A democracia do boleto

Na última quarta-feira, dia 17, publiquei o texto acima no Twitter. A enorme repercussão que se seguiu (1.240 retuítes e 5.739 likes) é um exemplo dos […]

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A democracia do boleto

Na última quarta-feira, dia 17, publiquei o texto acima no Twitter.

A enorme repercussão que se seguiu (1.240 retuítes e 5.739 likes) é um exemplo dos temas latentes que evolvem o atual debate eleitoral.

Estamos sendo inundados por explicações – e acusações – de especialistas sobre o que está acontecendo nestas eleições.

Os mais moderados falam em uma “onda conservadora”. Alguns chamam de um movimento reacionário, e outros de inclinação autoritária. E ainda há os extremos, colocando a pecha de racista, homofóbica, misógina e até mesmo fascista na maioria da população brasileira.

De minha parte, acho esse diagnóstico equivocado, servindo unicamente como base para ataques eleitoreiros.

A realidade é mais complexa, mas, paradoxalmente, muito mais simples.

Explico.

O tal do boleto bancário que citei – essa jabuticaba tão presente no nosso dia a dia (perdi a conta das vezes que tive que explicar o que eram boletos aos nossos sócios norte-americanos) – é somente uma alegoria para representar o que sentimos nos dias que correm.

E a ideia, para ser franco, nem é minha.

Estou com esse enorme “boleto” na cabeça desde que li o artigo do filósofo (viu, Marcelo D2?) Luiz Felipe Pondé publicado na Folha de S.Paulo na segunda-feira, dia 15.

Em mais uma brilhante peça, Pondé (que nos agraciou com sua presença no evento do oitavo aniversário da Empiricus, no ano passado) disserta sobre a relação marido e mulher, citando as “filósofas do interior” que dizem que “se sua mulher pedir pra você pular do telhado, reze para que ele não seja alto”.

E Pondé termina o texto de forma absolutamente magistral:

“Antes de tudo, a gente comum (que normalmente é casada e a mulher manda em casa, a fim de que a janta seja servida todos os dias) cansou de sentir que sua percepção de mundo é absurda, errada, reacionária, monstruosa, idiota ou cheia de ódio. 

Pelo contrário, muitas dessas pessoas querem apenas que seus filhos voltem vivos da escola e não que gastemos tempo e dinheiro com criminosos ou tristes vítimas de um passado ligado à ditadura. Tudo isso é muito distante delas. 

Os boletos que pagam todo dia parecem mais fundamentais do que muitas das discussões que os inteligentinhos levam a cabo na mídia, nas escolas, nas universidades ou na ‘arte’.

As redes sociais ‘libertaram’ a ira do Brasil profundo que paga boletos diariamente e que conhece homens que pulam felizes dos telhados há séculos.”

Os pagadores de boleto somos todos nós, cidadãos de bem, trabalhadores, profissionais, empresários, aposentados, preocupados em cumprir suas obrigações e deveres.

Queremos poder sair para trabalhar e voltar vivos para casa. Queremos que os nossos filhos e filhas estudem em escolas de qualidade e que se espelhem em modelos de dedicação, esforço e disciplina.

Para nós, o mês é sempre curto, e as contas não se pagam sozinhas. Não temos privilégios, cotas, bolsas ou leis de incentivo. Não temos bancada no Congresso, muito menos lobby. Mas bancamos com nossos impostos tudo isso que está aí.

Empiricus, assim como nossas demais empresas, foi feita por pagadores de boletos para pagadores de boletos.

Como bem disse meu sócio – e disciplinado pagador de boletos – Felipe Miranda:

“A Empiricus tem uma única pauta: ajudar as pessoas a pagarem seus boletos com mais tranquilidade. Se sobrar algum no final do mês, melhor ainda. Podemos realizar os sonhos, crescer o bolo, nos aposentar antes, curtir a vida, deixar um patrimônio legal para os filhos.”

O Felipe também me pediu para compartilhar com você este vídeo. Traz uma boa ideia para ajudar a pagar os boletos.