Se você quer dicas de investimento, procure em outro lugar

Ao contrário do que possa parecer ao observador de superfícies, a Empiricus não dá dicas de investimento. Publicamos apenas dicas de arte e de filosofia sobre investimentos, cujas recomendações de ativos são meros corolários.

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Se você quer dicas de investimento, procure em outro lugar

Com o sorteio dos grupos da Copa, tive um fim de semana marcado pelos clássicos debates sobre o “Grupo da Morte”.

Jamais conseguiremos cravar qual é esse grupo a priori, nem quem sobreviverá.

Em 2014 – você deve lembrar -, a Costa Rica desbancou Uruguai, Itália e Inglaterra na primeira fase, classificando-se em primeiro.

Eu não lembro, não era nascido, mas em 1958, na Suécia, diziam que o Brasil tinha caído no Grupo da Morte, com Áustria, Inglaterra e União Soviética.

Depois de bater a Áustria e empatar em zero a zero com a Inglaterra, a seleção pegaria a União Soviética com sérios riscos de ser eliminada.

Afinal, os soviéticos eram famosos pelo chamado “futebol científico” – uma aura curiosamente parecida com a das interpretações a posteriori do sucesso alemão em 2014.

Nossos adversários eram muito mais organizados do que nós, ditados estritamente pela razão e disciplina, ao ponto de empregarem, já naquela época, algoritmos rodados por computadores anos-luz à frente da prancheta rasurada do Vicente Feola.

Feola, aliás, estava contrariado após o empate sem gols com a Inglaterra. Não gostou da apresentação da equipe. Decidiu então, de última hora, trocar Joel, Mazzola e Dino Sani pelos reservas Garrincha, Pelé e Zito.

Fico imaginando o algoritmo soviético tentando recalcular as estratégias de defesa e ataque após se deparar com esses três novos inputs tupiniquins.

Frequentemente, ouço apologias também ao investimento científico. Ainda mais nesta época de fintechs que valem 100x receitas ainda não faturadas e de tantos estudos evidenciando nossa irracionalidade financeira.

Desconfio que haja menos de ciência e mais de arte e filosofia no investir.

As tentativas de biografar Warren Buffett frequentemente apelam ao seu gosto por números, menosprezando sua capacidade de olhar nos olhos do dono de uma empresa familiar e instantaneamente decidir adquiri-la por alguns milhões de dólares.

George Soros fez faculdade de Filosofia e desmonta posições de risco à medida que sua dor nas costas aumenta (não é uma metáfora).

A maior parte do conhecimento que utilizamos para investir é tácito, ou seja, não cabe em formalizações algorítmicas.

Por isso, ao contrário do que possa parecer ao observador de superfícies, a Empiricus não dá dicas de investimento.

Publicamos apenas dicas de arte e de filosofia sobre investimentos, cujas recomendações de ativos são meros corolários.

Diziam que não chegaríamos longe dessa forma, que seríamos eliminados logo na primeira fase.

A verdade, porém, é que – completados oito anos de vida – sobrevivemos ao Grupo da Morte, graças aos leitores inteligentes que temos.

Obrigado por seu apoio até aqui.

E que comecem as oitavas de final!

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