S02E17 – De Grão em Grão…

Não dá para deixar o dinheiro parado na poupança – isso só aumenta o lucro do banco e “come” uma bela parte de seus rendimentos. Esse medo misturado com preguiça ajudam, e muito, os banqueiros a ficarem cada vez mais ricos!

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S02E17 – De Grão em Grão…

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Arctic Monkeys – Favourite Worst Nightmare

 

Quanto você está disposto a andar a mais para economizar na hora de encher o tanque? Tem sempre aquele posto, um pouco fora de mão, que cobra uns 10 centavos a menos por litro.

Você perde bem uns dez minutos quando vai abastecer o carro, mas os 5 reais de economia fazem toda a diferença, não?

E a pesquisa de preços no mercado? O arroz mais baratinho no Carrefour, o açúcar no Extra e aquela cerveja em promoção no Pão de Açúcar?

Eu, por exemplo, só compro produtos de limpeza no atacadista perto da minha casa, que minha namorada e eu carinhosamente apelidamos de “gueto”: “Vou lá no gueto comprar um detergente, quer alguma coisa?”.

O carrinho tem sempre uma roda travada (mentira, trocaram todos os carrinhos esses dias) e a disposição dos produtos é, no mínimo, peculiar – tem Maizena misturada com Kit Kat, mas quem se importa? Devo economizar uns bons trocados toda vez que vou lá.

Quando vou à feira, sempre dou aquela chorada – a caixa de figo sai de 10 por 8 reais, três abacaxis fatiados por 18 reais e o pé de brócolis sai por 5. A pimenta dedo-de-moça vem de brinde porque ninguém tem coragem de cobrar por uma mísera pimentinha.

E por aí vai.

Imagino que os donos e donas de casa espalhados pelo Brasil também se preocupem com esse tipo de coisa – o sucesso da Black Friday está aí para comprovar: gostamos todos de uma boa pechincha.

Mas economizar é só uma parte da equação. Tão importante quanto é saber onde colocar essa grana que te sobra da sovinice cotidiana.

Mesmo que suas pechinchas diárias não te gerem uma grana extra nababesca, vamos assumir que, quando libera o Tio Patinhas que há em você, consiga guardar 100 reais todo mês. É uma boa grana – dá para sair para jantar, tomar umas ou outras ou, ainda, para começar a investir.

O mais curioso é que as pessoas se dão todo o tipo de trabalho para economizar – pesquisam preços nos mercados, fazem cotação da gasolina, choram com o marceneiro, ameaçam a vendedora da loja de móveis e não se importam em deixar o filho do mecânico sem comida. Mas, quando chega a hora de investir, a grande maioria investe na poupança, no fundo caro e pouco rentável ou, pior, deixam o dinheiro lá parado na conta-corrente.

Tem até ex-presidente “work alcoholic” que deixava uma boa grana parada embaixo do colchão.

Pode parecer que não, mas esse tipo de decisão – de onde investir suas economias – pode mudar sua vida e, mais importante, sua aposentadoria.

Se desde a criação do real você tivesse investido 100 reais todo mês na poupança, teria hoje uns 123 mil reais. É bastante coisa, não? E pensar que tudo isso veio só de pesquisar e segurar um pouco os gastos…

Agora, e se você todo mês aplicasse na Selic? Se você fosse ali, no Tesouro Direto (sim, não existia em 1994, mas estou apenas fazendo algumas suposições), e todo mês aplicasse os 100 reais, teria nada menos do que 309 mil reais.

A coisa fica ainda mais bonita se mensalmente comprasse ações do Itaú (ITUB4). Seriam quase 740 mil reais hoje.

Mesmo se aplicasse no Ibovespa, que está longe de ser uma boa opção no período, teria quase 160 mil reais, 37 mil reais a mais do que na poupança – um carro popular “de graça”.

Note que a diferença entre o pior rendimento, da poupança, e o melhor rendimento, das ações do Itaú, é de absurdos 616 mil reais. Um apartamento que você teria deixado “na mesa” só porque teve preguiça de estudar um pouco e procurar melhores opções de investimento.

Mesmo a Selic, que é uma aplicação tão segura quanto a poupança (na verdade, por ser garantida pelo Tesouro Nacional, acho mais segura do que a poupança, que tem garantia do FGC), traria retornos superiores em mais de 180 mil reais sobre a poupança.

É muito dinheiro!

Não dá para deixar o dinheiro parado na poupança – isso só aumenta o lucro do banco e “come” uma bela parte de seus rendimentos. Esse medo misturado com preguiça ajudam, e muito, os banqueiros a ficarem cada vez mais ricos!

Dá quase nenhum trabalho abrir uma conta no Tesouro Direto e começar a comprar umas LFTs.

Se o Brasil tiver mesmo entrado em uma era de juros menores, é verdade que a diferença entre a Selic e a poupança será menor. Mas não se deixe enganar pelas matérias de jornal dos “especialistas” – ainda é vantajoso aplicar na Selic e/ou em fundos DIs baratos!

Leia mais: Selic em 9,25%: é hora de voltar para a poupança?

De nada adianta reclamar da vida e dos bancos se você mesmo não for capaz de tomar uma atitude para garantir o seu futuro – nem vou entrar no mérito da Previdência!

Se está cansado das taxas do seu banco, simples, limite ao máximo o seu uso e se torne sócio. Comece a ganhar com o banco, e não para o banco. Eu não acho que o Itaú tenha sido feito para você, mas as ações do banco cabem na sua carteira como uma luva, acredite.

É claro que o rendimento passado não é garantia de nada – ninguém sabe como será o comportamento das ações nos próximos dias, meses ou anos. Chama renda variável porque “vareia” e há alguns momentos em que a coisa toda dá bastante susto.

Oras, não há nem garantias de que o Itaú estará aí no futuro para contar histórias.

Por isso mesmo, invista aos poucos, diversifique. Existem outras empresas com ótimos retornos e muito bem geridas.

O ponto é que existem várias alternativas às aplicações oferecidas pelo seu gerente do banco, e a grande maioria é de fácil acesso – certamente muito mais fácil do que sair andando pelos supermercados para pesquisar o preço da farinha.

Informe-se. Vá atrás!

É um pouco trabalhoso? Claro que é! Mas não é difícil nem exige conhecimentos avançados. É só uma questão de dar o devido valor ao seu dinheiro, que é fruto de seu trabalho e, imagino, de um monte de sapos engolidos.

Leia mais: Responda-me se for capaz

Obs.: as contas foram feitas usando taxas mensais equivalentes e levam em consideração uma alíquota de 15% de imposto de renda, cobrados apenas no fim do período de aplicação. Não foram considerados os custos de corretagem, custódia e demais custos de transação.

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