o devido expediente no nosso QG lá na Faria Lima:

— Beto, estou por fora, alguma sugestão de tema para a minha newsletter?

— Caião, você viu o que está acontecendo com as bitcoins? Não deixe de tratar disso!

Ao desligar o telefone, de pronto acessei o Google Finance, buscando a cotação da moeda digital. Pronto! 7,269 dólares. Valorizou 70% nos últimos 30 dias e incríveis 660% desde o início do ano. Como se diz aqui em São Paulo: “mano do céu!”.

Não vou entrar aqui em análises sobre moedas digitais. Nem do ponto de vista financeiro, nem econômico, muito menos tecnológico. Quem manja disso tudo na Empiricus são os excelentes Vinícius Bazan e André Franco, do Crypto Alert. Quero tratar do fenômeno humano por trás das criptomoedas e, aproveitando a presença do Nassim Taleb no evento da Empiricus da semana que vem, falar das tais caudas longas (“fat tails”).

As criptomoeadas, lideradas pelo Bitcoin, são um fenômeno de natureza emergente, ou seja, um processo de formação de padrões complexos a partir de uma multiplicidade de interações simples. O blockchain, base das criptomoedas, tem sua arquitetura lastreada na interação de uma infinidade de participantes, organizados através de códigos de computador.

Nas criptomoedas não existe um planejador central, controlando, regulando e estabelecendo as regras. Não há bancos centrais, governos, tratados internacionais. É a mais pura expressão da liberdade e do engenho humanos. Libertário que sou, não consigo esconder meu entusiasmo pelo conceito.

Não à toa, o establishment, inconformado com ameaças ao seu poder, insiste em confrontar, diminuir e afastar o novo. Nada é mais forte, porém, do que um ideia cujo tempo chegou. Internet, serviços de streaming, Uber, carros elétricos são apenas alguns exemplos de conceitos inovadores que vão, progressivamente, ocupando espaços e desbancando ideias ultrapassadas.

O papo está bom, mas vamos ao que interessa. Qual o potencial de valorização (ou desvalorização) das criptomoedas? Estamos diante da oportunidade de uma vida ou da bolha de todas as bolhas. Muitos, nós da Empiricus inclusive, estão se dedicando diuturnamente em responder esta questão. Mas como o Felipe insiste em dizer, o futuro é opaco, não permitindo conhecermos o que está por vir.

E isso nos leva a Nassim Taleb. As criptomoedas, suas perspectivas futuras e sua viabilidade como moeda de fato são um fenômeno de cauda longa, ou fat tail. Ou seja, sua distribuição probabilística não obedece padrões gaussianos, representados pela Curva Normal, que aprendemos no colégio. Isso tem implicações relevantes sobre sua precificação e como encará-las do ponto de vista de investimento.

Para explicar melhor como se comportam os fenômenos “fat tails”, trago aqui um pequeno vídeo do grande Taleb:

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