S02E15 – Os Cães Ladram e a Caravana Passa

Ouviu-se boas notícias: a crise acabou, há crescimento e teremos uma retomada cíclica da economia. Então, qual é o problema?

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S02E15 – Os Cães Ladram e a Caravana Passa

Trilha da semana
Let’s Play Two – Pearl Jam

 

Terça-feira foi dia de festa – a Empiricus comemorou seus 8 anos de vida em grande estilo, com direito a petiscos, pão de mel e a presença de três caras que dispensam apresentação.

Foi maravilhoso ouvir as verdades controversas de Luiz Felipe Pondé e os ensinamentos valiosos de Nassim Taleb, nosso “pai” e muso inspirador.

Com todo o respeito aos dois “monstros” sagrados que pisaram no auditório do JK Iguatemi, devo dizer que a melhor palestra da tarde, na minha humilde e irrelevante opinião, foi a do professor Eduardo Giannetti.

Foi ao mesmo tempo impressionante e inspiradora.

Com uma linha precisa e enxuta, Giannetti explicou, no intervalo de alguns minutos, o que se passou com o Brasil desde a Constituinte de 88.

Antes de falar sobre os nossos problemas históricos e de como chegamos aonde chegamos, Giannetti nos deu boas notícias: a crise acabou, há crescimento e teremos uma retomada cíclica da economia.

A má notícia? Exatamente o termo “cíclica”. Não endereçamos todos os problemas estruturais e, a se manter tudo como está, nada de crescimento sustentável.

Novas crises e problemas nos esperam ali na esquina.

Depois, seguiu com a aula sobre o aumento da carga tributária, que saiu de algo em torno de 25% do PIB para enormes 35% ao ano. Some a isso nosso déficit fiscal e temos quase 45% de tudo que é produzido por aqui transitando por alguma esfera do Estado brasileiro.

Em breves palavras, o professor nos lembra que a “Nova Matriz Econômica” só foi nova no nome. Quem conhece os pilares do “milagre econômico” de Geisel sabe que a ideia de crescer com dívida pública não tem nada de original e já trouxe resultados desastrosos como inflação, recessão e desequilíbrio fiscal.

Giannetti também cutuca a ferida e critica o empresariado, que não teve pudor nenhum ao aceitar os subsídios anabolizantes que inflaram crescimento e criaram os “campeões nacionais”, em detrimento da livre concorrência.

O encontro perfeito: políticos desejosos de poder eterno com os empresários atrás da riqueza infinita. A parceria certamente não foi inventada nos últimos 14 anos, nem é exclusividade de uma única legenda, mas foi levada às últimas consequências durante os governos lulopetistas – as delações dos executivos da Odebrecht e da JBS não nos deixam mentir.

De nada adianta colocar o pato na Paulista sem ao menos fazer um mea-culpa.

Enquanto o dinheiro do BNDES inflava o caixa das principais empresas do país, não ouviu-se reclamação nos corredores da Fiesp e de suas pares espalhadas pelo país.

Mais do que isso, Giannetti desnudou os problemas do nosso pacto federativo – um “puxadinho” que, ao tentar distribuir o poder da União para Estados e municípios, criou uma sobreposição de alçadas e armadilhas burocráticas que engessam e oprimem empresas e cidadãos.

Não me recordo da frase palavra por palavra, mas a ideia final que Giannetti deixou no ar foi: “Antes de resolvermos o Brasil, é preciso resolver Brasília”.

No encerramento, claro que endereçou o problema fiscal e a espinhosa reforma da Previdência. Envelhecemos e viveremos cada vez mais; a conta chegou e só vai aumentar.

Se não mudarmos as regras, a coisa toda vai para o buraco. Se você duvida, pergunte aos pensionistas no Rio de Janeiro.

Em quantas parcelas virá o 13º?

Cada vez mais é preciso que se ouça pessoas sinceras como Giannetti. Sem demagogia ou ideologia, ele, um apoiador histórico de Marina Silva, fez um levantamento dos méritos do governo Temer muito mais sóbrio e sensato do que 99% da imprensa “isenta” nacional.

Domamos a inflação. Controlamos o câmbio. Há um (pequeno) crescimento. O desemprego caiu.

Tudo isso é, sim, mérito de Temer (com grande ajuda da equipe de Meirelles). Não fosse toda a presepada de Rodrigo Janot, poderíamos estar andando por aí olhando para argentinos e uruguaios com cara de suíços.

No dia anterior, talvez cansado do desgaste de lutar por uma medida impopular, Temer sinalizou que desistira da reforma da Previdência.

Mesmo “já estando no preço dos ativos”, a notícia desencadeou uma onda de pânico pelos mercados: enquanto Giannetti respondia às perguntas da plateia, a Bolsa caminhava para encerrar o pregão com mais de 2,5% de queda.

Horas depois, Temer voltou atrás. Gravou um vídeo pedindo o apoio da população, num último esforço para passar a Previdência. Foi o suficiente para o mercado voltar a subir no dia seguinte – quase 2% de alta.

Se você se assustou com a queda de terça ou se animou demais com a alta de quarta, sinto lhe informar, mas talvez a Bolsa não seja para você. Ainda mais com o cenário binário que se desenha para as eleições do ano que vem.

Não se sinta mal, tem muito investidor “profissional”, cheio de certificações e com MBA, que também se assusta fácil – o que não falta é ordem de stop pronta para ser disparada ao menor sinal de problema.

Mas se você realmente quiser investir como os bons gestores, os que não saem por aí comprando e vendendo a cada vídeo do presidente, ou a cada notícia estranha da “imprensa especializada”, vou te contar um segredo.

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Há oito anos, a Empiricus nascia com um único objetivo – mostrar às pessoas físicas que é possível investir tão bem ou até melhor do que os melhores e mais profissionais – as ferramentas que já estão disponíveis vão ficar um pouco mais acessíveis em breve.

Mesmo que eu não concorde com cada palavra publicada pela Empiricus, nunca tive tanta certeza de que estou no lugar certo como nos últimos dois dias. Seja pela qualidade das palestras de terça, seja pela resposta de nossos assinantes aos fatos recentes.

Felipe, Rodolfo e Caio têm essa ideia louca na cabeça – investimento bom é para todos – e vão seguir lutando enquanto essa mensagem não chegar em todos os cantos.

Citando o Felipe, que citou Cervantes: “Os cães ladram, Sancho. Sinal que avançamos”.

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