Adivinha no que meu ídolo está investindo?

Não poderia ter ficado mais surpresa ao ver a notícia, nos últimos dias, de que o mais influente gestor de endowment do mundo, com 29 bilhões de dólares sob gestão, está investindo em... criptomoedas!

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Adivinha no que meu ídolo está investindo?

No apaixonante ofício de selecionar fundos, tenho um ídolo: David Swensen. Ele faz um trabalho reconhecido internacionalmente na escolha de gestores para a Universidade Yale. Swensen cuida do “endowment” da instituição: um enorme bolsão de patrimônio, formado principalmente por doações de ex-alunos, que paga por boa parte dos custos da universidade.

Não poderia ter ficado mais surpresa ao ver a notícia, nos últimos dias, de que o mais influente gestor de endowment do mundo, com 29 bilhões de dólares sob gestão, está investindo em… criptomoedas!

Imagino que para os gestores locais que torcem o nariz para esse mundo, ver Swensen e seus cabelos brancos, uma referência para todos eles, dar seu selo de qualidade ao ativo é, no mínimo, desconcertante.

Já consigo ver o próximo best-seller de Swensen mostrando o poder da diversificação em ações, títulos públicos, private equity, ativos reais, bitcoin, ether…

Swensen acaba de investir em dois fundos dedicados a criptomoedas. Isso não diz muito para mim, mas se você é fanático pelo tema talvez queira saber que os produtos selecionados são o fundo da Andreessen Horowitz e da Paradigm, criado pelo cofundador da Coinbase.

Se você acha que essa realidade de investir em cripto por meio de um fundo está muito distante de você – “é coisa de popstar internacional” –, está completamente enganado.

Já existe um fundo brasileiro de criptomoedas, obediente às rígidas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), lançado discretamente em dezembro do ano passado, pela BLP Asset. Infelizmente, entretanto, o produto só é acessível a quem tem mais de 10 milhões de reais.

Mas calma. Há pouco dias, a CVM respondeu a uma consulta do mercado sobre a possibilidade de fundos investirem em criptomoedas com um sinal verde. A mensagem é levemente cifrada: “A Instrução 555, ao tratar do investimento no exterior, não veda o investimento indireto em criptoativos”.

Explico: um fundo brasileiro pode destinar a parcela autorizada a investir no exterior para criptomoedas lá fora. No caso de um fundo de varejo, até 20% do patrimônio pode ser alocado em bitcoins e afins no exterior.

É óbvio que a BLP Asset já está de olho na oportunidade. Como já tem o fundo lá fora, é só criar o produto no Brasil com 80% em renda fixa e dedicar 20% ao produto no exterior. Os gestores da BLP, depois de uma longa carreira no tradicional Credit Suisse, contaram essa história para mim aqui. O mais legal: pensam em fazer o produto com aplicação mínima de menos de 10 mil reais.

Seu fundo

Hoje quero apresentar a você uma nova gestora, a Occam Brasil, que, apesar de recém-criada, traz em seu portfólio fundos conhecidos pelo mercado há uma longa data.

A casa foi fundada neste ano por uma equipe egressa do Brasil Plural, sob comando de Carlos Eduardo Rocha, o Duda, após uma reformulação na área de gestão de recursos do banco. Ele levou consigo os produtos multimercado e de renda variável que, juntos, constituem um patrimônio de 2,5 bilhões de reais.

A estrutura traz um novo gás para os gestores, que continuam tendo o banco como sócio, porém minoritário.

A criação da Occam também traz mais visibilidade para Duda, que incorpora em suas estratégias lições aprendidas nos mais de 20 anos de experiência na área. Uma delas é a internacionalização de parte da carteira, que tem ajudado seu principal produto, o multimercado Equity Hedge, a entregar 138,37% do CDI em 2018.

Esse resultado foi alcançado, entre outros fatores, graças a posições ancoradas na recuperação da economia norte-americana e na valorização de setores específicos, como os de tecnologia e financeiro.

O fundo multimercados da Occam segue com o diferencial de Duda – a capacidade para gerir Bolsa, especialmente long and short (compra e venda de ações) –, mas traz reforços para a missão e ainda diversifica na parte macro, que hoje responde por dois terços do risco do fundo.

Além do time egresso do Brasil Plural, foram escalados Pedro Dreux, da mesa de juros, e Fernando Chibante, da área de internacional, ambos com passagem pelo Pactual, onde Duda trabalhou por mais de uma década. Também integra a equipe a estrategista Isabel Ramos, que tem ampla experiência em renda variável.

Muitas lições ficaram do período mais difícil de sua história, em 2016, quando Duda foi pego em uma tempestade perfeita por um revés internacional para commodities e uma virada na Bolsa local com o impeachment da Dilma: o fundo estava comprado em Suzano e vendido em Ibovespa. O retorno não foi negativo, mas o fundo ficou atrás do CDI no ano, o que deixou o gestor, muito preocupado com consistência, incomodado.

O principal aprendizado foi limitar o patrimônio administrado, para facilitar a desmontagem de posições; na nova gestora, ele não pretende ultrapassar os 7,5 bilhões de reais na estratégia.

Estamos de olho na nova fase de Duda e traremos novidades na série Os Melhores Fundos de Investimento.

Fazendo justiça

Bom dizer: antes do renomado Swensen e seus cabelos brancos validarem as criptomoedas, o Vinícius Bazan e o André Franco já tinham me convencido sobre a necessidade de ter uma pequena parcela do patrimônio no ativo.

Swensen, com todo respeito, comecei a investir em bitcoins e ethers muito antes do senhor.