A terceira margem da Bolsa

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A terceira margem da Bolsa

A realidade dos animais possui duas dimensões.

Uma é a das experiências objetivas, determinadas por árvores, pedras e riachos.

Outra diz respeito a experiências subjetivas: medo de ficar sozinho, prazer de caçar, desejo de procriar.

Até aí, sem mistérios.

O homem, por sua vez, é um animal um pouco mais complexo, pois vive uma realidade de três dimensões.

A gravidade, por exemplo, é parte de seu mundo objetivo; pessoas que acreditam ou não acreditam na gravidade ambas sentem sua força.

Já o mundo subjetivo depende de minhas crenças e de meus sentimentos particulares, não diz respeito aos outros.

Em meio a esses dois, porém, existe um terceiro mundo, só para os humanos, que pode ser chamado de inter-subjetivo.

Realidades inter-subjetivas dependem da comunicação entre várias pessoas, e de uma forte crença compartilhada por elas.

Animais não conseguem imaginar coisas que não existem, que só existem enquanto metáforas. Apenas os homens conseguem imaginar esse tipo de coisa.

Ok, vamos falar então de dinheiro, um dos maiores frutos da imaginação humana.

Você já sabe que o dinheiro não é ditado por métricas subjetivas. Não dá para ir ao caixa do supermercado com o carrinho cheio, tirar uma nota de dois reais do bolso e persuadir a atendente de que aquela nota, segundo o SEU entendimento, vale cem reais.

Mas o dinheiro também não possui nenhum valor objetivo. Você jamais desejará comer, beber ou vestir uma nota de cem reais. Contudo, desde que milhões de brasileiros acreditem no valor de uma nota de cem reais, podemos usá-la para comprar um belo prato de comida, uma garrafa de vinho ou uma nova calça jeans.

A Bolsa de Valores, como filha do dinheiro, é também inter-subjetiva.

Investidores acham que podem prever o movimento de uma ação assim como podem prever a trajetória de uma bola de golfe sob a influência da gravidade.

Ou, ainda pior, EU fico achando que uma ação vai subir só porque EU a comprei na hora em que julgo a mais correta.

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Desculpe a franqueza, mas ações às vezes sobem desafiando a gravidade, e frequentemente não sobem só porque eu quero que elas subam.

Se uma ação subir, vai ser simplesmente porque faz parte das Melhores Ações da Bolsa.

A imaginação humana é bem mais forte do que a minha ou a sua imaginação.

Até a próxima!
Rodolfo Amstalden

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