S02E11 – Just a little patience

Seja Um Velho Rico

Compartilhe:
Enviar link para o meu e-mail
S02E11 – Just a little patience

Trilha da semana
Echo & Radiohead – The Bends & Sing

 

Nas minhas andanças, tive o prazer de falar com uma meia dúzia de gente que ganhou muito dinheiro (muito mesmo!) investindo na Bolsa.

Gente que ganhou investindo o próprio dinheiro. Gente que, lá atrás, escolheu algumas ações e foi colocando grana aos poucos e por muito tempo.

Depois de conversar com alguns deles, notei algumas particularidades deste “clube do bilhão”.

A primeira é que, mesmo que possam ter apartamentos espalhados pelo mundo, planejar férias no espaço ou contratar a Lady Gaga, com fibromialgia e tudo, para cantar na festa de 15 anos da filha, elas não fazem nada disso.

São pessoas sem gosto pela ostentação – quem construiu um patrimônio ao longo do tempo, investindo o dinheiro do próprio trabalho, dá muito valor a ele e tem até certo medo de ficar “famoso”.

Os caras vivem no anonimato e, garanto, se você vir um deles andando pela rua, nunca vai imaginar que ali, na sua frente, tem tanto dinheiro assim atravessando a rua.

“O Brasil é perigoso. Quanto menos aparecer, melhor”, me disse um deles. O outro complementa: “Essa coisa de dar entrevista dá um azar danado. Sair em capa de revista então…”

O mais legal mesmo é conversar com eles e entender como formam a cabeça sobre um investimento – tem uns que pouco se preocupam com o Ebitda e o lucro do próximo trimestre, e estão mais interessados no que os controladores estão fazendo com as ações.

Outros sabem de cor cada linha do balanço das investidas – lembram exatamente quanto pagaram por ação da carteira e têm na ponta da língua quanto cada uma cresceu no último ano.

Tem uns que só querem saber das ações que pagam dividendos. Outros, querem empresa que cresce: “Tem que crescer todo ano”. E aquele fascinado por custos e despesas: “Custo é que nem cabelo, tem que cortar o tempo todo”.

Um deles soube que um dos maiores acionistas acelerou o processo de herança: “Ninguém deixa coisa ruim para os filhos se puder evitar”. Lá vai conversar com alguém, saber o que está acontecendo com a empresa e ver como é que pode ganhar dinheiro com aquilo.

Já assisti a apresentação de duas horas com gráficos, planilhas, cotações. Projeções de crescimento e redução de custos. Margens mais altas, lucros maiores e dominação mundial. No fim, só um comentário: “Ah, mas isso não vai dar certo, não. Brasileiro não come macarrão. O povo aqui gosta de arroz e feijão mesmo”.

Quando tentei convencer um deles a vender um pouco das ações que estavam concentradas demais em Itaú, ele me olhou com aquela cara de “esse moleque olhou uns gráficos no computador, leu dois livros e acha que sabe alguma coisa”. Só não me xingou por educação, certeza.

Cada um tem sua filosofia – uns nem encostam em commodities, outros se recusam a investir em empresas de bebida. Tem aqueles que adoram agronegócio e outros que só querem saber dos monopólios. Mas, além de muito dinheiro e discrição, todos têm pelo menos mais uma coisa em comum: são velhos experientes.

Não adianta.

Quem ganha o jogo do investimento é quem tem paciência. Quem sabe que a recompensa está lá no fim, quando o efeito da composição dos retornos – aqueles percentuais que se multiplicam todo ano – vai se fazer realmente presente.

Se você quiser ficar rico investindo, tem que aceitar que não vai ser da noite para o dia. Nem de um ano para o outro.

Vai precisar de décadas.

É preciso sobreviver hoje para investir de novo amanhã. É preciso correr os riscos certos. Nunca aceite quebrar se as coisas derem errado – jamais opere alavancado.

Mantenha-se solvente, porque se errar hoje vai ter sempre a chance de acertar amanhã.

De preferência, escolha acertos que valham bem mais do que os erros – aposte centavos para ganhar reais. Aquilo que subir vai compensar tudo o que caiu e muito mais – o Magazine Luiza de hoje paga todas as empresas X de ontem com folga.

Aqui na Empiricus tem um cara que (ainda) não é um velhinho bilionário, mas está no caminho certo. Tem seu jeito particular de enxergar o mundo e os investimentos. É discreto, fala pouco e, a cada relatório, me ensina um ponto de vista diferente, uma nova ideia dentro de um conceito antigo.

Não à toa sua série leva o nome de Programa de Riqueza Permanente.

Está gostando desse artigo?Insira seu e-mail e comece já a receber nossos conteúdos gratuitos

Há cerca de um ano, eu era novo na casa e ele veio me perguntar sobre um fundo imobiliário – tinha acabado de locar o prédio todo para uma multinacional, mas com meses de carência pela frente.

Falei: “Ixi, isso aí vai demorar muito tempo para pagar alguma coisa, melhor não mexer com isso, não”.

A resposta dele foi: “Ah, mas não tenho pressa, quero só o que tem valor no longo prazo”.

De lá para cá, o fundo andou 44,2%, contra 26,9% do Ifix.

A paciência que eu e o mercado não tivemos, o Rodolfo teve de sobra.

Seus leitores agradecem.

Conteúdo recomendado