O Pacto dos 20 minutos

Sento-me todos os dias com gestores de recursos, cada um com um jeito diferente de investir. Posso dizer que há duas coisas em comum entre eles: são ricos e devoram livros.

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O Pacto dos 20 minutos

“A língua e eu somos um casal de amantes
que juntos procriam apaixonadamente.”
João Guimarães Rosa

Tomei a decisão há quase um ano. Estava eu em Paraty, cercada de livros e escritores por todos os lados, e me consumia uma angústia: quantas vidas serão necessárias para ler todas as páginas que preciso e desejo se a cada dia tenho menos tempo para isso?

Foi ali que fiz comigo mesma o Pacto dos 20 minutos: todos os dias, seja qual for o local, humor, cansaço e o tamanho da montanha de coisas a fazer, dedico 20 minutos a um livro. As regras são claras. Coloco o celular para despertar e, ao longo daquele intervalo, não tem WhatsApp capaz de me desconcentrar – meu mundo é a leitura.

Seriam 73 horas debruçada sobre livros desde então, não fosse o fato de que o tempo mínimo não é negociável, o máximo, sim. Com frequência, começo forçada, depois de um dia difícil, mas logo mergulho ali com tal intensidade, que recorro à função soneca algumas vezes. Comer, coçar e ler é só começar.

O saldo é admirável: corro com velocidade pela lista de livros que sempre sonhei ler. Eles deixaram de ser um sonho frustrado.

Recentemente, refinei a estratégia: 10 minutos para literatura, 10 minutos para economia e finanças. Foi assim que Alain de Botton e Nassim Taleb se encontraram em minha mente em um inusitado “amor antifrágil” (leia os dois e entenda).

E se eu não conseguir ler alguns desses livros? Perdi a culpa em acumulá-los na estante desde que Taleb nomeou a coleção de 30 mil livros de Umberto Eco de “antibiblioteca”. Os livros já lidos são menos valiosos do que os não lidos, escreveu.

Os não lidos me ameaçam diariamente, como quem diz: “Você não sabe de nada, estúpida”. Que poderosa constatação para quem lida com investimentos…

Tenho uma motivação adicional para acumular livros, digna de divã, que confessei dia desses a uma grande amiga, dona de uma poderosa biblioteca: “Se um dia eu ficar de cama, muito doente, terei a companhia deles”. Ao que ela rebateu rapidamente: “Já pensei nisso, mas e se a gente ficar cega?”. Aí, Vic, você vai ter que ler pra mim. E, sendo assim, é melhor ajudar a escolher.

A Bia Nantes roubou a Vic do mercado aqui para a Empiricus: Victória Mantoan, jornalista, historiadora, leitora inveterada, companheira de feiras literárias, a pessoa que me apresentou Mario Benedetti, Jennifer Egan e Alejandro Zambra em troca de Dan Ariely, Roger Lowenstein, Nassim Taleb e – por que não? – um fundo DI barato.

A Victória se sentou com nosso Rodolfo Amstalden, cujo nível intelectual dispensa apresentações neste espaço, e daí nasceu a Empiricus Books.

Sim, um clube do livro de investimentos! – que eu assinei rapidamente, depois de assistir à Victória negociando há meses com peixes grandes do mercado editorial uma exclusividade, uma edição especial ou uma tradução de obra esgotada para compor essa coleção.

É óbvio que já espiei e, do bom gosto da Victória, vêm edições absurdamente lindas, dignas de compor minha biblioteca. E também minha “antibiblioteca”.

O Rodolfo escolheu a primeira obra que vai chegar à sua casa. Como o mistério é o grande charme do clube, não posso antecipar aqui. Mas adianto que vai ajudar você a bater o mercado (talvez a Vic fique brava com esse spoiler).

Como convidada para a curadoria, também já estou escolhendo meu favorito. Porque aqui é assim: o curador escolhe e a Victória se vira para encontrar, comprar os direitos, traduzir, editar e fazer o título chegar à sua prateleira. Sempre quis brincar disso.

E, melhor, o preço é ridículo perto do dinheiro que ler esses livros vai me fazer ganhar. Sento-me todos os dias com gestores de recursos, cada um com um jeito diferente de investir. Posso dizer que há duas coisas em comum entre eles:

  1. Eles são ricos;
  2. Eles devoram livros.

Conheça agora a Empiricus Books.

Hoje vou me antecipar às suas dúvidas. Em muito breve, você vai começar a ouvir falar de um novo fundo que começa a chegar às plataformas de varejo: Vinci Mosaico.

Pode ser que você já tenha ouvido falar da Vinci em outros dois segmentos em que é referência: dividendos e private equity. Com o Mosaico, a casa pretende ser mais ativa no varejo em outra arena: a de fundos de ações livres.

O produto, na verdade, não é completamente novo. Ele traz o histórico de gestão de Roberto Knoepfelmacher (desafio você a falar esse sobrenome em voz alta).

Roberto participou dos primórdios da Gas, depois comprada pela Vinci, saiu para montar a própria casa, a Mosaico, em 2009, e agora volta à equipe da Vinci, levando o fundo dentro da mala. Ele fica no lugar de José Rolim e incorpora o fundo dele, o Lotus.

O gestor adora empresas fora do radar e com baixa liquidez, as small caps. Não é sua única escolha, entretanto, antes que isso traga a você uma memória dos anos Dilma, quando vários desses produtos sofreram fortes resgates e prejuízos, diante da necessidade de vender rapidamente papéis pouco negociados.

Metade do fundo hoje está alocada em small e mid caps, mas a carteira também tem empresas bastante negociadas, como Itaú, Equatorial, Transmissão Paulista e BRMalls. E as fatias não são fixas.

O mix entre empresas pró-cíclicas e anticíclicas também é buscado. “Sentimos necessidade de ter uma combinação boa entre atacantes e zagueiros”, diz Roberto, que busca companhias baratas nos dois ambientes.

De qualquer forma, é um passaporte apimentado para a Bolsa. Em seu pior ano, 2015, o fundo perdeu 16,16%, prejuízo maior do que os 13,31% do Ibovespa, o que mostra a conexão com small caps. O índice de empresas de baixa liquidez caiu naquele ano 22,36%.

Em todos os demais anos de sua história, iniciada em 2010, o produto bateu o índice. O melhor foi 2016, quando o fundo rendeu 44,85%, acima dos 38,93% do Ibovespa, em uma virada de mercado que muitos gestores não captaram.

Outra característica do fundo é a avaliação de dinâmicas setoriais, além da história de cada companhia. Roberto aponta que quem estava em siderúrgicas, no período de 2004 a 2007, ganhou mais do que o dobro da Bolsa, assim como em vestuário, de 2010 a 2012, ou em educação, de 2012 a 2014.

O duro é identificar o setor do momento. O gestor aposta agora, por exemplo, nos segmentos de saúde e de construção civil voltada para o público de baixa renda.

Outro tema que Roberto gosta é o de histórias de “compound”: empresas que têm um modelo de negócio vencedor, alto retorno sobre investimento e claras avenidas de crescimento, ainda que pareçam caras pela relação entre preço e lucro. Ele exemplifica com Lojas Americanas e Localiza.

Pronto, agora você conhece o Roberto e o Vinci Mosaico. Já, já você vai ouvir falar dele por aí. O fundo acaba de entrar no nosso radar para avaliações quantitativas e qualitativas. Para saber se é ou não uma boa ideia para seu portfólio, é só assinar Os Melhores Fundos de Investimento.

 

TOPA O PACTO DOS 20 MINUTOS?
Em pouco tempo, minhas conversas ficaram mais ricas, meus investimentos, mais rentáveis e – talvez você tenha percebido – meus textos, mais inspirados. Conte para mim o efeito na sua vida daqui a um ano.