Conteúdo nacional

Destinos turísticos, produtos culturais, modas, tendências, o brasileiro é um povo aberto aos gostos internacionais, mas não à ideia de investimento fora do Brasil.

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Há vários aspectos irracionais no mundo dos investimentos. As finanças comportamentais representam o nosso esforço de entender o porquê das nossas decisões de investimento.

O Prêmio Nobel de Economia de 2002, o psicólogo Daniel Kahneman (que tivemos a honra de receber em um evento da Empiricus há dois anos), nos ensina como erramos quando o assunto é investir. Compramos ações pelos motivos errados, vendemos muito cedo os bons papéis e seguramos os micos; criamos narrativas “ex-post” para justificar nossas decisões e por aí vai. O resultado aparece na forma de retornos piores atrelados a riscos desnecessários.

Aqui na Empiricus, uma publicadora com cerca de 200 mil assinantes pagantes, é possível notar comportamentos que não podem ser explicados por argumentos racionais. Todavia, com a abrangência que temos, é possível entender padrões comuns aos investidores brasileiros, principalmente os pessoas físicas. Entre outras anomalias, destaco a sub-representação de ativos internacionais em nossas carteiras.

O brasileiro pensa em investimentos brasucas. Ações de empresas brasileiras, fundos brasileiros, renda fixa brasileira. Existe uma limitação mental que nos impede de abrir os horizontes para além-mar. Estranhamente, tal preferência pelo nacional não se reconcilia com a atração tupiniquim pelo que vem de fora. Destinos turísticos, produtos culturais, modas, tendências. O brasileiro é um povo aberto aos gostos internacionais, mas não com seus investimentos.

Há razões históricas para isso. Tivemos controles rígidos de capital até um passado recente. Os mais antigos, dentre os quais me incluo, ainda se lembram do limite de mil dólares para viagens internacionais, quando tínhamos nossas passagens devidamente carimbadas quando da aquisição de moeda estrangeira. Investir fora do país era praticamente ilegal, e tal ideia ainda permanece de alguma forma em nosso inconsciente coletivo.

Quando, em 2014, a Empiricus sugeriu aos seus assinantes a diminuição de sua exposição a ativos brasileiros (por meio de nosso documento “O Fim do Brasil”) fomos tachados de terroristas financeiros e de fomentadores de fuga de capitais do país. Inacreditavelmente, existe até hoje uma investigação aberta no Ministério Público Federal que tenta nos atribuir tal papel desestabilizador da economia nacional.

O sistema financeiro, sob a batuta do Banco Central, contribui para a manutenção do status quo. Você sabe por que o seu gerente de banco não lhe oferece produtos de investimento no exterior? Por conta de uma circular do próprio BC, publicada há mais de cinquenta anos. A Circular 24/66 diz o seguinte:

“Nos termos de decisão do Conselho Monetário Nacional de 8 de fevereiro de 1966, comunicamos que é expressamente vedado às instituições financeiras, por qualquer forma, aplicar ou promover a colocação, no exterior, de recursos coletados no país.”

Do ponto de vista de gestão de carteiras, nossos portfólios são frágeis, desproporcionalmente carregados de ativos de um único país que, cá entre nós, não é um “exeeeeeemplo” de estabilidade.

Precisamos nos libertar das amarras deste nacionalismo chinfrim. Mas estou convencido de que as mudanças serão rápidas, felizmente. As plataformas digitais nos aproximaram das oportunidades globais. Note o caso das criptomoedas. Mais de 1 milhão de brasileiros investiram em algo novo, sem nacionalidade. Pela sua natureza inédita, pensamos no investimento em moedas digitais sem os grilhões do tradicional.

No ano passado, a Empiricus passou a contribuir para a ampliação dos horizontes dos nossos leitores. Lançamos a série MoneyRider, do João Piccioni, que traz as melhores ideias de alocações em ações internacionais. E, mais recentemente, a Luciana Seabra, da série Melhores Fundos de Investimento, começou a sugerir veículos de investimento com exposição lá fora.

Não vamos parar por aí. Temos novidades sendo preparadas especialmente para você. Aguarde!