Faz-me rir

Para muitos de nossos assinantes o conceito de investir em ações de empresas que pagam dividendos era novo. A metáfora da gorda vaca dando leite diariamente nos pareceu – e ainda nos parece – válida.

Compartilhe:
Faz-me rir

Certa vez, lá pelos idos de 2014, quando a Empiricus começou a ficar conhecida, tive uma reunião com um dos mais importantes investidores de Bolsa no país, sócio também de uma gestora de renome aqui em São Paulo.

Esse senhor estava interessado em conhecer melhor a nossa, então recém-lançada, série Vacas Leiteiras, cujo tema é o universo de ações pagadoras de dividendos.

Falamos da série e também conversamos bastante sobre o modelo de negócios da Empiricus. Além de seus investimentos em ações, meu interlocutor tinha (e continua a ter) participações relevantes em empresas de varejo. Com isso, a nossa estratégia de marketing era algo também de seu interesse.

Lá pelas tantas, fui questionado sobre o nome da série.

“Caio, já li algumas das edições e achei o material de altíssima qualidade, mas não gostei muito do nome.”

Ao responder, expliquei que para muitos de nossos assinantes o conceito de investir em ações de empresas que pagam dividendos era novo.

O investimento em ações, algo por si só novo na cultura de investimentos do brasileiro, tradicionalmente está ligado à expectativa de apreciação da cotação dos papéis. Comprar ações com objetivo de renda não é uma das modalidades mais comuns de investimentos por aqui, ao contrário do que acontece há décadas em mercados de capitais desenvolvidos, tal como o norte-americano.

A metáfora da gorda vaca dando leite diariamente nos pareceu – e ainda nos parece – válida. O próprio sucesso da série, uma das mais populares da Casa, comprova nosso acerto.

Mas voltando ao papo de quatro anos atrás.

“A Empiricus deveria mudar o nome da série para ‘Faz-me rir’. Toda vez que recebo dividendos das ações que invisto me dá uma alegria, sabe? O nome ideal deveria ser esse, Caio.”

Agradeci e concordei que era uma boa sugestão. Por alguma razão, é difícil discordar de alguém cujo patrimônio está na casa dos dez dígitos. De qualquer forma, mantive o nome e, de quebra, saí com uma assinatura vendida.

Quatro anos depois a situação evoluiu.

A Empiricus saiu dos cerca de 20 mil assinantes que tínhamos à época para quase 200 mil hoje. Desses, quase 50 mil tem acesso à série Vacas Leiteiras e às ideias de investimento do grande Sérgio Oba. Em um país com cerca de 600 mil CPFs ativos na Bolsa, nossos números são relevantes e indicam um efetivo impacto no hábito do brasileiro em investir em ações que pagam dividendos.

Além disso, a nova normal dos juros no Brasil, com a Selic encostando nos 6 por cento ao ano, muda radicalmente o jogo. Puxei a tabela de sugestões de Vacas Leiteiras do Oba e vi que todas têm um dividend yield acima de 4,5 por cento ao ano. Dividend yield é o quanto cada ação paga em dividendos ao ano dividido pelo preço do papel.  Em outras palavras, é a renda que a ação paga sobre o dinheiro investido.

A coisa fica mais divertida quando lembramos que dividendos são isentos de Imposto de Renda no Brasil, o que não acontece obviamente com a renda dos juros.

Investimentos em ativos de renda em geral, aqui incluo imóveis, fundos imobiliários também, passam a ficar mais interessantes do que nunca diante deste novo cenário. O custo de oportunidade em investir em renda diminui drasticamente com os cortes da Selic. Afinal, investimentos em renda fixa de curto prazo estão rendendo cerca de 1,5 por cento ao ano em termos reais, descontados impostos e inflação. Em contrapartida, hoje podemos investir em ações de empresas de primeira linha, com negócios sólidos e com perspectivas de crescimento e, ao mesmo tempo, receber dividendos que nos remuneram muito melhor do que as aplicações tradicionais.

Vacas Leiteiras, Faz-me Rir… chame como quiser. Mas não há como negar que o pinga-pinga do dinheiro caindo na conta é um grande barato.