S02E19 – FORTUNE’S FOOL

Até que os dois primeiros alpinistas atingissem o cume do Everest, muita gente que morreu antes (e depois) da façanha. Mais importante do que ficar rico (ou famoso) é se manter vivo.

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Oasis – Familiar to Millions

 

Há alguns anos, um juiz pegou uma de minhas posições e o mercado no contrapé: bastou uma sentença desfavorável e os papéis caíram quase 30% em menos de um mês.

No meio da confusão, fiz o que era possível: levantei dados, fui atrás da agência reguladora, conversei com outros analistas, advogados e, claro, com a empresa.

Mesmo depois de levantar essas informações, era (e ainda é) absolutamente impossível saber o que vai acontecer. Como prever o desfecho de um julgamento?

Assim, quando fui questionado pelo gestor do fundo o que fazer com a posição, dei a resposta mais honesta possível: “Não sei. Acho que o melhor é não fazer nada”.

Via de regra, a expressão “não sei” é proibida no mercado financeiro.

O “bom analista” tem opiniões fortes e convictas sobre tudo – se não sabe, inventa algo ali na hora, de improviso, como um bom repentista. Só não pode deixar o cliente sem resposta – a resposta errada é melhor do que resposta nenhuma.

Dito isso, claro que a reação à minha honestidade não foi das melhores e, desconfio, isso teve um impacto não muito pequeno no meu bônus daquele ano.

Essa história pesou bastante quando o Felipe me fez a proposta para assumir o portfólio de fundos imobiliários aqui na Empiricus.

Em minhas primeiras conversas com o “careca”, ficou claro que ele tinha uma certa reverência em relação ao desconhecido. Um ar de humildade frente à imprevisibilidade do amanhã.

Sempre achei o “Como você se vê daqui dois anos?” um despropósito sem tamanho. “Amigo, eu nem sei o que vou fazer amanhã à tarde.”

Como discípulo de Ian Malcolm e devoto fervoroso da teoria do caos (google it), sempre soube que estou à mercê de vontades que não me pertencem. “Oh, I am fortune’s fool”, grita Romeu enquanto espera por sua sentença.

Não demorou muito e fui percebendo que não só é ok não ter respostas para todas as perguntas – aliás, esse é o grande diferencial aqui da Empiricus.

“Nossa única vantagem, se é que temos alguma, é saber que não sabemos.”

Quando você acha que está melhor informado e/ou preparado, o mercado apronta alguma e mostra que, em termos de saber alguma coisa, a gente não passa de um Jon Snow que calcula Ebitda e manja um pouco de balanços.

Aceitar essa condição implica em um modo diferente de viver e de construir seu portfólio – jamais concentrar demais, sempre duvidar de suas posições e o tempo todo carregar seguros – são eles que te salvam do imprevisto e dão serenidade no dia em que o mercado desabar na sua frente.

Claro que há pessoas que apostaram tudo numa posição e ficaram ricas – tem a já folclórica história do cara que vendeu o apartamento e colocou tudo em Gerdau em 2015 – deve estar rindo à toa hoje.

Mas para cada história de sucesso, há dezenas de relatos de fracassos.

Edmund Hilary e Tenzing “Sherpa” Norgay pisaram no topo do Everest em maio de 1953, mas teve muita gente que morreu antes (e depois) da façanha. Até que os dois atingissem o cume, 13 pessoas morreram e dezenas voltaram da empreitada sem concluir o objetivo.

Lembre-se: mais importante do que ficar rico (ou famoso) é se manter vivo.

Acredite, quanto mais você aceitar sua ignorância, mais chance você tem de acordar amanhã.

Antes de se espelhar no Buffett, tenha certeza de que não está no caminho para ser o próximo Eike.

Pensando nessas ideias e nessa forma de encarar o mundo, gostaria de te fazer um convite.

Estou lançando um projeto revolucionário aqui na na Empiricus – mobilizamos toda a equipe de análise para que você tenha acesso às melhores ferramentas de investimento, aquelas que o seu banco só disponibiliza para clientes com mais de 10 milhões de reais investidos.

O que o seu gerente não conta é que hoje em dia você pode investir como os profissionais e os milionários, valendo-se de técnicas sofisticadas e produtos de primeira linha – quando você chega na agência tudo que te oferecem é um Título de Capitalização (que é praticamente um crime), aquele fundo “ótimo” com taxa de administração de 3% ao ano e a boa e velha poupança, que não te leva a lugar nenhum.

Se você está cansado de ver seu dinheiro render pouco e deseja conquistar seus objetivos e sua liberdade financeira, confira aqui como participar da Jornada INS.

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