S02E16 – Curtindo a vida adoidado

Com muita confiança, você aumenta o risco, reduz as proteções e… lá vem a ruína te esperando ali na esquina, de braços abertos.

Compartilhe:
Enviar link para o meu e-mail
S02E16 – Curtindo a vida adoidado

Trilha da semana
Empire Records Soundtrack

“Só se vive uma vez” serve de justificativa para todo tipo de besteiras – há alguns anos, a molecada até inventou uma expressão (yolo – you only live once) para dar ares de meme à tradição secular da inconsequência juvenil.

Desperte o Ferris Bueller que há em você, yolo.

Com o passar do tempo, as pessoas (algumas) amadurecem e se dão conta de que, oras, só se vive uma vez!

Não tem muito espaço para erros: a não ser que você tenha um capacitor de fluxo e um DeLorean, se cometer um grande erro, é possível que não tenha muito jeito de arrumar a bagunça.

Isso vale para aquela briga besta que você teve com seu pai na última vez que se viram. Vale para aquele feriadão em que você resolveu confiar na tabelinha e vale para aquela noite em que você achou que três tequilas, dois whiskies e quantidades industriais de cerveja não eram motivos para chamar um táxi. Pior: como chovia, o álcool ainda despertou o Senna que há em você.

Mais do que evitar os erros, se você não vai viver outra vez, sua principal preocupação todo dia quando acorda deve ser justamente conseguir acordar no dia seguinte. Morrer é o fim do jogo, sem a tela de “Continue” para te dar uma segunda chance.

É preciso sobreviver a todo custo, essencialmente, nada é mais importante do que isso.

Sempre olhar para os dois lados antes de atravessar a rua.

Vale para sua vida. Vale para sua carteira: em hipótese alguma você pode falir. Posto isso, nenhum investimento que possa, mesmo que muito remotamente, te levar à ruína, deve ser feito.

Vender calls, comprar Eletropaulo alavancada e colocar 100% da carteira naquela dica quente da professora de yoga estão completamente fora de questão.

É por isso que é sempre bom duvidar das suas certezas. Investidor muito convicto quebra a cara.

Estudos recentes (não tão recentes, confesso) apontam que conforme você levanta dados sobre um ativo, sua convicção e seu índice de acerto vão subindo em paralelo até um determinado ponto. A partir desse ponto “ótimo”, sua convicção continua crescendo, mas seu índice de acerto fica ali parado.

Muita informação não te leva a acertar mais. Ela só te leva a ter mais certeza de que você está certo. Com muita confiança, você aumenta o risco, reduz as proteções e… lá vem a ruína te esperando ali na esquina, de braços abertos.

A verdade é que, depois que você se convence de uma tese, passa a buscar dados que a corroborem, num processo de autoafirmação. A melhor forma de evitar cair nessa armadilha é ter disciplina. Leia, estude e forme uma opinião.

Leia mais: Sem proteção, depois de nove meses você vê o resultado

Depois de uns dias, revisite o caso. Busque informações contrárias. Converse com quem não concorda com você. Tente se convencer do contrário.

Um gestor com quem trabalhei sempre falava: você tem que “kill the company”, ou seja, faça projeções extremamente negativas. Veja se a empresa ainda para de pé mesmo depois de apanhar bastante.

Quem assistiu ao filme “Guerra Mundial Z” talvez se lembre da teoria do décimo cara: quando nove conselheiros votam unanimemente e descartam a probabilidade de uma catástrofe ocorrer, um décimo membro é chamado para se preparar como se tal catástrofe fosse acontecer com certeza.

Seja você mesmo o seu décimo cara. Pense no que de pior pode acontecer e só siga em frente com seu investimento se, mesmo no pior dos cenários, você tiver garantias de que estará em pé no dia seguinte.

Diversifique, compre seguros, tenha posições antagônicas.

Conteúdo recomendado