S02E12 – Capitalismo selvagem

Seis bilionários têm a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres no Brasil. Se eles resolvessem juntar os trapos, chegariam à soma nababesca de 89 bilhões de dólares, ou 280 bilhões de reais.

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S02E12 – Capitalismo selvagem

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“Seis bilionários têm a mesma riqueza que os 100 milhões mais pobres no Brasil” – a manchete caça-cliques rendeu likes e compartilhamentos com frases dignas de para-choques de caminhão: “Olha aí o fruto da meritocracia” ou “e tem gente que ainda fala que o capitalismo deu certo”.

O novo mote progressista lacrador é fruto do relatório “A distância que nos une: um retrato das desigualdades brasileiras”, apresentado pela Oxfam Brasil, ONG que tem como objetivo “construir um futuro sem pobreza, desigualdades e injustiças”.

Apesar de o estudo não apontar quem são os seis bilionários capitalistas opressores, a lista da Forbes está aí para isso: Jorge Paulo Lemann, Joseph Safra, Marcel Telles, Carlos Alberto Sicupira, Eduardo Saverin e Ermírio Pereira de Moraes.

 

Primeiro ponto: mesmo tomando uma bela tungada do Zuckerberg, o Saverin conseguiu levar quase 8 bilhões de dólares com o Facebook – good for you, Wardo.

Segundo ponto: se os seis magnatas resolvessem juntar os trapos, chegariam à soma nababesca de 89 bilhões de dólares, ou 280 bilhões de reais.

Pelo amor dos meus filhinhos.

É isso!

É só distribuir essa grana entre todos os brasileiros que os nossos problemas estarão resolvidos.

Vamos lá: 280 bilhões de reais por 200 milhões de habitantes.

Cada brasileiro leva cerca de 1.400 reais para casa.

Epa!

É isso mesmo: se distribuirmos essa fortuna entre os brasileirinhos todos, cada um troca de geladeira e fica com ela vazia e desligada, porque não sobra grana nem para pagar a conta de luz.

Em contrapartida, os seis bilionários são responsáveis pela criação e/ou manutenção de alguns dos principais grupos empresariais do mundo e empregam mais de 430 mil pessoas em seus negócios.

Se seguirmos os conselhos da ONG progressista, a gente dá uma geladeira para cada brasileiro, não resolve a vida de ninguém e, de quebra, acaba com mais de 400 mil empregos ao redor do globo.

Isso sem contar os empregos indiretos e todos os produtos e serviços prestados por Facebook, Ambev, Votorantim e Safra – vale dar uma lida nisto aqui se quiser saber o que penso sobre os bilionários do mundo. Resumidamente, acho que a sociedade ainda deve muito a vários deles.

É claro que, filosoficamente, é difícil aceitar que algumas pessoas gastem 666 dólares em um hambúrguer enquanto muitas outras não têm o que comer.

Mas, como explicado na matemática de alguns parágrafos atrás, redistribuir a riqueza do mundo não vai acabar com a fome de ninguém – vai é deixar todo mundo pobre igual.

Olhando para o índice de Gini, uma medida de dispersão de renda e riqueza entre habitantes de um mesmo país, vemos que, nem de longe, uma melhor distribuição está diretamente relacionada a maior qualidade de vida.

Timor-Leste, Bangladesh e Etiópia estão à frente de Portugal, Argentina, Brasil, Chile e, pasmem, Estados Unidos!

Basicamente, se todo mundo é miseravelmente igual, não há desigualdade. Em vez de medir quanto o mais rico tem a mais do que o mais pobre, o ideal é entender em quais condições vivem as camadas inferiores da população.

Pouco importa se alguém tem um jatinho. O problema é tentar acabar com quem não tem o que jantar e, garanto a você, o capitalismo nada tem a ver com o mendigo que cruza o seu caminho no percurso para o trabalho.

A escassez é a condição natural humana – todo mundo nasce pelado, sujo e chorando. Na natureza, não se tem acesso a remédios, roupa, abrigo, educação ou cultura sem trabalho. A vida selvagem é uma luta contínua para não dormir de barriga vazia.

A fome e o frio nos acompanham há milhares e milhares de anos.

Mas estamos melhorando: desde a Revolução Industrial, os índices de mortalidade, expectativa de vida, acesso a saneamento básico e nutrição melhoraram exponencialmente, depois de séculos de estagnação.

No fim da Idade Média, um inglesinho tinha expectativa de vida de cerca de 30 anos – a mortalidade infantil ficava na casa dos 25%! Hoje, um brasileiro tem expectativa de vida de quase 75 anos ao nascer. Mortalidade infantil? Menos de 1,4%.

De acordo com matéria do “New York Times”, atualmente há mais obesos do que famintos no mundo. O consumo excessivo de calorias adquiriu contornos endêmicos – algo absolutamente impensável se você fosse um camponês há pouco mais de 200 anos.

Repito: a fome afeta menos pessoas do que a obesidade no mundo!

E tem gente que diz que o capitalismo deu errado…

Hoje, um cidadão médio tem muito mais acesso a educação, informação, atendimento médico, alimentação saudável e entretenimento do que Ricardo Coração de Leão, que morreu aos 41 anos, vítima de gangrena – meu reino por uma dose de penicilina.

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Certamente, temos um longo caminho pela frente. Há crianças dormindo nas ruas, há milhões sem ter o que comer, e muita gente ainda morre por falta de tratamentos e profilaxias simples e relativamente baratas.

Por mais ultrajante que tudo isso seja, de forma alguma é culpa do Lemann.

Muito pelo contrário.

Pessoas como ele estão ajudando a melhorar o mundo, porque inovam, empreendem e geram riqueza, facilitando o acesso de milhares de benefícios a milhões de pessoas.

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