Então me diga se isto é RUIM ou é BÃO

Boa parte do meu trabalho de analista financeiro se baseia em tentar amar ativos que eu odeio, e tentar odiar ativos que eu amo.

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Então me diga se isto é RUIM ou é BÃO

Todos nós adoramos referendar se uma coisa é boa ou ruim.

Diria até que estamos viciados em nossas próprias preferências.

EU sou mais EU.

Enquanto isso, você pode dizer, a cada segunda-feira, se gosta ou não do conteúdo desta newsletter.

Em caso de muitas respostas negativas, eu serei automaticamente demitido da função de autor do Grana Preta – o que consideraria justíssimo.

Ainda assim, continuo supondo situações nas quais eu dou um “dislike” num filme sem perceber.

Sabe como é, o cachorro pula no seu colo, toma posse do sofá, seu controle voa e lá se foi mais um dislike aleatório.

Acumulando alguns reveses desse tipo, o sujeito corre o risco de nunca mais saber sobre o novo filme do Woody (Allen ou Toy Story), e de repente o cinema iraniano domina sua tela em proporção avassaladora.

Eu ouço dizer que o algoritmo do Netflix está pronto para entrar no fantástico mundo dos investimentos, graças à revolução das fintechs.

Ouço dizer, e não duvido. Tudo sou antes de ser cético em relação ao futuro.

Resta-me, portanto, o direito de imaginar.

Se dou “like” em Microcaps, o robô advisor vai me indicar mais e mais Microcaps? Terei uma carteira com duzentas Microcaps?

Ou o algoritmo decidirá me diversificar com Renda Fixa e Fundos Imobiliários?

Essa última função é hoje menos óbvia num Netflix hipotético em que gostar de um filme de faroeste resultaria em dicas de comédia romântica.

A questão, no fim das contas, para mim será: como eu farei para receber recomendações positivas das coisas que eu não gosto?

Boa parte do meu trabalho de analista financeiro se baseia em tentar amar ativos que eu odeio, e tentar odiar ativos que eu amo.

Se eu odiar meu robô advisor desde já, talvez poderei amá-lo num futuro menos próximo.

Caso contrário, serei apenas eu e meu cachorro, pulando no sofá da tecnologia.

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