Caitituagem aqui não, Lalá!

“Os clarins estão relembrando os velhos carnavais Arlequins sensuais Amam as Colombinas de pompons grená Passam na visão dos meus sonhos Os pierrôs tão tristonhos […]

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Caitituagem aqui não, Lalá!

“Os clarins estão relembrando os velhos carnavais
Arlequins sensuais
Amam as Colombinas de pompons grená
Passam na visão dos meus sonhos
Os pierrôs tão tristonhos
A tocar bandolins entre ais
Implorando em vão
A ressurreição desses carnavais.”

Passadas as semanas de apenas três dias úteis, só nos resta esperar o Carnaval. Lá em casa ele começou no domingo, com um disco garimpado por apenas 10 reais na feirinha de antiguidades da praça Benedito Calixto. E que disco!

Na certa você já sambou ao som de “O teu cabelo não nega, mulata…” ou pulou a cobra ouvindo “Chegou a hora da fogueira…” na quadrilha da escola.

O que talvez você não saiba é que, em sua última década de vida, Lamartine Babo trocou a boemia pelo ativismo na União Brasileira de Compositores – eu pelo menos não sabia.

Foi em 1961, dois anos antes de sua morte, que Lalá compôs a música que abre esta newsletter: “Ressureição dos Velhos Carnavais”. Várias outras contemporâneas dessa são consideradas por críticos alguns dos mais belos exemplares do estilo chamado marcha-rancho, mas mal chegaram às ruas.

Se pela escala da indústria fonográfica elas não chegaram até você, foi porque a essa época o Carnaval virara uma indústria, com “compositores dando parcerias para disc-jóqueis apenas para garantir a divulgação de suas músicas”, segundo os dizeres impressos no vinil antigo que tive a sorte de encontrar.

Muitas dessas músicas, segue o texto que introduz o disco, foram “abafadas pelo trabalho de caitituagem que impedia (e impede) a divulgação da obra de compositores não comprometidos com a indústria carnavalesca”.

Caitituagem, recorri ao Dicionário Informal: “defender uma música, junto às emissoras e artistas, para a sua divulgação. Exemplo: Aquele jornalista não tem credibilidade. Ele vive de caitituar músicas para certa gravadora”.

O exemplo do dicionário dá o real tom do “defender”: caitituagem é, na realidade, defender a divulgação de uma música seja ela boa ou não para o ouvinte. Como fazê-lo? Dando vantagens a quem a distribui, no caso, uma parceria no sucesso da música ao DJ.

Aqueceu meu coração saber que o ídolo Lamartine Babo morreu protestando contra o fato de as pessoas ouvirem as músicas cujos compositores ofereceram as melhores parcerias comerciais, e não aquelas de maior qualidade.

Saberão os pobres pierrôs e colombinas o que os seus ouvidos estão deixando de ouvir? Posso apostar que não.

Espiando o vinil rodar, de alguma forma me senti ligada a Lamartine Babo, tentando expor a caitituagem da indústria de fundos, mais conhecida como “rebate”.

Nela, o compositor é o gestor. A corretora, o DJ. E qual fundo toca mais? Aquele que divide melhor a receita, que paga melhor comissão – o comprometido com a indústria, não com você, como os disc-jóqueis dos tempos de Lalá.

Os melhores fundos historicamente ficam restritos às altas rodas – os mais ricos pagam para que alocadores de fortunas (não comissionados) indiquem a eles quem é realmente bom. Aos menos afortunados, os restos.

Se o DJ não é remunerado pelo seu público, se a festa é de graça, alguém deve estar pagando para ele – provavelmente o compositor. Quem paga mais escolhe a trilha.

Se quem paga pela festa é quem dança, aí cabe ao DJ agradar à plateia – não aos compositores.

Pense bem: você está sambando ao som que você merece ou ao que o mercado quer?

Você paga pelo serviço de quem te indica fundos? Não? Então quem está pagando?

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Estão oficialmente abertas as vagas para o programa 6EM6: DO ZERO À LIBERDADE FINANCEIRA . Agora é questão de agilidade. Para descobrir como a Empiricus está pagando pra você se tornar LIVRE, acesse aqui.

Seu fundo

Nesta seção, você sabe, explicamos fundos disponíveis a você no mercado. Não é a indicação de fato. Se quer saber onde colocar seu rico dinheirinho então pague por essa orientação ao assinar a série Os Melhores Fundos de Investimento. Caitituagem aqui não!

Imagine um especialista em administrar os recursos de um grande banco – esses sabem ganhar dinheiro como ninguém no Brasil! – cuidando das suas economias. Não parece um bom negócio?

É o que acontece quando um profissional decide deixar a tesouraria e abrir sua própria gestora de investimentos. Se você não conhece uma tesouraria, é o setor responsável por investir o valor parado na conta dos clientes, por exemplo, gerando retorno para o banco.

Estamos falando da MZK, criada no ano passado por egressos da mesa proprietária do HSBC. A casa é nova, mas a sintonia entre os sócios é resultado de mais de uma década de convivência. Marco Antonio Mecchi, diretor de investimentos, e Gustavo Menezes trabalham juntos há 12 anos. Os outros sócios Danilo Macari e André Kitahara também são conhecidos de longa data.

A ideia foi dar continuidade ao modelo que deu certo na antiga casa. Na verdade, a equipe chegou a ser incorporada pelo Bradesco na aquisição do HSBC, em 2016, mas pouco depois saiu para alçar voo próprio.

E qual é o diferencial de um fundo gerido por ex-tesoureiros? A expertise é operar de forma dinâmica – ou seja, com negociações intensas – nos mercados de juros e câmbio. Aliás, o nome do filho único da gestora é MZK Dinâmico.

É como ter uma equipe de traders à disposição do seu dinheiro, passeando em alta frequência entre diversos ativos. Diferentemente dos fundos multimercados mais tradicionais, em que o gestor escolhe uma grande convicção e fica por anos esperando a maturação da tese, aqui a ideia é diversificar com um grande número de pequenas posições.

Não há intenção de se beneficiar integramente do movimento de alta de um ativo. “Operamos posições menores, mas muito mais frequentes. Em vez de pegar um movimento inteiro, pegamos pedaços dele”, nos explicou o Mecchi. É o clássico “comer pelas beiradas”.

As estratégias são traçadas com base nos comitês macroeconômicos realizados pela equipe toda segunda e quinta-feira, e nos comitês de trading.

O fundo começou com a atribuição de risco dividida igualmente entre os quatro sócios, como portfólios independentes, mas, aos poucos, a tendência é isso mudar. São feitas avaliações semestrais de desempenho e quem acertar mais na seleção de ativos ganhará cada vez mais limite para arriscar.

Como tudo é muito dinâmico e controlado, na sala de trade há uma tela que mostra em tempo real o risco que cada gestor está utilizando, além de um termômetro da volatilidade do fundo. A meta é 6 por cento, mas pode chegar ao limite de 9 por cento, dependendo da convicção sobre o cenário.

Uma novidade é que a MZK, que até então era mais focada em câmbio e juros, terá, a partir de fevereiro, um novo profissional. Fernando Siqueira tem 15 anos de experiência no mercado, a maior parte deles na área de ações do Citibank, e terá a missão de tocar a parte de Bolsa com mais profundidade. Ele vai começar operando pouco dinheiro e, aos poucos, ganhar mais orçamento de risco.

Ainda não!

Na Empiricus, você que paga pela orientação sobre onde colocar o seu dinheiro e jamais o compositor, digo, gestor.

O Brasil tem 389 gestoras com fundos multimercados. Nós gostamos apenas de 12 delas. Detalhamos os motivos e contamos onde encontrar seus produtos, com total independência aqui. Confira se o fundo em que você investe está lá!