Que juro foi esse?

A taxa de juros nominais impactam fortemente o comportamento dos investidores pessoas físicas. Frases como “o dinheiro não rende mais nada” e “estou recebendo uma mixaria pelas minhas aplicações” tornaram-se corriqueiras nos bate-papos do dia a dia.

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Que juro foi esse?

Esta semana tivemos a ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom.

A ata em si não trouxe grandes novidades, mas confirmou o entendimento de que haverá mais um corte de 0,25% na taxa básica de juros, a Selic, e abriu a possibilidade de pelo menos mais uma queda no atual ciclo. Caso esse segundo talho se confirme, chegaremos a uma taxa de 6% ao ano, absolutamente inédita no país.

Com juros baixos assim, impensáveis pouco tempo atrás, toda a dinâmica dos investimentos no Brasil muda.

Note que os juros estão baixos, tantos nas taxas nominais, quanto nas reais.

Taxas de juros reais baixas afetam especialmente os fundos de previdência privada, cujas metas atuariais ficam mais difíceis de serem atingidas. Naturalmente, esse grupo de investidores profissionais, historicamente subinvestido em renda variável, terá que se aventurar na Bolsa. Desse modo, investidores individuais em ações devem se beneficiar fortemente com o fluxo adicional.

Por sua vez, taxa de juros nominais impactam fortemente o comportamento dos investidores pessoas físicas. Frases como “o dinheiro não rende mais nada” e “estou recebendo uma mixaria pelas minhas aplicações” tornaram-se corriqueiras nos bate-papos do dia a dia.

Algumas coisas já mudaram. O redutor na remuneração das cadernetas de poupança começou a vigorar desde o segundo semestre do ano passado, quando a Selic foi abaixo de 8,5% ao ano. Com a redução anunciada para a próxima reunião do Copom, a rentabilidade das cadernetas estará abaixo de 4,5%.

Tal redução foi um “presentinho” da ex-presidente Dilma Rousseff, por meio de uma medida provisória de maio de 2012. O mercado financeiro como um todo bateu palmas para a MP, que, segundo o próprio, garantiria o equilíbrio entre as modalidades de aplicação disponíveis. Estranhamente, não vimos a mesma preocupação com a falta de paridade quando a Selic foi acima de 14%. Na época, em 2015, a inflação estava acima de 10% ao ano e a poupança rendia menos do que a própria inflação.

Afinal de contas, os gananciosos poupadores não podem ter rentabilidade acima da Selic, merecendo um belo redutor nos seus rendimentos. Por outro lado, quando a inflação alta corroía o patrimônio de todos, nada foi feito. Claramente tem um jogo aí, e as regras não foram feitas para as pessoas físicas.

Juros nominais baixos também atrapalham o belo negócio de fundos dos grandes bancos. Cobrar 2% de taxa de administração de um fundo DI quando a Selic está acima dos 14% machuca, mas passa meio desapercebido no meio da gorda rentabilidade nominal. A mesma taxa retiraria quase 30% do rendimento do mesmo fundo nas taxas de hoje. Juntado ao imposto de renda das aplicações de curto prazo, mas da metade da rentabilidade vai embora. O que sobra é menor do que recebemos na poupança, com redutor da Dilma e tudo. Saiba mais sobre isso aqui.

Vai ter que ter muita propaganda de banco bonitinha, com discursos motivacionais do Tite e músicas inspiradas, para seguir anestesiando os brasileiros, tirando atenção da nova realidade que vivemos.

Será divertido observar.

Com juros mais baixos, ressalto ainda a estratégia focada em ações boas pagadoras de dividendos. Elas têm benefício duplo: além de gerarem uma renda periódica (algumas empresas chegam a distribuir dividendos mensalmente), você também tem ganhos de capital, a partir da valorização das ações. Veja aqui o conteúdo que preparamos sobre o tema.