Bohemian Rhapsody

Quem ensinou o investidor a montar um portfólio equilibrado, com muito dinheiro em pouco risco e pouco dinheiro em muito risco, seguindo o mestre Taleb?

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Bohemian Rhapsody

I need no sympathy
Because I’m easy come, easy go
Little high, little low
Anyway the wind blows
Doesn’t really matter to me
To me

Freddie Mercury, encarnado em Rami Malek, levanta-se da mesa de jantar e, ainda de pé, emposta a voz e canta magistralmente “Parabéns a você” ao piano. Seria uma cena tradicional, não fosse ela protagonizada pela figura icônica do vocalista do Queen, claramente desencaixado do ambiente familiar. O pai não precisa falar nada: o olhar julga.

Eu, ali sentada de pipoca na mão e lágrimas nos olhos, me lembrava da mensagem de aniversário do Felipe naquele mesmo dia pela manhã: “9 anos de Empiricus hoje!”. Imaginei o clima da mesa de jantar quando ele decidiu deixar o emprego no conceituado Deutsche Bank.

Por isso, parabéns para nós. Parabéns a você! Temos sido guerreiros.

Cheguei depois, mas ainda me lembro do primeiro evento de mercado logo após eu ter deixado a tão sonhada carreira na redação de um jornal tradicional em busca do que me preenchesse (de que lado afinal estão os jornalistas?) – passei o intervalo no banheiro para fugir dos olhares.

O primeiro vídeo, em que revelávamos o absurdo dos fundos DI caros, apontando nomes, caiu pesado nas mesas do Ráscal. O nosso erro foi dizer que os bancos “usurpavam” dinheiro dos investidores com fundos DI com taxas que chegavam (e ainda chegam) a 5,5% ao ano.

O regulador não palpita nesse tipo de questão – o mercado é livre para precificar. Tudo pode, desde que a linguagem seja moderada.

Usurpar foi o nosso “Galileo”. Usurpam, usurpam, usurpam.

“O que eles pensam sobre você não pertence a você”, repetiu o já calejado Felipe Miranda a mim inúmeras vezes naqueles pesados primeiros meses.

Quem ensinou o investidor a montar um portfólio equilibrado, com muito dinheiro em pouco risco e pouco dinheiro em muito risco, seguindo o mestre Taleb? Quem fez sua mãe, sua avó, aquela tia distante começar a ler sobre investimentos? Quem acreditou que, sim, você tem capacidade de aprender a usar opções para proteger seu patrimônio?

Um engravatado adestrado pelo “media training” é que não foi.

Pouco mais de dois anos depois, me vejo hoje na estreia de um projeto ambicioso para fazer quem não entende nada de investimentos ter o ganho de investidores profissionais.

Bem, voltemos ao olhar dos outros, ainda que ele não pertença a nós, para mergulhar nas rodinhas da Faria Lima e do Leblon. O que tem tirado o sono dos gestores de fundos? A grande preocupação é com a demora do gringo em apostar na Bolsa brasileira. A alta (até agora) foi fruto da confiança dos investidores profissionais locais.

Ao tentar entender o motivo, escuto duas explicações principais:

1. Doméstica: o mercado financeiro internacional ainda não comprou a ideia de que o presidente eleito Jair Bolsonaro será bom para o Brasil. Para quem defende essa tese, a imprensa internacional tem jogado contra. Para fazer frente a isso, dia desses vi gestor local tentando emplacar artigo lá fora.

2. Externa: para parte do mercado, o gestor global não está nem aí para nós. Ele tem problemas próprios – está perdendo dinheiro com ações na Ásia e nos Estados Unidos, sem querer arriscar mais e dedicando seu tempo a entender desacelerações e fins de ciclos.

A primeira alternativa preocupa menos. O entendimento é que o dinheiro deve vir, para esse grupo, quando Paulo Guedes e a equipe econômica tiverem tempo para dar uma voltinha lá fora, contar a que vieram. Ou quando conseguirem efetivar algum dos planos propagados, como a reforma da Previdência.

A segunda já é um pouco mais tensa. Se lá fora azedou mesmo, o investidor global vai olhar em algum momento para cá?

Conversei com dezenas de bons gestores sobre o tema nos últimos dias. Não consigo trazer uma conclusão, infelizmente, mas acho bastante convincente a tese de que as empresas que têm boas histórias próprias vão ganhar valor pelo ambiente microeconômico mais favorável e pela própria recuperação econômica.

A nós, investidores de ações – diretamente ou via fundos –, resta, só para variar, ter paciência. Ela tem sido recompensada até aqui.

P.S.: Por falar em Bolsa, quer saber como eu fiz para ganhar 124,46% com ações do ano passado para cá sem nunca ter investido em uma única ação? Vem aqui que eu te conto.

Cota Cheia

Para quem ainda não desapegou da poupança ou do fundo DI caro, a boa notícia veio esta semana. O BTG reduziu mais uma vez a taxa de seu fundo Simples, que investe somente em títulos públicos, agora para 0,09% ao ano.

É o melhor destino para a sua reserva de emergência. Rende mais do que poupança e até mesmo do que o título Tesouro Selic, comprado no Tesouro Direto – bom lembrar que lá a taxa é 0,3% ao ano, se adquirido via corretora sem taxa.

Tem mais: o BTG já anunciou que vai reduzir a taxa desse fundo à medida que o patrimônio crescer. Justo: quanto mais gente para dividir os custos, menor a taxa.

O mínimo? Só 500 reais. Onde? No BTG Pactual Digital.

Aqui é assim: a gente detona quando é ruim, mas também destaca quando é legal.

Cota Murcha

Não há dúvidas de que a indústria de fundos avançou muito com o crescimento da concorrência. Nos últimos anos, surgiram produtos mais baratos e mais acessíveis.

Os fundos caros dos bancos, infelizmente, seguem lá. Nunca vou me cansar de destacá-los.

Trago aqui três fundos de renda fixa com taxa maior do que 5% ao ano, com um apelo para um boicote. São eles: Banrisul Automático, Santander Inteligente e Caixa Prático. Se eles ainda existem, é porque tem investidor mal-informado por aí. Me ajude, por favor, a espalhar isso: compartilhe esta newsletter com um amigo ou uma amiga.